“Casas de Botellas”

Segundo dados de 2011, cerca de 294 mil toneladas de embalagens PET pós-consumo são destinadas à reciclagem, o que representa 57,1% do total de embalagens desse material que são descartadas pelo consumidor brasileiro. No entanto, os outros 42,9% ainda são descartados em aterros sanitários, lixões e em locais irregulares, reduzindo a vida útil dos aterros, dificultando o processo de decomposição da matéria orgânica (o plástico impermeabiliza as camadas em decomposição, prejudicando a circulação de gases e líquidos), dentre outros impactos causados ao meio ambiente.

Ingrid Vaca Diez, uma advogada boliviana, guardava uma quantidade enorme dessas garrafas em seu quintal destinadas aos seus trabalhos de artesanato. Seu marido um dia, em tom jocoso, disse que com aquele volume todo de “lixo” seria possível construir uma casa. Foi a partir dessa brincadeira, que ela teve a ideia de tentar criar casas a partir da reutilização de garrafas PET, com o intuito de ajudar pessoas em situação de extrema pobreza. Surgiu então o projeto “Casas de Botellas” (Casas de Garrafas, em espanhol), uma ideia bastante interessante para solucionar o problema do grande volume de embalagens PET presentes no lixo.

Em sua pesquisa sobre formas de reutilizar materiais na construção civil, ela encontrou os ingredientes necessários para a empreitada: garrafas de vidro, cimento, cal, areia, cola, sedimentos, resíduos orgânicos, aros, glicose, além das garrafas PET. As garrafas recheadas de resíduos e sedimentos diversos formam as paredes que, após amarradas, são fixadas com cal e cimento. No ano de 2000, ela produziu sua primeira casa, que teve 170 m² e contou com 36 mil garrafas PET de dois litros. O projeto social da advogada conseguiu o apoio de empresas e instituições regionais, que doaram materiais para o acabamento e móveis para as casas.

garrafas 9

Diez conta que, com a ajuda de cerca de 10 voluntários, é possível construir uma casa em 20 dias. Ela também afirma que o que atrasa as construções é a falta de matéria-prima e de mão-de-obra voluntária.

Após 14 anos do início do projeto, já foram construídas mais de 300 “casas de botellas”, inclusive em outros países da América Latina, como Argentina, México, Panamá e Uruguai.

Um projeto como esse poderia ser perfeitamente executado no Brasil, pois, como foi dito no início do post, tem-se um volume considerável de garrafas PET são coletadas. Expandir o projeto pra cá está nos planos de Ingrid, que se mostra bastante empolgada com o volume de material disponível e com o fato de o povo brasileiro se mostrar receptivo ao trabalho voluntário.

Confira abaixo uma galeria com algumas fotos das “casas de botellas”:

Fontes: Facebook do projeto “Casas de Botellas”, Amoralnato blog, Só notícia boa, Ciclo vivo, ecycle, Censo reciclagem Brasil

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