Concreto “vivo”

Por mais reforçada que a estrutura de concreto seja, os esforços aos quais é submetida acaba por gerar rachaduras na mesma, podendo comprometer a sustentação das construções.

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Uma simples bactéria, porém, poderia ajudar a reparar rachaduras em estruturas de concreto e evitar o gasto de enormes quantias em obras de manutenção. Trata-se de um concreto “vivo” que se autorregenera feito com uma bactéria, normalmente encontrada nas proximidades de vulcões ativos.

O experimento desenvolvido pelo microbiologista Hendrik Marius Jonkers e outros pesquisadores da Delft University of Technology, consistiu em misturar concreto convencional com bactérias especiais, formando o que denominaram de bioconcreto. O ingrediente extra foi batizado pelos pesquisadores de “agente de cura” e só é ativado quando a estrutura apresenta rachaduras ou sofre infiltrações.

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Por ser um material extremamente alcalino, Jonkers afirmou que para criar uma estrutura que se autorreparasse seria necessário a utilização de bactérias que sobrevivessem às condições extremamente secas do concreto.

Jonkers escolheu bacilos para o trabalho, pois eles conseguem se reproduzir em condições alcalinas, produzindo esporos que sobrevivem por décadas sem comida ou oxigênio. “O próximo desafio não era apenas fazer a bactéria permanecer viva, mas também fazê-las produzirem calcário, o material de reparo para o concreto”, explica o cientista. Jonkers usou lactato de cálcio, colocando-o ao lado das bactérias dentro de cápsulas feitas com plástico biodegradável que eram misturadas no concreto ainda molhado. Quando as rachaduras começam a se formar no concreto, a água entra pelas infiltrações e abre as cápsulas. Então, a bactéria germina e se alimenta com o lactato. Ao fazer isso, elas combinam o cálcio com íons de carbonato para formar o calcário que irá preencher as rachaduras.
Jonkers planeja lançar uma versão de pulverização no final deste ano, e lançar o seu concreto em 2016. De acordo com ele, a solução com bactérias é perfeita para obras difíceis de manter, como edifícios subterrâneos, estradas ou plataformas petrolíferas. Acredita-se que o biocontreto marque o começo de uma nova era de prédios biológicos.
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