Solucionando as vibrações entre edifícios

Profissionais do ramo de engenharia necessitam da capacidade de solucionar problemas. E rapidamente. São prazos e normas para cumprir, clientes para atender e inúmeras variáveis aparecem num canteiro de obras. É preciso competência para escolher a melhor forma de contornar a situação a fim de que a mesma possa ser desenvolvida e resulte em algo positivo.

E hoje apresentaremos soluções para um tipo de obra específico, no que tange ao problema das vibrações. Trata-se da obra do Laboratório de Bionanomanufatura do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo).

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Edifícios do IPT – Laboratórios de nanotecnologia

 

A construção se deu dentro do campus do IPT, na cidade de São Paulo, e teria que “conviver” com o impacto das vibrações de veículos pesados que transitam, com frequência, do lado externo do edifício, além daquelas produzidas pelos equipamentos a serem instalados dentro do mesmo. Deve-se levar em conta a sensibilidade do laboratório de nanotecnologia a ser instalado.

Segundo o arquiteto Gustavo Partezani, que participou do projeto, “As áreas destinadas aos laboratórios deveriam possuir também uma grande capacidade de acomodação de máquinas como reatores, compressores, transformadores, condicionadores de salas limpas, entre vários outros que produzem vibrações e poluição sonora. Tudo o que um laboratorista de nanotecnologia menos deseja em suas pesquisas.”.

PROBLEMAS ENFRENTADOS E SOLUÇÕES APRESENTADAS

 

SOLO

O solo superficial existente no local era composto por argila orgânica de baixa resistência, o que exigiu alteração no perfil natural do terreno para implantação do projeto. Por conta disso, esse solo precisou ser removido para ser substituído por um com maior capacidade de suporte e compactação. Vale ressaltar que todo o material removido foi depositado em aterro.

Serviços executados: Corte e aterro compactado, demolição de edifícios existentes e reforço de base de solo em rachão. Além disso, também foram necessários muros de contenção e paredes-diafragma a fim de conter o terreno em alguns desníveis de projeto.

 

PARTE ESTRUTURAL

Com o intuito de minimizar os possíveis erros e garantir a boa funcionalidade do edifício, foram realizadas várias sondagens e contratada uma consultoria de solos para estudo do local e dos métodos adequados.

Fundação escolhida: Fundações do tipo profundas em estacas escavadas de hélice contínua e profundidade média de 12m.

Tal solução foi utilizada em toda a estrutura do prédio: 402 estacas ao todo, sendo algumas de reforço. Vale complementar que o dimensionamento das mesmas varia em função das cargas a serem sustentadas em cada parte da edificação.

Também foram empregados blocos de fundação com cálices para receber os pilares pré-fabricados, fixados com granute. Os pilares concretados, que estruturam o prédio principal, tornas as estruturas independentes e impedem a transmissão de vibrações entre elas.

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Estrutura de concreto pré-fabricada e piso de laje alveolar.

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Blocos de fundação com pilares concretados.

 

AMBIENTES ISOLADOS

 

AUDITÓRIO

No projeto, o corpo do edifício foi dividido em dois grandes blocos, um destinado aos laboratórios de pesquisa e outro para salas de reuniões e dos pesquisadores. Além disso, foi necessária a implantação de um auditório destinado a conferências e eventos do tipo.

O mesmo foi construído entre os blocos principais, para que os ruídos externos não atrapalhem esse ambiente. Sua estrutura foi isolada, mas o auditório funciona como “piso de comunicação”.

A estrutura foi executada em pré-fabricados de concreto, vigas metálicas e revestimento termoacústico em celulose.

 

CARGA E DESCARGA

Outra edificação criada para amenizar os efeitos das vibrações foi o bloco técnico de instalações e utilidades, onde seria feita a carga e descarga dos suprimentos. Um dos cuidados com esse prédio foi em relação à ligação dele para com o prédio principal.

Essa ligação foi feita com passarelas metálicas, que também auxiliam na função de evitar transmissão de eventuais vibrações aos equipamentos dos laboratórios. Assim, elimina-se a possibilidade de haver quaisquer objetos entre os prédios, no espaço de 1,45m que os separam.

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Ligação entre os edifícios.

 

SISTEMAS DE VEDAÇÃO

O corpo principal do edifício foi todo coberto por um “caixilho” de vidro para filtrar a radiação solar. A cobertura foi recoberta por telhas termoacústicas.

No bloco de utilidades, a cobertura foi executada em laje de concreto impermeabilizada e fechada por uma “pele em concreto”.

 

 

 

FONTE:

Escrevemos nosso texto com base matéria “À prova de vibrações” publicada pela revista “téchne – a revista do engenheiro civil”, edição 189, ano 20 de dezembro de 2012. (Assunto interessante que decidimos compartilhar aqui!)

Confira mais detalhes na versão online: Sem vibrações

 

 

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