Reabilitação de uma linha férrea – aspectos geotécnicos

No Brasil, desde a década de 1950, o transporte ferroviário teve declínio acentuado devido a preferência do transporte rodoviário em detrimento a ele. Atualmente, com o surgimento de novos pólos econômicos e com investimentos do PAC, há a necessidade de, além de construir novas ferrovias, reabilitar algumas. No entanto, alguns aspectos que devem ser analisados na hora de reabilitar a linha férrea são distintos da construção de uma nova. Alguns deles são:

  • A preocupação em manter, tanto quanto possível, a estrutura existente;
  • A necessidade de tornar mínimos os transtornos na operação ferroviária durante a execução dos trabalhos;
  • Os problemas físicos que a infraestrutura está sujeita (patrimônio edificado, relevo, acessibilidade ao local da obra);
  • As dificuldades em utilizar algumas técnicas que são normalmente utilizadas na construção de vias novas, como por exemplo os tratamentos dos solos da fundação;
  • A heterogeneidade, quer ao longo do desenvolvimento longitudinal, quer transversal dos materiais existentes na substrutura, em particular quando a via é muito antiga e não foi sujeita a obras de manutenção e de reabilitação;
  • A necessidade de manter a operação da via com elevados níveis de segurança durante a realização das obras.

O processo de reabilitação deve ser baseado em estudos de caracterização física e mecânica dos elementos e das camadas da via, com o intuito de  dimensionar a mais eficiente configuração estrutural. Para decidir os geomateriais que serão utlizados na subestrutura, é comum caracterizá-los através da determinação de suas propriedades intrínsecas (granulometria e plasticidade) e das propriedades  de estado (teor de umidade e grau de compactação). Em alguns casos, são realizados estudos para determinar o Módulo de Deformabilidade.

Ferrovia do Corredor de Nacala reabilitada. Fonte: Oje - o Jornal Econômico

Ferrovia do Corredor de Nacala reabilitada. Fonte: Oje – o Jornal Econômico

Nas vias antigas, sobretudo naquelas que não há uma camada de separação entre o lastro ferroviário e o solo de fundação (sub-lastro), é comum encontrar uma camada de lastro contaminada por alguns motivos, tais como: “bombagem” dos solos finos da fundação, em presença da água, por ação das cargas cíclicas dos trens e degradação das partículas do lastro, em especial no material de baixa resistência ao desgaste e à fragmentação.

Na reabilitação, é importante ressaltar que mesmo que o lastro esteja contaminado, há vantagens econômicas e técnicas na manutenção dele, pois essa camada possui elevada rigidez, que pode ser relevante em termos estruturais e há redução na movimentação de materiais. Isso tudo leva a um encurtamento do tempo de obra, reduz custos com manutenção de novos materiais e alguns transtornos durante a obra.

Reabilitação de ferrovia entre Bié e Moxico. Fonte: Portal de Angola

Reabilitação de ferrovia entre Bié e Moxico. Fonte: Portal de Angola

Através de uma adequada caracterização da estrutura existente, é bastante viável economicamente e tecnicamente a reabilitação de ferrovias e isso é importante para estimular a modalidade de transporte ferroviário no Brasil.

Fonte: FORTUNATO, E. et al. Reabilitação de uma linha férrea de mercadorias – aspectos geotécnicos da via. Geotecnia n° 131 – julho 2014 – pp.95-112

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