A arte urbana de Kobra

Eduardo Kobra, paulistano de 41 anos de idade, iniciou sua carreira nas ruas da periferia de São Paulo em 1987 como pichador artístico. Ao longo dos anos, à medida que seu talento e viés social eram reconhecidos, passou a ser considerado muralista. Sua arte reflete a cultura de onde está inserida e passa mensagens de respeito e tolerância.

O muralista faz uso de diferentes recursos, dependendo do tipo de obra que pretende criar. O minimalismo geométrico colorido para criar faces e cenas é uma das mais conhecidas e aclamadas pelos fãs; a riqueza dos traços e cuidado na seleção dos elementos são o que tornam o grafite tão especial. Outra modalidade praticada por Kobra é a pintura em 3D, por meio de jogos de luz e sombra, ele consegue criar uma poderosa ilusão de ótica que deixa o público de queixo caído; geralmente executadas no chão, essas pinturas permitem uma interação fantástica.

Em 2011, foi premiado no Sarasota Chalk Festival, o maior festival de arte tridimensional do planeta. Desde essa época em que seu traço começou a ser reconhecido mundo a fora é praticamente impossível você não ter visto nenhuma de suas obras, seja na internet ou nas ruas mesmo. Kobra ganhou reconhecimento nacional e seus trabalhos estão espalhados por todo o Brasil em lugares marcantes e com homenagens e mensagens sensacionais. Aos poucos, seu talento chegou ao ouvido de pessoas do exterior e ele, desde então, faz trabalhos internacionais em países como Inglaterra, França, Itália, Suécia, Polônia e Estados Unidos.

No Brasil, estas são umas de suas obras mais aclamadas, estando nesse hall o painel “Etnias” do boulevard olímpico do Rio 2016 , considerado o maior mural já feito até então. Durante setenta dias de trabalho, foram gastos 1890 litros de tinta branca para regularizar a base e 2800 latas de spray.

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Suas obras ao redor do mundo reproduzem momentos históricos, homenageiam figuras públicas e mandam mensagens contra o ódio e a violência. Incorporadas às cidades, são parte viva do turismo e é impossível passar perto de um mural sem se encantar e tirar uma foto.

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O trabalho de Eduardo continua a crescer, tomando proporções astronômicas e deixando todos boquiabertos e reflexivos sobre a realidade ao redor de todo o mundo.

Fontes:

Eduardo Kobra

Dionisio Arte

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Mantas de Concreto

Uma empresa britânica durante a guerra do Afeganistão estudou alternativas para a construção de abrigos para suas tropas militares, nesse contexto surgiu a ideia da utilização de mantas de concreto para esse fim. As mantas são como um tecido flexível protegido com policloreto de polivinila ou PVC, coberto com concreto a seco quimicamente resistente, possibilitando uma moldagem fácil após a hidratação do material de acordo com a necessidade.1-e-9

O produto atualmente passou a ser utilizados em diversos países graças as suas qualidades como versatilidade, simplicidade, além de ser um ótimo isolante térmico, resistente ao fogo e ataques climáticos agressivos. A durabilidade do material é garantida pela suas fibras de polipropileno, evitando rachaduras e proporcionando uma vida útil de aproximadamente 50 anos.15-1

Outro ponto positivo é forma em que o material é comercializado, disponível em rolos pequenos ou grandes, que permitem facilidade no carregamento, transporte e uso. O produto pode ser comprado em diversas medidas de largura e comprimento, proporcionando flexibilidade de acordo com a necessidade do cliente, entretanto somente é vendido na cor natural do cimento, podendo ser pintado com tinta comum.

A instalação da manta é muito fácil, não exige tarefas de grande complexidade, escavações ou remoções de materiais, o que contribui na redução do desperdício e tempo demandado para a sua aplicação. Além disso, em relação a outros métodos construtivos tem se mostrado mais sustentável, por reduzir a quantidade de resíduos gerados e emissão de carbono na natureza.

O material vem sendo empregado com revestimento e impermeabilização em locais de difícil acesso com taludes, encostas de morros e até mesmo em erosões em praias. Pode ser usado para proteger paredes de minas, barreiras, gabiões, trincheiras e fossos. Outra aplicação é em estruturas de saneamento como sarjetas, diques, aquedutos ou até mesmo em locais em que escoem água contaminada com produtos químicos.

A manta de concreto pode ser posicionada em qualquer local, pois ele se adapta a forma do fundo no qual ele foi aplicado. Em seguida, deve ser umedecido com água para que endureça em torno de 24 horas e proceda-se com a cura do concreto nos próximos dois dias e a resistência chegue a 40Mpa. A junção entre as camadas pode ser feita com grampos, adesivos selantes, argamassa de concreto ou algum outro método mecânico viável.

Sendo assim, a tecnologia tem se mostrado bastante útil em obras e pode ser uma alternativa interessante para soluções de problemas de engenharia.

fonte: BDE

“The Antwerp Port House”: a nova sede do porto de Antuérpia

O porto de Antuérpia tem 12 km de cais e é o segundo maior porto de embarque da Europa. Tal empreendimento emprega, indiretamente, 150.000 servidores e, por isso, possui grandes metas de expansão para atender o crescimento e desenvolvimento do continente europeu.

