A técnica se incorporou à arte – Edifício MASP

Iremos apresentar mais uma curiosidade construtiva. Ao invés de apreciarmos, em detalhes, exposições de um museu de arte e centro cultural, ícone no Brasil e no mundo, a ideia é trazermos uma visão externa de um edifício cartão-postal da cidade de São Paulo. Temos, então, a obra do MASP – Museu de Arte de São Paulo.

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Edifício MASP.

A CONCEPÇÃO DO PROJETO

O museu havia sido fundado em 1947, com idealização de Assis Chateaubriand, empresário e jornalista, e Pietro Maria Bardi, jornalista e crítico de arte italiano. Ainda sem instalação própria, a nova sede foi projetada pela arquiteta e design italiana Lina Bo Bardi, esposa de Pietro, a pedido de Chateaubriand.

As obras iniciaram em 1960 e foram concluídas em 1968. Foram 12 anos entre projeto e execução. Mesmo sendo considerado um dos edifícios mais originais da arquitetura brasileira contemporânea, interessante notar que o famoso vão livre de 74m de extensão foi adotado a fim de cumprir uma exigência municipal.

 

O terreno onde se construiu o museu foi doado à prefeitura de São Paulo pelo engenheiro Joaquim Eugênio de Lima, precursor do urbanismo no Brasil, e tinha vista e localização privilegiadas. A beleza desse “mirante” deveria ser, então, preservada.

Como forma de contornar essa situação e garantir a exigência, Lina projetou o prédio suspenso sobre quatro colunas, sendo essas ligadas por duas enormes vigas de concreto que atravessam toda a extensão do edifício. Foi considerado o maior vão livre do mundo, em sua época.

Alguns anos depois, a arquiteta descreve sua concepção: “Nada de colunas, setenta metros de luz, oito metros de pé direito.”.

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Ficha técnica da construção.

O engenheiro Figueiredo Ferraz, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e também na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da mesma universidade, foi um dos responsáveis pela execução desse projeto desafiador, tornando o sonho uma realidade. Algumas de suas declarações:

“O projeto estrutural me parecia utópico, era uma concepção fora dos padrões normais, a desafiar os conceitos clássicos de segurança e estabilidade.”, declarou em 1991.

“Mas essa utopia se transformou numa contundente realidade (…) Afinal, o sonho de Lina Bo Bardi se concretizou no concreto que nós erguemos.”.

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Fundos do edifício.

 

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Maquete de um modelo do MASP anterior ao trabalho do engenheiro Ferraz.

 

CARACTERÍSTICAS

 

  • O museu conta com aproximadamente 10 mil metros quadrados de área, 74m de vão livre e é um volume suspenso a 8m de altura;

 

  • As vigas ficaram no sentido paralelo à Avenida Paulista e foram realizadas pelo sistema de concreto protendido. Abaixo, temos a explicação desse conjunto estrutural, segundo o livro “MASP: estrutura, proporção, forma” de Alexandra Silva Cárdenas.

 

“O principal desafio estrutural realizado na parte elevada do edifício são as quatro vigas protendidas – um par sustenta a cobertura e o outro par, que atravessa o interior do edifício (a protensão é feita por só um dos extremos de cada viga), sustenta dois pisos simultaneamente, um piso como apoio normal e o outro piso suspenso por tirantes formados barras de aço. As vigas são tubos ocos de seção retangular, com septos vazados no centro (travamentos internos) a cada 3,5 metros.

As vigas da cobertura, em um dos lados, são simplesmente apoiadas, com vão livre de 74 metros. Elas têm liberdade de movimento horizontal do lado em que os pilares são ocos, e os esperados movimentos são liberados por um pêndulo de quatro metros de altura. Os momentos fletores máximos no centro dos vãos das vigas são de 9 mil tfm, e o concreto utilizado tem resistência média a compressão de 250 kgf/cm 2. Cada viga possui 62 cabos de 36 fios de cinco milímetros cada.”

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Perspectivas: Sistema Construtivo.

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Identificação dos elementos construtivos e materiais utilizados.

  • A cobertura, sustentada pela dupla de vigas protendidas e também por vigas transversais, em concreto armado, tal como descrito anteriormente, é feita por lajes de concreto armado;

 

  • A parte vazia, em decorrência das colunas, constitui a praça seca e o hall de entrada do edifício, onde também são feitas exposições. Ele acaba articulando, de um lado, a Avenida Paulista e, de outro, o túnel da Avenida 9 de Julho;

 

  • As janelas de vidro escuro, em sua parte externa, também cumprem com o objetivo de conservar a vista ao seu redor, refletindo o centro da cidade e a Serra da Cantareira.

 

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CURIOSIDADES

 

As colunas do edifício foram pintadas de vermelho em 1990, como forma de homenagear os 40 anos do museu.

O MASP é tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e pelo Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado.

 

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Museu ao lado da Avenida Paulista e do parque Trianon.

 

 

 

Fontes:

Livro MASP

Construção do edifício

Clássicos da arquitetura

Museu em SP

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