Criatividade e ousadia nos canteiros de obra: solução para o presente.

A construção civil, contribuindo com 10% do PIB nacional, é um setor da economia que utiliza muitos recursos naturais. Com uma mão de obra de mais de 2,5 milhões de pessoas, segundo o IBGE, o setor tem um impacto muito grande sobre a natureza, devendo, pois, garantir a recarga de todos os elementos dos quais se utiliza.

Ideias criativas e ousadas vêm sendo adotadas nos mais diversos empreendimentos do país. Construtores, engenheiros e arquitetos vêm cada vez mais adotando medidas para que os canteiros se livrem das cinzas do concreto, do ar poluído, dos reservatórios vazios e da água suja. As obras mais modernas buscam uma integração com a natureza e a comunidade, reduzindo danos, além da reutilização de recursos e materiais.

Essa nova mentalidade está se firmando no mundo construtivo, já que essas ações não oneram as construtoras e nem encarecem os imóveis. Com isso, várias medidas vêm sendo utilizadas, dentre as quais citam-se: construção a solo seco, reutilização de água, reciclagem de entulhos, implantação de telhados e fachadas verdes e o uso de fontes de energia renováveis. Levi Torres, coordenador da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon), afirma “Hoje, já absorvemos 20% dos entulhos nas obras em novas construções, mas, segundo a lei, pode ser até de 30% para projetos que não sejam estruturais. Ainda faltam uma mudança cultural e políticas de incentivo. Falta também conhecimento dos processos”.

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Figura 1 – RCD no Brasil

Muitas pessoas não imaginam, mas o ar é um dos elementos que mais sofre com os processos construtivos. Estudos estimam que 70% das emissões de CO2 nas áreas urbanas são geradas pela construção civil. Contudo, não é difícil diminuir esses dados, pelo contrário, medidas simples e que não ultrapassam 0,02% do valor total de uma obra já estão sendo empregados. As diversas possibilidades adotadas por construtoras são a criação de centrais de cortes de material, que evitam desperdícios e sujeira; a lavagem das rodas dos caminhões na saída dos canteiros, além de telhados e paredes verdes, que melhoram a qualidade do ar pós-construção.

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Figura 2 – Central de corte de material e uso do telhado verde

A água é outro elemento que merece total atenção nos canteiros de obra e também ao término do empreendimento. Algumas práticas já estão sendo adotadas no Brasil no sentido de usar a água captada pelas chuvas nas descargas, ou ainda, a água da lavagem das mãos vai para a limpeza do mictório. Essas atitudes reduzem em até 65% os gastos desse bem nos canteiros e nos prédios prontos, além de diminuir a conta de água para os moradores ou lojistas. Como exemplo de criatividade, o Grand Tower Shopping, em Recife, que está em construção, a água que é utilizada nos banhos é reaproveitada para molhar as lajes da obra.

Ao término da construção, algumas medidas também devem ser tomadas, como instalação de estação de tratamento de efluentes; reúso de água em bacias sanitárias, mictórios, lavagem de materiais; captação e reaproveitamento da água da chuva; uso de equipamentos de baixa vazão de água; educação ambiental com todos os colaboradores e monitoramento do consumo de água de reúso.

As fontes energéticas nas construções também são um desafio para os engenheiros e arquitetos. Obviamente, o uso de fontes renováveis são a melhor opção, mas somente a longo prazo, já que é muito caro sua aquisição e implantação. Nesse sentido, a busca pelo equilíbrio das contas ainda não foi atingida, mas medidas simples ajudam. São elas, utilização do vidro de alta performance, que barram os raios ultravioletas e geram uma economia de ar e de iluminação, sensores de energia em áreas comuns, uso de telhas translúcidas e instalação de placas elétricas, que reduzem em mais de 30% os gastos de energia elétrica nos edifícios urbanos. Além disso, a conscientização de funcionários é bastante pertinente.

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Figura 3 – Uso de paineis solares para geração de energia

A disponibilidade de terra é um dos elementos que movem a engenharia. Sendo cada vez mais escassa, a otimização do uso desse recurso é imprescindível e novos materiais estão começando a ser utilizados no Brasil. Com a motivação de ganho de área e diminuição de resíduos, o Light Steel Frame (LSF) está ganhando força no mercado brasileiro. Muitos países, como o Estados Unidos, já apresentam o uso do LSF como principal material de construção. A tendência é que, no Brasil, este material seja cada vez mais utilizado, em substituição ao concreto armado. As vantagens do LSF são: menor geração de resíduo sólido, menor necessidade de cargas, menor espaço, menos caminhões carregando material, menor peso sobre o solo. Além disso, ele proporciona mais ar puro, mais área interna, mais velocidade, mais produtividade e mais interesse social.

Analisando todos os problemas gerados pela construção civil, pode-se inferir que é possível encontrar soluções. De fato, tratando-se de engenharia, sempre ou quase sempre se encontra alternativas. Além disso, engenheiros e arquitetos devem se unir a fim de pressionar os governantes à criação de políticas de incentivo. Outra solução fundamental e não menos importante é o planejamento da obra como um todo, ou seja, deve-se haver uma mudança de pensamento e os construtores devem passar a maior parte do tempo elaborando ao invés de gastar a maior parte do tempo construindo. Dessa forma, um uso muito mais racional de tempo, dinheiro, recursos e espaço será alcançado pelas empreiteiras. Além disso, o meio ambiente agradece.

Construção sem cinzaABRECONEnergia

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