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No ano de 2007, após perceberem que os escritórios antigos do porto estavam se tornando pequenos, determinou-se a necessidade de uma realocação. Isso permitiria que tanto os serviços técnicos, quantos os administrativos fossem alojados em conjunto, garantindo que os 500 funcionários trabalhassem em um mesmo local. Para isso, foi realizado um concurso de arquitetura que propunha a construção de um porto com ambiente de trabalho sustentável, capaz de perdurar pelas futuras gerações de empregados e que o edifício original do terreno escolhido fosse preservado. Assim, a antiga estação de bombeiros que ali residia deveria ser integrada ao projeto.

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O escritório de arquitetura de Zaha Hadid, a primeira mulher a ganhar o prêmio Pritzker, foi o vencedor do concurso. O mais impressionante do projeto são as fachadas do edifício, já que não existe uma fachada principal. Por ser cercado por água, a superfície envidraçada e ondulada das fachadas são capazes de refletir as cores do céu da cidade de Antuérpia.

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Como a proa de um navio, a nova extensão aponta para o rio Scheldt, conectando o edifício com o rio onde Antuérpia foi fundada.

As facetas triangulares, sendo algumas transparentes e outras opacas, são responsáveis por garantir luz solar suficiente para o ambiente de trabalho do porto. Além disso, a implantação desse novo volume cria uma percepção de um diamante que “flutua” acima da antiga estação, já que Antuérpia é conhecida como “a cidade dos diamantes”.

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A área de recepção do novo porto ficou alocada no pátio central da antiga estação, a qual foi fechada por um telhado de vidro. A partir dela é possível ter acesso à sala de leitura pública e à biblioteca. Os elevadores são panorâmicos e permitem o acesso à nova extensão do empreendimento, com uma vista panorâmica do porto e da cidade.

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O uso de estratégias eficazes durante cada fase da construção foi a vantagem que esse projeto teve frente à integração com o edifício histórico protegido, o qual deveria fazer parte do novo empreendimento que adotaria elevados padrões de design sustentável.

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Devido às referências ao rio Scheldt, a cidade de Antuérpia e a dinâmica do seu porto, juntamente com essa renovação de sucesso e a reutilização de uma estação de bombeiros abandonada, a nova sede do porto funcionará por meio desta expansão planejada ao longo das próximas gerações.

Palavras-chave: Porto, Zaha Hadid.

Desdobramentos sobre o desastre de Mariana

Há exatos 1 anos, 5 meses e 5 dias, acontecia o maior desastre ambiental da história do país e um dos piores a serem registrados pela humanidade. Tal acontecimento já foi tema de um post do blog, onde se é possível ter ideia da dimensão da catástrofe vivenciada pelos moradores do pequeno distrito de Bento Rodrigues e que trouxe uma realidade turva para os moradores do leito do Rio Doce e preocupações a toda população do país.

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Carros e destroços de casas em meio a lama, em Bento Rodrigues (foto: Christophe Simon/AFP)

Barragens são complexas em todas as premissas que um projeto de engenharia possa apresentar. São obras caras, de alta complexidade e com demasiado impacto socioambiental. Sendo assim, é de se esperar que sejam obras de altíssimo risco associado. Estima-se que 1 em cada 10.000 barragens sofrerá um acidente com ruptura por ano. Exige-se um controle estrito no projeto, construção e controle. O que, obviamente, não foi observado na barragem do Fundão.

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Após longas investigações, constatou-se que houve inúmeras falhas por parte da responsável pela barragem, a Samarco S.A, que vão desde a etapa de construção até a parte de monitoramento. Relatórios comprovaram que a companhia tentou explorar ao máximo a capacidade da barragem, mesmo que evidências claras indicassem o contrário.

Consultores contratados atribuem a falha da barragem a uma sucessão de eventos:

  • 2010 : Instalação de tapete drenante: ampliou-se a capacidade de saturação das paredes, levando a um maior potencial de falha por liquefação;
  • 2011-2012 : Lama chegou a lugares onde não era esperada
  • 2012: Galeria de concreto é considerada incapaz de suportar as cargas as quais estava submetida, o que impedia o alteamento das paredes da barragem
  • 2013: Durante o processo de alteamento, nota-se presença de agua no recuo da ombreira
  • 2014: Tapete Drenante se apresentava em sua capacidade máxima

Soma-se a tudo isso, um sucessão de pequeno abalos sísmicos, que podem ter acelerado o processo de liquefação da barragem, que já era considerado avançado.

Infelizmente, esse não foi o primeiro, e nem será o último, acidente envolvendo barragens em nosso país. São muitos os manuais, artigos e livros sobre o assunto, o que descarta incapacidade técnica por parte da Engenharia Civil brasileira. Espera-se que esse acidente tenha servido de lição e que outros responsáveis técnicos por barragens tenham aprendido sobre a importância de todos as etapas, sempre colocando segurança em primeiro lugar.

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Área afetada pelo rompimento de barragem no distrito de Bento Rodrigues, zona rural de Mariana, em Minas Gerais/ Corpo de Bombeiros/MG – Divulgação

Fontes: Jornal Valor, CBDB