Desdobramentos sobre o desastre de Mariana

Há exatos 1 anos, 5 meses e 5 dias, acontecia o maior desastre ambiental da história do país e um dos piores a serem registrados pela humanidade. Tal acontecimento já foi tema de um post do blog, onde se é possível ter ideia da dimensão da catástrofe vivenciada pelos moradores do pequeno distrito de Bento Rodrigues e que trouxe uma realidade turva para os moradores do leito do Rio Doce e preocupações a toda população do país.

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Carros e destroços de casas em meio a lama, em Bento Rodrigues (foto: Christophe Simon/AFP)

Barragens são complexas em todas as premissas que um projeto de engenharia possa apresentar. São obras caras, de alta complexidade e com demasiado impacto socioambiental. Sendo assim, é de se esperar que sejam obras de altíssimo risco associado. Estima-se que 1 em cada 10.000 barragens sofrerá um acidente com ruptura por ano. Exige-se um controle estrito no projeto, construção e controle. O que, obviamente, não foi observado na barragem do Fundão.

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Após longas investigações, constatou-se que houve inúmeras falhas por parte da responsável pela barragem, a Samarco S.A, que vão desde a etapa de construção até a parte de monitoramento. Relatórios comprovaram que a companhia tentou explorar ao máximo a capacidade da barragem, mesmo que evidências claras indicassem o contrário.

Consultores contratados atribuem a falha da barragem a uma sucessão de eventos:

  • 2010 : Instalação de tapete drenante: ampliou-se a capacidade de saturação das paredes, levando a um maior potencial de falha por liquefação;
  • 2011-2012 : Lama chegou a lugares onde não era esperada
  • 2012: Galeria de concreto é considerada incapaz de suportar as cargas as quais estava submetida, o que impedia o alteamento das paredes da barragem
  • 2013: Durante o processo de alteamento, nota-se presença de agua no recuo da ombreira
  • 2014: Tapete Drenante se apresentava em sua capacidade máxima

Soma-se a tudo isso, um sucessão de pequeno abalos sísmicos, que podem ter acelerado o processo de liquefação da barragem, que já era considerado avançado.

Infelizmente, esse não foi o primeiro, e nem será o último, acidente envolvendo barragens em nosso país. São muitos os manuais, artigos e livros sobre o assunto, o que descarta incapacidade técnica por parte da Engenharia Civil brasileira. Espera-se que esse acidente tenha servido de lição e que outros responsáveis técnicos por barragens tenham aprendido sobre a importância de todos as etapas, sempre colocando segurança em primeiro lugar.

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Área afetada pelo rompimento de barragem no distrito de Bento Rodrigues, zona rural de Mariana, em Minas Gerais/ Corpo de Bombeiros/MG – Divulgação

Fontes: Jornal Valor, CBDB

Usina de Itaipu

Líder mundial em produção de energia limpa e renovável, a Usina Hidrelétrica de Itaipu impressiona ao atingir marcas de funcionamento bastante significativas, como a geração recorde de 98,6 milhões de MWh no ano de 2013, valor este batido pela usina Três Gargantas somente no ano seguinte, com uma diferença de apenas 0,2%, mesmo com seus 14.000 MW contra os imponentes 22.400 MW da usina chinesa.

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Firmada em um acordo em 1966, entre Paraguai e Brasil, a usina fornece cerca de 15% da energia consumida brasileira e 75% da paraguaia, utilizando os recursos hídricos do Rio Paraná. Foram gastos cerca de US$ 17,4 bilhões para sua construção, que obteve em sua história, dados numéricos relevantes e até mesmo, espantosos .

Uma vez que o rio precisava ter seu leito secado para a construção da barragem, foi necessário a elaboração de um desvio para o mesmo, com cerca de 150 metros de largura, 2 km de extensão e 90 metros de profundidade. Além disso, apenas para a formação da barragem foram despejados 12,3 milhões de metros cúbicos de concreto, o que para se ter ideia, por exemplo,  em único dia foram lançados 7.207 metros cúbicos, o equivalente a 10 andares por hora. Mais de vinte mil caminhões e aproximadamente sete mil vagões foram utilizados no transporte de materiais, contando ainda com o trabalho de cerca de 40.000 operários no ápice de sua construção.

