Olhares sobre a cidade – Catedral de Brasília

Como o leitor viu em nosso último post, o grupo PET Civil foi para Brasília no final de julho para participar do ENAPET. (Se ainda não viu, confira aqui!) Além de cumprir as atividades da programação do evento, conseguimos “turistar” pela capital do país.

Construções encantadoras não faltam nessa cidade… E como futuros engenheiros, sempre temos curiosidade para conhecer um pouco mais, não é mesmo? Hoje, iremos apresentar a Catedral Metropolitana de Brasília.

 

© Bruno Pinheiro

A imponente Catedral de Brasília.

 

Mais conhecida como a Catedral de Brasília, esse foi o primeiro monumento a ser levantado em virtude da construção da cidade. (E o primeiro que o PET Civil visitou, olha só?!) Oscar Niemeyer foi o arquiteto responsável por seu projeto e, como ele mesmo comentou numa entrevista, as obras de santuários permitem maior liberdade de concepção, sendo atraentes para o arquiteto e para o público.

E assim o fez. A estrutura conquista olhares curiosos de todo o canto e é vista de longe. Em números, a Catedral possui:

  • 40m de altura;
  • 70m de diâmetro;
  • 16 colunas de concreto armado em formato hiperboloide que pesam 90 toneladas;
  • 16 peças em fibras de vidro inseridas como triângulos de 10m de base e 30m de altura;
  • Capacidade para 4 mil pessoas;
  • Conjunto anexo com cerca de 10mil m² de construção.

 

O responsável pelo cálculo estrutural foi o engenheiro Joaquim Cardozo, assim como nas demais construções para o conjunto original de Brasília. Mas como se deu sua construção? Niemeyer simplifica: “Por exemplo, a Catedral de Brasília, quem olha e não conhece pensa que é muito complicado de fazer. Foi muito simples. Nós construímos as colunas no chão, pré-fabricadas, e suspendemos. Está pronta a Catedral!” Magnífico, não?!

E mais, em notícia publicada pelo Correio Braziliense, vemos que a “correção da curvatura foi feita a carvão, numa época muito distante dos cálculos computadorizados”. E em “boa parte do tempo, Magalhães [Carlos Magalhães, responsável técnico pela execução do traço de Oscar Niemeyer], ficou indo e vindo do Rio de Janeiro para acertar com o engenheiro Joaquim Cardozo os cálculos estruturais da obra.”.

 

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Brasília em construção: Catedral ganhando força e forma na nova capital do país.

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Brasília em construção: estrutura de concreto da Catedral.

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Vergalhões aparentes para sustentação da cúpula de vidro da Catedral de Brasília por volta de 1967,
do filme “Brasília: contradições de uma cidade nova“,
do cineasta Joaquim Pedro de Andrade.

 

Visualmente, suas 16 colunas de concreto podem ser interpretadas como mãos unidas para uma oração, “numa composição e ritmo como de ascensão para o infinito”, como disse o próprio arquiteto. E embora possa soar estranho para este material, o concreto conferiu leveza e delicadeza para a Catedral ao permitir seus detalhes arqueados (a cor branca também contribui para essa sensação).

Niemeyer ainda completa, noutro momento, quanto à escolha de sua forma: “Para a Catedral de Brasília, procuramos encontrar uma solução compacta, que se apresentasse externamente – de qualquer ângulo – com a mesma pureza. Daí a forma circular adotada, que além de garantir essa característica, oferece à estrutura uma disposição geométrica, racional e construtiva.”.

 

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À noite, outro espetáculo.

 

Outra parte surpreendente é o fato de que a Catedral encontra-se rebaixada em relação ao plano do terreno. Essa estrutura curva seria, então, apenas a casca ou cobertura da construção. Seu acesso se dá por uma rampa descendente e a beleza interna é incrível, com destaque para a composição concreto-vidro.

 

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Detalhe: Acesso à parte interna da Catedral através de rampa descendente.

 

São os vitrais que trazem a luz natural e adornam a Catedral com seus tons verdes e azulados em traços angelicais. O trabalho artístico foi idealizado pela artística plástica franco-brasileira Marianne Peretti na reforma feita na década de 1980. No projeto inicial, não havia vitrais coloridos, apenas duas camadas de vidros transparentes.

 

 

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A beleza dos vitrais na parte interna da Catedral.

 

 

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Olhe só! Detalhe no vidro identificando projetista, fabricação e restauração… datas e nomes que marcaram a história!

 

Interessante colocar que contextos históricos e políticos também interferem na continuidade de obras, que não ficam prontas “da noite pro dia”. E isso também foi válido para a Catedral, que passou por uma longa fase de construção: 12 anos ao todo. De 1956 a 1960, com JK na presidência e no início da construção de Brasília, apenas as estruturas de concreto ficaram expostas. Só mais tarde que a Catedral seria finalizada pela Igreja Católica, uma vez que os governos não assumiram sua continuação.

