Como elaborar Laudos Técnicos de Inspeções Prediais

Após a ocorrência de inúmeros acidentes em edificações, seja por falta de manutenção, obras sem acompanhamento técnico e/ou ausências de vistorias periódicas, várias cidades já apresentam em suas legislações a obrigatoriedade de realizar, de tempos em tempos, uma Inspeção Predial denominada Laudo Técnico, a ser elaborado por um profissional capacitado.

 

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Figura 01: Desabamento de dois edifícios no centro da cidade do Rio de Janeiro. De acordo com a polícia que investigou o caso, o que provocou o desabamento foi uma reforma mal executada.

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Figura 02: Acidente no Edifício Senador Derla Cardoso na cidade de São Bernardo do Campo – De acordo com laudo técnico, o acidente foi provocado por falha na impermeabilização da cobertura.

 

A elaboração de um laudo técnico exige do profissional muita propriedade no que ele observa, analisa e descreve. A observação deve ser crítica e sucinta para que não passe despercebido algum ponto de relevância. Para respaldar as análises, muitas vezes se faz necessário o emprego de ensaios tecnológicos, algo que o perito deve orientar e interpretar.

Além disso, soluções para os problemas encontrados necessitam serem relatadas considerando a segurança das construções e dos usuários, a qualidade dos procedimentos, o emprego de materiais adequados e a economia para o cliente, indicando o melhor custo benefício para o mesmo. Visto a responsabilidade deste profissional, é de suma importância que eles estejam sempre atualizados com as técnicas aplicadas, materiais e equipamentos utilizados no mercado, e com as normas e leis que regulamentam este trabalho.

 

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Figura 03: Modelo de Laudo Estrutural – DISA Engenharia & Consultoria.

 

A NBR 13752 – Perícias de Engenharia na Construção Civil é o documento que regulamenta as inspeções nas edificações. O objetivo da norma é orientar ao perito quais são as diretrizes, conceitos, critérios e procedimentos para a elaboração do parecer técnico. Neste sentido, o profissional que elabora o laudo tem por obrigação transcrever um relatório claro e objetivo, a partir dos pontos observados e de sua finalidade proposta.

 

Componentes para a elaboração de um Laudo Técnico:

INTRODUÇÃO

– Descrição da construção indicando suas características construtivas, idade, endereço, grau de agressividade do local onde ele se encontra, além de informações relevantes identificadas pelo perito;

– Classificação do objeto da inspeção;

– Croqui de situação.

– Data

DESENVOLVIMENTO

– Determinação e descrição dos eventuais danos, sinistros, anomalias, pontos relevantes, classificação de grau de risco, urgência de reparo;

– Determinação do padrão construtivo;

– Determinação do estado de conservação geral.

CONCLUSÃO

– Resultados de análises;

– Recomendações;

– Relação de documentos consultados;

– Medidas preventivas e corretivas;

– Assinatura do responsável técnico, número de registro, data e local.

ANEXOS

– Fotografias em número adequado demonstrando as condições da construção;

– Cópia da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART);

– Plantas, croquis, e outros documentos relevantes.

 

O profissional que interessa por esta área tem a possibilidade de fazer cursos de perícias e laudos, oferecidos por diversas universidades e escolas de cursos. É importante verificar a instituição e sua idoneidade, ementa do curso e o professor que irá lecionar, antes de iniciar sua especialização.

A remuneração deste profissional varia conforme a região, características da construção como área, dificuldade de acessos, insalubridade, complexidade e a experiência do profissional. De acordo com o Instituto Mineiro de Engenharia Civil a hora técnica custa em média R$220,00, acrescidos os gastos indiretos na elaboração do laudo.

Apesar de já existirem leis e normas que obrigam as inspeções prediais, ainda existe um desafio muito grande de conscientização. Os proprietários de imóveis, síndicos e zeladores precisam ter ciência de que as construções não são eternas, e que cuidados, manutenções e avaliações são tão importantes quanto os cuidados que necessitamos ter com nossa saúde.

 

COM VOCÊS, O ESCRITOR. NOSSO QUERIDO PETIANO RAIZ:

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Renato Santos,

Engenheiro Civil, especialista em Engenharia Econômica e consultor em Recuperação de Estruturas. Diretor da DISA Engenharia e Consultoria.

 

 

 

Fontes:

CREA-BA – Norma de procedimentos para elaboração de Laudos de Inspeções Prediais

NBR 13752 – Perícias de Engenharia na Construção Civil

Modelo de Laudo Técnico – DISA Soluções de Engenharia e Consultoria

IMEC – O portal do engenheiro

G1 – Queda de prédio no centro do Rio

 

 

 

 

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O que esperar de um mestrado acadêmico na Engenharia?

Formamos. “E agora?”