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Itaipu segue o princípio básico de funcionamento de uma hidrelétrica que busca aproveitar o potencial hidráulico de um rio afim de gerar energia elétrica. Nas mesma, a água que sai do reservatório é conduzida com muita pressão através de enormes tubos até a casa de força, onde estão instaladas as turbinas e os geradores que produzem eletricidade. A turbina é constituída por uma série de pás ligadas a um eixo, o qual é ligado ao gerador.

O movimento giratório do eixo da turbina produzido pela pressão da água, implica na formação de um campo eletromagnético dentro do gerador, produzindo assim, a eletricidade. Ou seja, ocorre a conversão de potência hidráulica em potência mecânica quando a água passa pela turbina, fazendo com que esta gire, e, no gerador, que também gira acoplado mecanicamente à turbina, e só então, a potência mecânica é transformada em potência elétrica.turbina

Em 2004, quando a binacional completou 20 anos de atividade, a mesma já tinha gerado energia suficiente para suprir o mundo por 36 dias, evidenciando, mais uma vez, sua capacidade. Itaipu apresenta 1350 km² de área inundada, da qual, a cada 0,10 km² é gerado 1 MW. O esperado é que o recorde de 2013 seja batido, e cerca de 100 milhões de MWh sejam produzidos.

Fontes: Itaipu.gov        Infoescola

Aterros Estruturados

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Universidade do Colorado em Boulder

Por Luciano Souza Junior

 

Universidade

A Universidade do Colorado teve como pioneiro o campus de Boulder, e hoje conta com mais 3 campi espalhados pelo estado (Colorado Springs, Denver e Anschutz Medical Campus). Sendo pioneiro, o campus de Boulder, é o principal do sistema e conta hoje com 32 mil estudantes e 1100 professores, divididos em 9 unidades e 150 cursos (majors and minors). Localizado próximo da base das Flatirons Mountains, o campus é considerado um dos mais bonitos do país pela natureza exuberante que o cerca e o estilo arquitetônico característico que remete à geologia da região.

VIsta do Campus com as Flatirons Mountains ao fundo

Vista do Campus com as Flatirons Mountains ao fundo

 

Qualidade da Educação

Atualmente a Universidade do Colorado é reconhecida nacionalmente e internacionalmente principalmente pelos seus programas de Engenharia Civil, Ambiental e Aeroespacial, além dos conhecidos programas de Ecologia e Biologia Evolucionária, Geologia e Física. Em questão de ranking, o programa de Engenharia Civil está ranqueado como o 15º melhor do país e está entre os 50 melhores do mundo. O programa de Aeroespacial está entre os 10 melhores do país e já formou mais de 20 astronautas. Além disso, a Universidade conta com 4 agraciados com um Nobel em seu corpo docente

Além de uma excelente estrutura e professores renomados, o apoio que a Universidade oferece ao aluno é excepcional. São diversas feiras de carreiras onde representantes de grandes empresas estão a todo momento em contato com os alunos em busca de novos talentos. Os departamentos se preocupam muito em como os alunos vão se portar em entrevistas e por isso oferecem orientação constante a quem procura ajuda para fatores cruciais na busca de um novo emprego, como por exemplo, confecção de currículos.

Por esse ser um blog de Engenharia Civil, o foco desse artigo será  o curso de Engenharia Civil, destacando um pouco de como o curso é dividido, a estrutura e um pouco sobre as diferenças com o que é visto do Brasil na visão de um aluno de graduação.