  1. Início da construção: 12 de setembro de 1958.
  2. Término e inauguração: 31 de maio de 1970.

A Catedral passou por uma segunda reforma em 2008 e está aberta à visitação diariamente. Além das características estruturais aqui apresentadas, vale a pena conhecer mais desse monumento, entendendo seu caráter religioso, as esculturas que compõem todo o seu conjunto e, assim, passeando por sua história na agitada Brasília. Sem dúvida, foi uma visita e tanto!

 

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Vista panorâmica do conjunto.

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PET Civil UFJF em visita à Catedral de Brasília!

 

 

Fontes: Site Oficial da Catedral; Entrevista com Niemeyer; Fundação Oscar Niemeyer; ArchDaily; A longa construção; Correio Braziliense; Nós no mundo360 meridianos.

 

 

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Ponte de vidro na China bate 10 recordes mundiais

Citada no post mais recente do blog, a ponte de vidro chinesa foi construída a 300 metros acima do Grand Canyon de Zhangjiajie, na cidade de Hunan. Inaugurada em 20 de agosto de 2016, a ponte tem uma vista extraordinária de montanhas íngremes, geralmente cobertas com névoa, as quais inspiraram o diretor James Cameron na produção do filme “Avatar”.

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É a ponte de vidro mais alta e a mais longa do mundo, com 430 metros de extensão, sendo 375 metros de parte suspensa. Além disso, tem a maior plataforma do mundo para bungee jumping e o balanço mais longo da Ásia. Logo, esses são alguns dos 10 recordes mundiais já alcançados por essa incrível obra de engenharia.

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Ela foi projetada pelo arquiteto israelense Haim Dotan e sua construção, que demorou cinco meses a mais que o previsto para ser concluída, custou cerca de 10,9 bilhões de reais. Para Dotan, a ponte deveria ser a mais “invisível possível, para não obstruir a visão”.

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A ponte tem 6 metros de largura e é composta por 99 painéis com três camadas de vidro em cada um. Ademais, ela une os dois penhascos do Cânion, através de quatro vigas de aço e concreto (duas em cada extremidade) que permitem a sustentação da mesma.

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Entretanto, a segurança de uma obra de tal porte era motivo de dúvida para os futuros visitantes. Com isso, antes da inauguração, voluntários foram convidados a testar a resistência da ponte. Foi permitido que eles batessem, repetidas vezes, com um martelo em um dos vidros da estrutura.  O resultado foi a quebra de apenas uma das três camadas de vidro, sendo que as outras duas ficaram intactas. Após esse teste, um carro ainda circulou várias vezes sobre esse vidro rachado e não produziu nenhum outro dano.

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A ponte é capaz de receber cerca de 800 visitantes simultaneamente e 8000 visitantes diariamente. Com isso, a China espera que Hunan aumente a atratividade turística para o parque natural de Zhangjiajie.

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Imagens Ponte da China Notícia

Veja o mundo através de vidros inteligentes

O vidro é um dos elementos mais comuns na construção civil e, por isso, agrega grande valor e importância às edificações. Apresenta diversas aplicações, tais como: esquadrias, pisos, escadas, prateleiras, fachadas de prédios e residências e outras atribuições decorativas (vide montagem abaixo).

Aproveitando a versatilidade desse material, somos convidados a conhecer uma inovação para uso do vidro: o “SmartGlass” (também conhecido como vidro inteligente, vidro polarizado ou vidro privativo).

Ele apresenta uma tentativa de revolucionar o modo como as pessoas e ocupantes de determinados ambientes se adaptarão ao seu uso. Mais do que isso, será possível perceber como o vidro poderá se adaptar de acordo com as situações impostas.

“A ideia é trazer dinamicidade aos painéis (como em janelas), assim como o sol também é dinâmico.”

Há, no mercado, várias marcas e indústrias que fabricam tal tipo de vidro, variando nas suas vantagens e funcionalidades. Aqui serão apresentados alguns interessantes.

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SmartGlass usado para trazer privacidade às divisórias de ambientes, como em salas de reuniões, de estudos.

 

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SmartGlass usado para atender o quesito segurança da exposição de um automóvel numa loja.

 

O QUE É O VIDRO INTELIGENTE? E COMO FUNCIONA?

 

Os vidros inteligentes pertencem a uma família de vidros especiais que permitem controlar a privacidade do ambiente com um simples apertar de botão ou toque na superfície.

São capazes de mudar, instantaneamente, do transparente para o opaco (e vice-versa), de modo preciso e uniforme, após receberem um impulso elétrico.

O porquê dessa transformação deve-se à sua composição por um display ultrafino colocado entre duas camadas de vidros laminados¹ (ou lâminas de vidro), além dos condutores de eletricidade.