Na colação de grau, quando um parente disse à minha amiga: “Parabéns, você é uma engenheira!”, a resposta foi: “engenheira não, eu sou é desempregada…” [sorrisos amarelos]

Infelizmente, essa é a realidade de grande parte dos jovens brasileiros atualmente. Na falta de alternativas, eles passam a considerar uma opção que até então não parecia atrativa: dar prosseguimento ao que eles sabem fazer – estudar – ingressando em um mestrado acadêmico de 2 anos.

A bolsa não é de todo ruim: R$1.500 para quem tinha perspectiva de R$0, é algo. Em algumas cidades, esse valor cobre razoavelmente o custo de vida, mas não sobra nada no fim do mês, é fato. Por outro lado, se você considerar que vários empregos iniciais estão nessa faixa de salário, R$1500 para investir na sua própria qualificação, com direito a carteirinha de estudante por mais alguns anos, começa a tornar o cenário positivo.

Para concorrer seriamente à bolsa, são 2 os principais quesitos objetivos avaliados por uma banca de seleção: participação em projetos de pesquisa durante a graduação (se tiver publicação, você tem grandes chances de passar na frente) e ter um bom Coeficiente de Rendimento (a média das notas da graduação). Inglês avançado é desejável, e as cartas de recomendação são um quesito subjetivo importante, podendo ser utilizadas em caso de desempate.

Se você tem interesse de seguir nessa área, comece a providenciar estes itens o quanto antes, pois eles levam tempo. E a cada ano, com as vagas no mercado cada vez mais limitadas, cresce a concorrência para o mestrado.

Então, de posse do seu Currículo Lattes, que você floreou o quanto deu, você se inscreveu, passou, parabéns!

Assim, no início você cai no que eu chamo de graduação parte II – sala de aula, disciplinas, provas, tudo aquilo que já tivemos o suficiente. Mas as expectativas são altas: você espera avaliação de casos reais, projetos, desafios empresariais. E aí entra a frustração: quase todas as disciplinas são teóricas. Em geral, o que se vê é um aprofundamento dos conceitos vistos na graduação.

Fato #1: mestrado acadêmico não é uma qualificação direta para o mercado.

Esses conceitos são então aplicados em projetos de pesquisa, desenvolvendo aspectos bem especializados de problemas de engenharia. Em uma analogia com a engenharia civil: você não vai dimensionar uma viga – você vai desenvolver um processo para calcular essa viga melhor do que as ferramentas atuais (ex. mais rápido, mais realista, mais otimizado…).

Para isso, são necessários meses de estudo dos processos atualmente utilizados, das propriedades da viga, do comportamento mecânico do modelo adotado, o desenvolvimento de um algoritmo de cálculo compatível com os métodos atualmente utilizados, o teste da sua ferramenta, a correção de erros e então… ufa – está pronto o seu projeto.

Fato #2: o mestrado te ensina a gerenciar projetos e solucionar problemas como ninguém (individualmente).

A sua bolsa – logo, o seu tempo de realização do projeto – é limitada. Você tem 24 meses para entender praticamente tudo sobre um assunto, desenvolver as diversas etapas do projeto, corrigir erros, começar de novo, elaborar uma dissertação e apresentá-la para profissionais que entendem tanto ou mais do que você sobre o seu trabalho, e que vão julgá-lo rigorosamente.

No fim dessa etapa, [espera-se] você tem amplo domínio de uma área relevante da engenharia, conhece seu ritmo de trabalho e estudo, foi capaz de planejar as etapas de seu projeto e realizá-lo dentro do prazo, e finalmente, passou pelo crivo de profissionais qualificados.

 

Fato #3: fazer o mestrado acadêmico não quer dizer que você necessariamente deva seguir pela área acadêmica.

Após o mestrado, você será um profissional mais maduro e consciente de suas próprias habilidades, bem como das ferramentas disponíveis na resolução de problemas. Essa é uma das razões pelas quais as empresas brasileiras estão gradualmente passando a valorizar profissionais com mestrado (porque as estrangeiras já o fazem há décadas). Embora o doutorado na área de tecnologia seja outra história por enquanto…

Na área acadêmica, eu gosto de pensar que nós resolvemos os problemas do mundo: otimização de recursos, reuso de rejeitos, desenvolvimento de novas tecnologias, melhor compreensão de mecanismos… enquanto boa parte do setor privado está ocupadíssima em causar estes problemas.

Após trabalhar em empresas privadas, na qual meu suor não era valorizado e certamente não se convertia em ganho financeiro [para mim], eu optei pela carreira acadêmica. Deixei de lado uma proposta de emprego e os processos seletivos para trainee e me preparei para encarar sala de aula, muita leitura e baterias de ensaios experimentais.

Antes de tomar essa decisão, me informei bem sobre o assunto com professores de confiança, e já sabia o que me esperava: mais 6 anos de estudo ganhando bolsas, aprender e dar aulas até o fim da vida, salários inferiores ao de colegas no mercado, todos os entraves do serviço público… não ter chefes no seu cangote, pesquisar dentro dos temas que você gosta, mudar de área quando bem entender, desenvolver tecnologias para seu país e, por fim, [contribuir para] salvar o mundo.

