Construções em áreas litorâneas : cuidado redobrado

Devido a sua beleza natural e importância econômica, as áreas litorâneas são muito visadas pela construção civil. Contudo, construir nesses locais tem seus desafios próprios. A má escolha dos materiais a serem utilizados nas obras e a ausência de estudos prévios sobre a interferência dos fenômenos naturais nas estruturas a serem construídas são as principais causas de preocupação para construtores e proprietários de imóveis localizados em áreas do litoral.

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Alguns cuidados importantes são:

1- Áreas de proteção ambiental: deve-se estudar cuidadosamente a documentação do terreno em questão. Muitas áreas do nosso litoral são atualmente consideradas APAs (áreas de preservação ambiental) ou APPs (áreas de preservação permanente). No primeiro caso, qualquer construção demandará estudos ambientais específicos relativos ao impacto ambiental que a construção pode causar. No segundo caso, das APPs, qualquer construção é proibida.

2- Tipo de solo: os solos presentes em áreas litorâneas geralmente são menos consistentes, o que requer a sondagem do terreno para assim decidir qual o melhor tipo de fundação, evitando desabamentos e deslizamentos. Temos como exemplo a Orla de Santos, no estado de São Paulo. Possui um solo peculiar, formado por uma camada de areia, seguida por uma camada de argila marinha, mais areia e depois uma última camada de rocha. Prédios antigos construídos com fundações rasas começaram e entortar. Para evitar isso, os novos prédios estão sendo construídos com fundações profundas, cerca de três vezes mais caras.

Prédio em Santo, SP

Prédio em Santo, SP

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3- Maresia:

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Materiais como postes e corrimãos oxidam velozmente ao entrar em contato com essa névoa fina e úmida existente em cidades próximas ao mar. A principal explicação para a ocorrência desse fenômeno corrosivo é a elevada concentração de sais nessas regiões, fator que desencadeia reações químicas criando um estágio de elevada condutividade elétrica no sistema. Dentre os problemas causados pela maresia, é comum citarem-se rachaduras em concreto e o surgimento de ferrugem em carros.

Consequência previsível por conta de todas as situações causadas pela maresia, tal fenômeno natural gera um enorme impacto econômico na manutenção das estruturas dos imóveis. Estudos apontam que a vida útil de estruturas implantadas em obras pode cair até 70% simplesmente pela existência do contato desse material com o aglomerado de sais vindos do mar.

4- Materiais e áreas de aplicação

Nas estruturas, o ferro é o elemento mais atacado pela maresia. Para evitar problemas, as ferragens devem ser protegidas pelo concreto. Outras estruturas metálicas também demandam cuidados especiais. O aço deverá receber pinturas especiais contra a corrosão ou ainda pode-se optar pela utilização de aços do tipo patinável, em que a própria ferrugem protege o material da corrosão.Entretanto, em casos de construções muito próximas à praia em que as superfícies sofram com a abrasão da areia, esse tipo de aço não é indicado. Isso porque a areia tende a retirar continuamente essa “camada protetora enferrujada” do aço, que estará em permanente processo de corrosão. As normas de cálculo específicas para recobrimentos com concreto em construções na praia determinam maior volume do que seria necessário longe do litoral. Outras estruturas metálicas também demandam cuidados, sendo que o aço deve receber pinturas contra corrosão. No ambiente marítimo, os agentes agressivos que mais atacam a pasta de cimento no concreto são os sais de magnésio e sulfatos, enquanto que os cloretos concorrem para a corrosão das armaduras de aço. Esses sais retirados do mar pelas ondas e transportados pelos ventos podem percorrer grandes distâncias e se depositarem sobre o concreto na forma de gotículas de água. O grande problema, contudo, reside nas dimensões diminutas dos íons cloretos, que por conta disso têm elevada mobilidade no interior do concreto e causam a corrosão das armaduras.

Corrosão no concreto

Corrosão no concreto

Já as telhas cerâmicas precisam ser impermeabilizadas, para diminuir o efeito da cristalização dos sais de areia, que gera esfarelamento do acabamento. As telhas de concreto devem ter acabamento em camada de verniz acrílico, que garantem telhado limpo por mais tempo. Em edificações com coberturas planas, é possível utilizar as telhas de fibrocimento sem amianto ou lajes impermeabilizadas. Descendo do telhado para o piso, os mais adequados são os porcelanatos com acabamento fosco. Podem ser utilizados os de tons manchados, que disfarçam a presença de areia.

Portanto, diversos fatores devem ser levados em consideração na hora de construir no litoral, para que a obra seja feita com a melhor qualidade possível, evitando problemas futuros.

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Fontes: A Critical Evaluation of Salt Weathering Impacts on Building Materials at Jazirat al Hamra, AECWeb

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