Nas tecnologias “Intelligglass”, “PDLC Smart Film” e “MDV-switch”, tal display é composto por partículas suspensas em cristal líquido² em repouso. No modo desligado, sem passagem de corrente elétrica, o vidro permanece opaco e as partículas suspensas se encontram em orientação aleatória. Quando se tem a passagem de corrente, no entanto, essas partículas orientam-se de tal maneira que permitem a passagem de luz, tornando o vidro transparente (modo ligado).

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Componentes de um vidro inteligente.

 

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Sistema de funcionamento dos mecanismos do SmartGlass.

 

Pela tecnologia “SPD – SmartGlass”, o funcionamento é parecido com o das tecnologias anteriores, através de alinhamento e desalinhamento das moléculas de partículas suspensas. A diferença se dá pela presença de SPD (Suspended Particle Device), com a possibilidade de controlar a quantidade de luz, brilho e calor que passa através de vidros ou produtos plásticos.

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Funcionamento do SmartGlass com tecnologia SPD.

 

VANTAGENS E CARACTERÍSTICAS:

  • Rápido tempo de acionamento: mudança de transparente para opaco (e vice-versa) em fração de segundos;
  • O vidro com MDV-switch também pode ser controlado por controle remoto, sensor de presença, timer, aplicativo no smartphone e fechadura de portas;
  • Proporciona privacidade e segurança;
  • Quando opacos, tornam-se ótimos espaços para retroprojeção de imagens e vídeos;

 

Nessas fotos, temos o SmartGlass como espaços para projeção.

  • Possuem excelente durabilidade (para o MDV-switch, são mais de 3 milhões de computações – liga/desliga);
  • Apresentam tamanhos customizados, dependentes da utilidade. É possível reunir painéis para criar uma fachada de vidro;

 

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  • Podem ser usados em ambientes internos e externos;
  • Manuseio simples e seguro e instalação muito parecida com a de um vidro laminado comum;

 

Quantas vezes não ouvimos reclamações sobre a claridade ou reflexo da luz atrapalhando nossa leitura do quadro em uma sala de aula?

É sabido que as persianas não são tão eficientes, além de possuírem pouca durabilidade. Assim, os vidros também se mostram úteis ao eliminarem a necessidade de usar fechamentos (como brises, persinas, cortinas) evitando, também, as sombras.

Outra forma de aproveitarmos a luz natural, essencial para a condição humana, e a vista panorâmica de determinados ambientes.

O vidro com tecnologia SPD é, ainda, eficiente energicamente e controla a temperatura. Por meio de “controle dinâmico dos raios solares incidentes sobre as janelas/fachadas”, há grande redução do consumo de energia elétrica (mais de 25%) comumente utilizada para ventilação, iluminação e ar condicionado. É, portanto, um aliado da sustentabilidade.

O SPD também permite um conforto térmico, pela possibilidade de gerenciar luminosidade e calor, sem contar com o “vidro dimerizável”, com mudança do grau de transparência do vidro.

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O preço varia conforme, por exemplo, as dimensões do vidro, utilidade, necessidade de blindagem. É preciso entrar em contato com as respectivas empresas e responsáveis para mais informações.

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Aqui estão apresentadas algumas especificações técnicas do SmartGlass, que variam de acordo com o modelo, sendo SPD e MDV-switch, respectivamente.

Por fim, para nos impressionarmos ainda mais, há outras aplicações para o vidro inteligente, além da arquitetônica.

É possível usá-lo em janelas de aeronaves, barcos e trens, teto solar de veículos, porta e visores de refrigeradores, vitrines, entre outras, como mostraremos a seguir. Fica a dica!

Nas fotos acima, temos um fantástico exemplo disso. É possível perceber a inovação dos vidros inteligentes sendo aplicada na esfera da arte e entretenimento. O SPD Smart Glass contribuiu em muito para a proteção de artefatos delicados e centenários que são prejudicados com a exposição à claridade, minimizando esses efeitos.

O visitante aperta um botão e tem 60 segundos para visualizar e apreciar tal peça. Após esse tempo, o display de vidro escurece automaticamente. As peças se encontram no Brooklyn Museum, no bairro Brooklyn, em Nova Iorque/EUA.

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¹ O vidro laminado é uma alternativa para segurança, apresentando resistência a quebras e impactos comparável à do que o vidro temperado. O nome deve-se à sua formação por duas lâminas de vidro coladas por uma película de PVB (Polivinil Butiral).

 

² Os cristais líquidos, aparentemente estranhos, estão em muitos utensílios que usamos diariamente, como em telas de notebooks, relógios digitais, CD players e outros equipamentos eletrônicos. São os famosos LCD’s (liquid cristal display, ou display de cristal líquido). Encontram-se num estado intermediário em relação ao sólido e líquido, pois as partículas sólidas se permitem mudar para uma orientação específica a fim de ativar o procedimento do vidro inteligente. E também são muito sensíveis à temperatura.

 

Intelligglass        PDLC Smart Film        MDV-switch        SPD-SmartGlass     SmartFilms

Vidro laminado      Cristal  líquido       Vidro inteligente no museu