Entrevista com os candidatos à reitoria da UFJF

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No dia 31 de agosto de 2014, encerra o segundo mandato do reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Henrique Duque. A eleição para os novos reitor e vice-reitor da UFJF ocorrerá na semana que vem, entre os dias 9 e 10 de junho, com resultado divulgado no dia 11. Se nenhum candidato alcançar maioria de 50% mais um dos votos, haverá um segundo turno, entre os dois mais votados, nos dias 24 e 25 de junho, com resultado no dia 26. Concorrem nessa eleição 3 chapas: a Chapa 10,”Viver a nova Universidade”,  formada pelo diretor da Faculdade de Medicina, Júlio Chebli e o diretor da Faculdade de Direito, Marcos Chein; a Chapa 20, “Paixão pela UFJF”, formada pelos professores da Faculdade de Engenharia Paulo Villela e Hélio Francisco da Silva e a Chapa 30, “Reunir a UFJF”, formada pelo diretor da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis, Marcus David e a ex-diretora da Faculdade de Enfermagem, Girlene Alves.

Candidatos a reitor chapas 10, 30 e 20. Fonte:  www.tribunademinas.com.br

Candidatos a reitor chapas 10, 30 e 20. Fonte: http://www.tribunademinas.com.br

Na semana passada, o PET Engenharia Civil enviou por e-mail cinco perguntas às chapas. Quatro delas são idênticas e uma, específica, abordando questões de interesse geral à Universidade e relativas à Faculdade de Engenharia e aos grupos PET’s e GET’s da UFJF. Seguem abaixo as perguntas e as respostas enviadas por cada chapa.

1) Qual a principal proposta da chapa em relação a Faculdade de Engenharia? Como pretendem adequar a mesma ao crescimento visto nos últimos anos?

Chapa 10 –  “A infraestrutura dos laboratórios é, hoje, um dos gargalos na Faculdade de Engenharia. A Chapa 10 apresenta no seu programa de gestão uma ação específica que abrange a criação de programas de preservação e manutenção de instalações e laboratórios de pesquisa. Quanto aos discentes, a grande expansão da área das engenharias possibilitou o ingresso na UFJF de jovens com diferentes formações do ensino médio, o que torna urgente a implantação de um programa de nivelamento para as disciplinas básicas, como cálculo e física, de modo a reduzir a reprovação e evasão nos cursos. De outro lado, a Faculdade de Engenharia deverá ser beneficiada diretamente pela implantação do Parque Tecnológico e pelo fomento, em conjunto com a Pró-reitoria de Extensão Universitária, de projetos de extensão que envolvam transferência de tecnologia e inovação. Para tanto, haverá um incentivo a formação de novos empreendedores durante o processo de formação acadêmica dos docentes, de modo a transformar a Faculdade de Engenharia em um celeiro de talentos, jovens capazes de inovar e transformar suas invenções e descobertas em recursos econômicos”.

Chapa 20 – “​ Nossa Chapa 20 tem a “cara da Engenharia” e o “jeito do engenheiro”. Pretendemos levar para toda UFJF nossa experiência adquirida ao longo de muitos anos de vida acadêmica dedicada e comprometida com a Engenharia e com a Universidade. Somos a única chapa que pode ​imprimir um “jeito de engenheiro” de fazer política e administrar. Somos formados para ter um raciocínio lógico aguçado e isto pode ser um diferencial principalmente num momento exige que se tenha uma gestão mais eficiente e eficaz”.

Chapa 30 – “ A Faculdade de Engenharia pela sua tradição (completa 100 anos de existência) e pela sua importância na formação de profissionais e pesquisadores em áreas extremamente estratégicas para o desenvolvimento social, econômico e tecnológico do País, deve ter suas instalações compatíveis com a significância do seu projeto político-pedagógico. As necessidades de construção de oficinas/laboratórios e/ou de manutenção desses espaços devem ser realizadas de forma prioritária. No entanto, como várias unidades da UFJF carecem desses investimentos, estamos propondo a elaboração de um relatório rápido sobre as demandas de infraestrutura de cada unidade de ensino, visando à definição coletiva das prioridades a serem atendidas. Assim, devido ao posicionamento estratégico da Faculdade de Engenharia, defenderemos a sua precedência para tais investimentos”.

