Preferência por asfalto-borracha na pavimentação de vias brasileiras

No Brasil, o uso de borracha para a pavimentação asfáltica foi aprovado por uma resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) em 1999. Entretanto, o seu uso sofreu muitos entraves, tanto por ausência de incentivos fiscais, quanto pelo alto custo da tecnologia empregada.

Foto: Clovis Ferreira Digna

Foto: Clovis Ferreira Digna

No mês passado, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) aprovou o projeto de autoria do deputado Weliton Prado, que propõe o uso preferencial de borracha no asfalto para a pavimentação e recuperação de rodovias brasileiras.

Vantagens ambientais e econômicas

O engenheiro José Roberto Ometto, diretor de engenharia da Concessionária Colinas, empresa que implantou a restauração com esse tipo de asfalto em dois trechos das rodovias que administra, diz que o asfalto feito com borracha aumenta a sua vida útil devido às substâncias antioxidantes presentes na borracha; aumenta sua flexibilidade; determina maior resistência às deformações plásticas causadas pelo trânsito intenso de veículos, principalmente pelos veículos pesados de carga;  reduz o problema ambiental da alta concentração de pneus; e reduz a suscetibilidade térmica do asfalto.

ASfalto

Como a borracha retarda o envelhecimento do asfalto, empresas estão dispostas a investir em sua utilização para reduzir custos de manutenção das vias, afinal o modal rodoviário é o que mais necessita de manutenção e apresenta maiores custos nesse setor em relação aos outros modais. Logo, apesar do custo alto da tecnologia, isso num médio e longo prazo poderia levar a uma economia financeira para as empresas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a legislação obriga que os asfaltos tenham um percentual mínimo de borracha asfáltica reciclada para a pavimentação. Além disso, a lei garante benefícios fiscais aos estados que a cumprem, e pune os estados que não a obedecerem. A consequência é que em estados norte-americanos como a Flórida, Califórnia e Arizona a utilização desse tipo de asfalto é uma realidade há muito vivenciada pelos usuários das rodovias.

Tecnologia utilizada

asfalto borracha

Em 1963 foram publicados os primeiros artigos científicos apontando para as qualidades do asfalto com pó de borracha. Atualmente as misturas asfálticas são obtidas com restos e resíduos de borrachas, e o maior desafio é baratear os custos e aumentar incentivos para essa tecnologia. São empregadas duas principais técnicas, uma seca e outra úmida.

No processo seco, os grânulos da borracha representam de 0,5 a 3,0% da massa do agregado, enquanto que no processo úmido o pó de pneu representa aproximadamente 15% da massa do ligante ou menos que 1,5% da massa da mistura.

Segundo o pesquisador Luciano Specht, que avaliou em sua tese de doutorado na UFRGS as misturas asfálticas com incorporação de borracha reciclada de pneus, o desmonte de pneus pode ser realizado de quatro maneiras: cisalhamento mecânico à temperatura ambiente, congelamento e posterior cisalhamento, extrusão a partir do uso de aditivos, e reaproveitamento da raspa proveniente da preparação dos pneumáticos para recauchutagem.

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Confira a proposta na íntegra: PL 132/2011

Fontes: Folha SP, UNIEMP, Câmara dos Deputados.

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