Canal do Panamá

No dia 15 de agosto deste ano, chegou ao seu primeiro centenário uma das obras mais importantes da engenharia moderna: o Canal do Panamá. O post de hoje traz algumas informações e curiosidades dessa grande obra.

Canal do Panamá. Fonte: Fotos e fotos

No século XVI, com a colonização da América e a descoberta de enormes jazidas de ouro e prata no México e Peru, para transportar os metais preciosos até a Europa a única alternativa possível era fazer a circunavegação da América do Sul, passando pelo Estreito de Magalhães. A região, também conhecida por suas belas paisagens e o fofo Pinguim de Magalhães, não tinha nada de bela e fofa para os navegadores: os ventos e as fortes correntes marinhas dificultavam a navegação e os naufrágios eram frequentes. Na tentativa de procurar uma alternativa mais segura, a Coroa espanhola traçou a Rota Imperial, que cortava o istmo do Panamá – a porção de terra mais estreita que dividia os dois oceanos. Logo que a rota foi traçada, a região da travessia, que era feita por terra ou pelo rio, tornou-se o destino de férias favorito de ladrões, aventureiros e traficantes, que transformaram a região no local mais perigoso do mundo durante 200 anos.

Panamá. Fonte: Portale Storia

Panamá. Fonte: Portale Storia

Foi então que, em 1878, o conde Ferdinand de Lesseps, engenheiro responsável pela construção do Canal de Suez no Egito, adquiriu a concessão para a construção de um canal na região panamenha. No entanto, o sucesso do engenheiro no Egito somado à tecnologia de ponta que ele detinha não foram suficientes para superar as adversidades do local. Entre 1881 e 1888, ventos fortes e até um terremoto provocaram deslizamentos de terra, alagamentos nas áreas de escavação e destruição de maquinário.  Por ser uma região de floresta tropical, epidemias de febre amarela e malária vitimaram cerca de 20.000 trabalhadores. Em função da corrupção e da má administração, após a morte de Lesseps os franceses desistiram do projeto, deixando no Panamá estudos geológicos e topográficos, mapas, projetos, edifícios, além de 40% das escavações realizadas.

A selva panamenha. Fonte: Beacon South America

A selva panamenha. Fonte: Beacon South America

Em troca de apoio político e militar à independência do Panamá, os Estados Unidos adquiriram a concessão do canal que muito os interessava, pois facilitava o trânsito de mercadorias entre as suas costas leste e oeste. Em 1904, as obras foram reiniciadas seguindo o projeto inicial de uma passagem no nível do mar. O grande problema desse projeto era o rio Chagres, que atravessava diversas vezes a linha do canal. Durante a estação chuvosa, eram frequentes grandes cheias do rio, e um canal a nível do mar implicaria a drenagem total dele (que, em alguns trechos, chega a estar 26 metros acima do nível dos oceanos). Assim, John Frank Stevens, o segundo engenheiro-chefe, apresentou  um estudo indicando que seria mais econômico um canal por eclusas, o que diminuiria o prazo de construção de dezoito para nove anos. Ele propôs o controle do curso do rio Chagres através de um aterro de grandes dimensões, formando uma barragem em Gatún. O lago artificial assim formado forneceria a água e a energia elétrica necessárias à operação das eclusas, como também constituiria uma via líquida, que cobriria um terço da distância no istmo.

Mapa esquemático do Canal do Panamá, ilustrando a sequência de fechamentos e passagens. Fonte: Wikipedia

Mapa esquemático do Canal do Panamá ilustrando a sequência de fechamentos e passagens. Fonte: Wikipedia

A travessia do Canal do Panamá é feita por três eclusas, onde a água funciona como um elevador.

Esquema das eclusas. Fonte: Blog Mercante

Os portões são fechados e as válvulas de enchimento abertas.

Fechamento dos portões da eclusa. Fonte: panamat8.blogspot.com.br/

Fechamento dos portões da eclusa. Fonte: panamat8.blogspot.com.br

A água entra através de poços do piso, elevando o navio 26 metros, até o nível do Lago de Gatun. As válvulas são fechadas e os portões superiores abertos.O navio sai da comporta para o lago e segue para as outras comportas, onde acontece o processo inverso de descida até o nível do Oceano Pacífico.

Abertura dos portões da eclusa. Fonte: Portogente

Abertura dos portões da eclusa. Fonte: Portogente

O canal tem 82 km de extensão, 152,4 m de largura, 26 m de profundidade e três eclusas duplas. Sua travessia leva de 16 a 20 horas. Apesar da alta taxa de pedágio em função dos custos de manutenção – cerca de US$ 28 mil –, o canal tem tráfego intenso. Para solucionar o problema de congestionamento de navios,  foi feito um investimento de U$5,25 bilhões para duplicar a capacidade de carga de 300 milhões para 600 milhões de toneladas por ano, com barcos com capacidade de até 12,6 mil contêineres. O projeto tem conclusão prevista para 2015.

Chegada das comportas de 58 metros de comprimento, dez de largura e 30 de altura fabricadas na Itália. Fonte: Estadão

Chegada das comportas de 58 metros de comprimento, 10 de largura e 30 de altura fabricadas na Itália. Fonte: Estadão

A obra deu um prejuízo, na época, de US$287 milhões para a França. Vendido por US$40 milhões, ela custou US$359 milhões aos Estados Unidos. No total, o custo de US$639 milhões era suficiente para comprar 85 navios Titanic. Na atualidade, estima-se que uma obra dessas custaria cerca de US$160 bilhões.

Fonte: ABRACOMEX, Portal São Francisco, Guia do Estudante, Estadão, BBC Brasil, Revista Veja

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Um pensamento sobre “Canal do Panamá

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