2) Quais são as propostas da chapa para acessibilidade e mobilidade interna e externa ao campus?

Chapa 10 – “O campus da UFJF cresceu muito com as novas unidades e a chegada de novos alunos, é preciso repensar o deslocamento interno no campus, é preciso analisar as diversas alternativas e discuti-las junto a comunidade, como, por exemplo, o aumento do número de ônibus de circulação interna ou implantação de um novo sistema de transporte interno, com veículos menores, em maior número e mais econômicos. Não há hoje uma solução pronta ou definitiva para a mobilidade interna, por isso, vamos abrir a discussão e contar, inclusive, com todos o conhecimento disponível na Faculdade Engenharia. Quanto à mobilidade externa, essa questão envolve negociação com a Prefeitura de Juiz de Fora, é preciso que os gestores locais também se sensibilizem com a questão do trânsito na UFJF. O fato é que inviável que a UFJF seja, hoje, a única ligação da chamada cidade alta com o centro de Juiz de Fora. O Reitor Henrique Duque já tomou a iniciativa de apresentar pessoalmente ao ministro das Cidades o projeto da Via Expressa que contorna o Campus, ligando a avenida Itamar Franco à região de São Pedro. Esta alternativa, além de desafogar o trafego dentro do Campus, melhora todo o fluxo na Cidade Alta, impactando de forma positiva o transporte coletivo. Mas intensificar esta reivindicação junto ao Ministro e à Presidente Dilma para que os recursos sejam repassados à Prefeitura, que deve ser a responsável pela execução da obra”.

Chapa 20 – “É preciso primeiramente tirar o tráfego urbano de dentro do campus, passá-lo para fora do campus. Para isso teremos que nos articular com a Prefeitura para esta construir uma via alternativa que circunde o campus. Além disso precisamos criar mais linhas de ônibus diretas dos bairros para o campus. Os horários dos ônibus coletivos urbanos precisam estar sincronizados com os horários das aulas, principalmente no último horário noturno. ​Para isto acontecer, precisamos novamente estarmos articulados com a Prefeitura. O aumento na frequência da circulação interna dos ônibus da UFJF tem que ser estudado também”.

Chapa 30 – “ Como consta em nosso programa, do ponto de vista geral, é necessário aprimorar a infraestrutura do campus de Juiz de Fora e criar a do campus de Governador Valadares, levando em consideração um plano diretor físico e ambiental, a segurança das pessoas e do patrimônio, a mobilidade urbana e a acessibilidade, adequando-o às legislações pertinentes. Neste sentido, torna-se essencial adequar os espaços das unidades acadêmicas às normas de acessibilidade, em geral, e, particularmente, àquelas relativas ao trabalho. Simultaneamente, vamos estabelecer um plano de supervisão para monitorar a efetividade das normas de acessibilidade, incluindo a avaliação dos equipamentos de proteção e o treinamento de pessoal. Em relação à mobilidade interna e externa, conforme já respondemos a outros estudantes, entendemos que o reitor da UFJF exerce um papel fundamental para dentro e para fora da instituição. Como sabemos, o transporte público é de responsabilidade de poder público do município e, portanto, para solucionar esta questão, teremos que construir ações junto a Prefeitura. Por isso, é muito importante que o reitor tenha clareza de que deve ser um representante da UFJF em outros espaços institucionais do município, negociando com os responsáveis, neste caso, a ampliação e o aperfeiçoamento das linhas que servem ao nosso campus. Além disso, nos comprometemos, internamente, a desenvolver também ações neste sentido, ampliando os horários dos ônibus circulares da UFJF, principalmente para o turno da noite e adequar a acessibilidade dos ônibus circulares da UFJF para atender as pessoas com deficiência, numa perspectiva de educação inclusiva que também nos é fundamental”.

 3) Como pretendem apoiar as atividades dos grupos PET e GET da UFJF, tendo em vista que alguns grupos enfrentam empecilhos para a realização de suas atividade?