 

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Espero que esse artigo ajude na sua decisão também. É muito triste ver colegas que estão no mestrado porque “não tinham outra opção”, ou chegam aqui esperando aprender ferramentas de mercado e dão de cara com equações, algoritmos e provas. Mas por experiência própria: isso passa logo, e a realização de ver o seu projeto tomando forma não-tem-igual.

Com planejamento e metas, é possível realizar um projeto de qualidade, fazer contatos, e ser valorizado tanto pelo mercado quanto pelo meio acadêmico. Essa é a carreira que eu decidi seguir. Reflita bem se esse é o seu perfil e, se estiver preparado, bem-vindo ao clube!

 

COM VOCÊS, A ESCRITORA. NOSSA QUERIDA PETIANA RAIZ:

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Júlia Castro Mendes,

Pesquisadora, professora e doutoranda em Engenharia Civil.

Na jornada para salvar o mundo, gosto de escrever sobre desenvolvimento pessoal para jovens profissionais.

Esse post foi originalmente publicado no meu LinkedIn.

IV Concurso de Pontes de Papel das Escolas Públicas

Mais uma edição do Concurso de Pontes nas Escolas Públicas foi concluída! Como era de se esperar, a bagagem de experiências do grupo PET Civil UFJF ficou ainda mais cheia. Mas, o que não se esperava era o total envolvimento da comunidade da Zona Norte, que abrilhantou o concurso. Mais uma vez, a realização do concurso se deu pela parceria com a empresa ArcelorMittal e o Centro de Ciências da Universidade Federal de Juiz de Fora.

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Participantes no Centro de Ciências após o 1º dia de montagem

Participaram dessa edição 11 equipes de escolas municipais da zona norte e uma da zona rural de Juiz de Fora. Cada equipe era composta por 6 alunos de 9º ano do ensino fundamental. As escolas municipais participantes foram: Álvaro Lins (São Judas Tadeu); Engenheiro André Rebouças (Milho Branco); Antônio Carlos Fagundes (Francisco Bernardino); Professora Áurea Nardelli (Vila Esperança); Carlos Augusto de Assis (Barreira do Triunfo); Carlos Drummond de Andrade (Nova Era); Cecília Meireles (Nova Era); Gilberto de Alencar (Náutico); Henrique José de Souza (Cidade do Sol); Jerônimo Vieira Tavares (Dias Tavares); Núbia Pereira de Magalhães (Santa Cruz); Padre Wilson (Igrejinha).

O Concurso teve início com a ida dos petianos até as escolas, onde foram criadas as equipes de 6 integrantes. Cada equipe contava com um líder, para o qual foram passadas todas as instruções quanto a montagem das pontes. A montagem foi feita nos dias 06 e 07 de junho, no recém-inaugurado Centro de Ciências da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Os alunos contaram com a supervisão dos integrantes do PET Civil para a confecção das pontes. No dia 10 de junho, ocorreu a cerimônia de ruptura das pontes, na praça CEU, em Benfica. A equipe vencedora seria aquela cuja a ponte aguentasse o maior peso.

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Pontes das equipes participantes

Muitos alunos que estavam participando da montagem nunca haviam ido à UFJF, nem haviam participado de eventos fora de suas respectivas escolas. O semblante de muitos deles era de admiração e orgulho no trabalho que estavam desenvolvendo. Atividades como essas mostram para o grupo PET Civil a importância de atuar além dos portões da universidade.

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Cerimônia de Ruptura, Praça CEU

A cerimônia foi marcada por muita expectativa e emoção por parte de todos os presentes. Muitos alunos, familiares, professores e diretores acompanharam a última fase do concurso, que contou com sorteios, além do conhecimento dos vencedores do concurso. Estiveram presentes, também, os representantes da empresa ArcelorMittal, do Centro de Ciências da UFJF, da Secretaria Municipal de Educação e da Praça CEU.

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Representantes dos patrocinadores do evento com o tutor do PET Civil

Ao ser chamada para a ruptura de sua ponte, cada equipe passava por momentos de muita tensão, torcendo para que a ponte aguentasse o máximo possível. Os participantes chegaram a ficar de mãos dadas, outros rezaram e outros nem queriam ver. Era muita emoção!

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Equipe apreensiva na ruptura da ponte

As equipes vencedoras do concurso foram:

  1. Padre Wilson (Igrejinha) – 6,108 kg;
  2. Carlos Augusto de Assis (Barreira do Triunfo) – 6,048 kg;
  3. Carlos Drummond de Andrade (Nova Era) – 5,752 kg.

O trabalho foi bem aceito por toda a comunidade, e a repercussão foi grande em toda a cidade. Várias matérias foram feitas por jornais da cidade:

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Selfie com os participantes e organizadores do Concurso