O curso de Engenharia Civil

Como dito anteriormente, o Departamento de Engenharia Civil e Ambiental é reconhecido como um dos melhores disponíveis em todo o país. Como todo curso de Graduação em Engenharia Civil, ele é dividido em grandes áreas de concentração, sendo elas: Construction Engineering and Management, Environmental Engineering, Geotechnical Engineering, Structural Engineering e Water Resources Engineering.

O currículo segue o padrão nacional e está certificado pela ABET. Nos 4 primeiros períodos os alunos tem contato com as famosas disciplinas básicas de qualquer engenharia, como cálculo e física, além de contar com disciplinas específicas da Engenharia Civil que vão introduzindo os conceitos básicos de projeto e liderança. A grande diferença para o que é visto no Brasil começa no 3º ano. Os alunos tem 1 ano de disciplinas comuns a qualquer curso de Engenharia Civil, como Análise Estrutural, Mecânica dos Solos, Mecânica dos Fluidos e Hidráulica, e no 4º e ultimo ano, os alunos são livres para escolher dentro de uma lista de matérias eletivas, aquelas que mais os interessem. Podem inclusive escolher matérias de mestrado e doutorado.

A didática também é extremamente diferente. É possível sentir um cuidado maior com o aprendizado onde as notas são apenas uma consequência daquilo que foi aprendido dentro de sala de aula. Normalmente, grande parte das notas de qualquer disciplina é dividida entre tarefas e projetos. Para disciplinas mais avançadas, a parte destinada a tarefas pode chegas aos 60% da nota final. Uma frase que é consenso entre os intercambistas brasileiros aqui é: “ No Brasil você começa o semestre reprovado e tem que batalhar até o final para conseguir a aprovação. Aqui você começa com 100 e tem que aprender para se manter com a mesma nota”.

Para finalizar, a estrutura que o departamento oferece é, sem dúvida nenhuma, magnífica. Os laboratórios de ensino do Brasil não devem em nada ao que se vê por aqui . Os laboratórios de pesquisa, porém, são de uma qualidade impressionante e são muitos espalhados na ala destinada ao departamento. Os alunos de pós-graduação, que em sua maioria são internacionais, tem a sua disposição equipamentos de primeira linha (incluindo um supercomputador somente para simulações computacionais) e contam com muita verba para desenvolver sua pesquisa.

Faculdade de Engenharia

Faculdade de Engenharia

 

Adaptação

Entrando um pouco mais no lado pessoal, a adaptação é quase um pré-requisito para o sucesso acadêmico em uma experiência de intercâmbio. Mas tudo é mais fácil quando você se muda para uma cidade tão incrível como Boulder. São muitos os benefícios de se morar em Boulder. Começando com o clima de cidade pequena, mas muito próxima de uma capital de estado. Tradicionalmente conhecida como liberal, a cidade de Boulder é reduto de atletas, artistas e “entusiastas da sustentabilidade” e tem várias opções de lazer ao ar livre.

O custo de vida é um pouco alto em comparação a outras cidades do mesmo porte e isso se deve a uma recente onda migratória de pessoas de classe alta que viram na cidade perfeitas condições para  viver com qualidade de vida e com as comodidades que a vida urbana pode oferecer. São diversos os supermercados de comida orgânica, restaurantes com comidas de todos os lugares do mundo, cinemas com filmes independentes, galerias de arte e museus. A população em si é muito aberta a pessoas do mundo inteiro e sempre se mostram dispostas a ajudar.

Pearl Street Mall - um dos principais pontos turisticos da cidade

Pearl Street Mall – um dos principais pontos turísticos da cidade

 

Conclusão

Após ler o texto, improvável alguém não ter se convencido a mudar para Boulder o mais rápido possível. A qualidade de vida que a estrutura da cidade e da universidade oferecem, não se equipara a  vida em cidade grande. Estudar em Boulder é certeza de uma experiência acadêmica incrível e o desejo de voltar começa antes de mesmo de ir embora.

Centrifuga Geotécnica onde estou tendo a oportunidade de trabalhar

Centrifuga Geotécnica onde estou tendo a oportunidade de trabalhar