Chapa 10 – “O PET e GET são uma forma de atividades integradas de ensino, pesquisa e extensão e, para que tenham êxito, é necessário que tenham uma supervisão direta, um acompanhamento por um professor orientador/coordenador dos projetos. É fundamental que o que se propõe para os PET e GET na teoria, ocorram, de fato, na prática, e a adminsitração central atuará de forma incisiva para que tais projetos sejam, de fato, espaços em que a pesquisa, o ensino e a extensão ocorram de forma orquestrada e eficaz”.

Chapa 20 – ” Se os empecilhos forem de ordem administrativa ou de infra-estrutura, neste caso atuaremos para sanar estas dificuldades. Se você puder enumerar quais são estas dificuldade poderíamos fazer uma abordagem, caso a caso.
Se os empecilhos forem de natureza pedagógica, neste caso há que se estudar no âmbito dos respectivos NDE’s de cada curso. ​”

Chapa 30 – ”  O Programa de Educação Tutorial é um programa que deve ser estimulado e potencializado pela Universidade. A sua perspectiva de integração entre ensino, pesquisa e extensão vai ao encontro de um dos princípios basilares do Programa da Chapa 30 “compromisso com a indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão”. Por sua relevância para o desenvolvimento do ensino de forma integrada à pesquisa e à extensão, consideramos que, apesar de envolver três áreas acadêmicas distintas, do ponto de vista da gestão, o Programa deve ser acompanhado por uma única pró-reitoria em articulação com as demais. Dessa forma, os entraves ao seu desenvolvimento poderão ser detectados e encaminhados com a celeridade que sua importância exige”.  

4) A chapa é a favor ou contra a Avaliação Sistemática dos Docentes? Por quê?   
Chapa 10 – “A UFJF tem investido nos sistemas de avaliação, essa não é uma questão para se posicionar contra ou a favor. É fato que ninguém gosta de ser avaliado, ou pelo menos a maior parte das pessoas, essa é uma característica inerente do ser humano. Por outro lado, não há como avançarmos sem que haja crítica. O ponto é que os critérios de avaliação devem ser claros e consistentes com o que se espera do docente, além disso deve ser desprovida de qualquer caráter punitivo. É preciso ter o diagnóstico correto para que eventuais distorções possam ser tratadas e, assim, alcançarmos uma UFJF de qualidade, sempre respeitando o indivíduo e suas limitações”.

Chapa 20 – “A favor por entender que isto é um importante mecanismo para o docente ter um retorno do seu trabalho, permitindo que este corrija deficiências do seu trabalho”.

Chapa 30 – “A Chapa 30 é a favor de avaliação sistemática dos docentes. Entendemos que todo o servidor público deve ter suas ações avaliadas de forma sistemática. O grande debate refere-se à forma de avaliação a ser implementada. Procedimentos e critérios coletivamente acordados são fundamentais para o sucesso de um processo avaliativo. Assim, reproduzir a dinâmica produtivista no interior da Universidade, como o padrão de avaliação sistemático, parece-nos equivocado. Além do mais, não podemos perder de vista que a cada dois anos, para efeito de progressão na carreira, os docentes passam por avaliação e, anualmente, aqueles que se encontram em Programas de Pós-Graduação, são avaliados pela CAPES”.

Seguem abaixo as perguntas específicas para cada chapa juntamente com a resposta enviada:

Chapa 10 – Qual será a principal mudança em relação a atual gestão? E de que forma pretendem implementá-las ?

Em relação à atual Gestão, a Chapa 10 se coloca como compromissada a manter e consolidar as atuais conquistas, a concluir todas as obras em andamento ou já aprovadas e a ampliar, aperfeiçoar e implantar ações que tenham como norte a conquista da excelência. A marca da proposta da CHAPA 10 é, sem dúvida, uma atuação que visa à excelência em toda a sua plenitude. Não se propõe apenas excelência acadêmica, de produções, mas também excelência no ambiente de trabalho, excelência na qualidade de vida, excelência na comunicação e interação nos três segmentos (docentes, discentes e TAEs), e entre os diversos setores e unidades acadêmicas. Vamos chegar à Nova Universidade, com a institucionalização de práticas de apoio ao docente, acolhimento e acompanhamento ao discente, sem perder de vista o papel fundamental dos TAEs. O nosso ponto de partir é a revisão do Estatuto e Regimento da UFJF a fim de adequá-los ás exigências da nova universidade, bem como a valorização e fomento de práticas inovadoras para a sistematização e transparência dos processos administrativos e atos normativos da Universidade.”

Chapa 20 – Visto que os candidatos apresentam experiência na área de Ciência e Tecnologia, quais são as propostas que a chapa apresenta para as demais áreas da UFJF?

“Segue nossas 20 propostas de ação, algumas ligadas a nossa experiência em tecnologias da informação, e outras fruto da nossa experiência política e administrativa na UFJF:

01   Realizar o Congresso de Planejamento Participativo para discutir e definir o futuro da UFJF nos próximos 20 ou 30 anos.

02   Abrir e transmitir as reuniões dos Conselhos por rádio, TV e internet.

03   Criar salas especiais de reuniões em JF e GV, conectadas pela internet.

04   Discutir a necessidade e como terceirizar atividades meio.

05   Oferecer internet sem fio para todos e em toda UFJF.

06   Integrar o SIGA ao Facebook e outras redes sociais.

07   Distribuir gratuitamente livros básicos em formato digital.

08   Expandir o webmail para toda comunidade universitária.

09   Acabar com a burocracia dos formulários em papel e suas filas.

10   Criar o Programa de Acolhimento Estudantil.

11   Ocupar o Parque Tecnológico da UFJF.

12   Criar o Centro de Empreendedorismo da UFJF.

13   Articular ações de desenvolvimento regional com os municípios.

14   Discutir, regulamentar e implantar novas formas de trabalho.

15   Gerir o HU com autonomia, respeito e participação.

16   Informatizar a gestão da manutenção.

17   Criar o Grupo Executivo de Infra-Estrutura para resolver os problemas que comprometem os cursos e condições de trabalho.

18   Criar o Programa UFJF Multicultural.

19   Organizar administrativamente e discutir o futuro do campus GV.

​20​ Criar o Gabinete de Crise GV para acelerar a implantação do campus e resolver os problemas atuais.”
Chapa 30 – Como a chapa pretende colocar em prática o discurso de “Mandato Participativo”? E como este será usado para a distribuição de verba entre as unidades?
Para viabilizar uma gestão democrática e participativa será necessário desenvolver duas ações estratégicas: garantir transparência nas decisões e resgatar a institucionalidade dos órgãos colegiados. Por isso, propomos: · Respeitar os resultados provenientes de processos de consulta pública na universidade, visando fortalecer a dimensão democrática e a participação dos segmentos. · Fortalecer a estrutura formal-legal da administração da UFJF, visando obedecer aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. · Aperfeiçoar os sistemas gerenciais através da informatização de todos os procedimentos administrativos e acadêmicos. · Estabelecer mecanismos de consulta pública para temas essenciais para a condução político-acadêmica da universidade. · Estabelecer mecanismos de democratização e participação com abertura das reuniões dos Conselhos para a sociedade, realizadas em espaços apropriados com transmissão ao vivo pela internet, radio e TV. · Dar transparência e publicidade às prestações de contas anuais da UFJF e da Fadepe de forma simples, clara e de conhecimento de toda a comunidade. A adoção do orçamento participativo na gestão implica o levantamento de dados sobre as necessidades de recursos de custeio e de capital para garantir a consolidação da expansão física realizada. Pois, a UFJF cresceu, mas não possui infraestrutura compatível para sua manutenção. Essas ações garantirão a solidificação do crescimento realizado. A partir desses processos, vamos poder definir, coletivamente, o Plano de Desenvolvimento Institucional que será a referência para o Orçamento Participativo, indicando, inclusive, os parâmetros de distribuição orçamentária para as unidades acadêmicas”.
Para conhecer mais as propostas de cada chapa: Chapa 10, Chapa 20, Chapa 30.
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