O Cubo D’Água e seu revestimento fantástico

Para os fãs de plástico-bolha , este é um prédio fantástico. O Centro Aquático Nacional de Pequim, mais conhecido como Cubo D’Água, parece ter saído de um filme de ficção científica. Com o custo aproximado de US$3,4 bilhões, ele foi construído para sediar as competições de natação, saltos ornamentais e nado sincronizado dos Jogos Olímpicos de 2008. Seu revestimento finíssimo que externamente parece gigantes bolhas de sabão e internamente, um enorme aquário, foi desenhado para atuar como uma estufa, absorvendo radiação solar e evitando perda de calor. Além disso, a incrível estrutura é capaz de suportar terremotos, tempestades de areia vindas do Deserto de Gobi, nevascas e ventos fortes. 

Iluminação do Cubo D'Água. Fonte:  aconteceunachina.wordpress.com

Iluminação do Cubo D’Água. Fonte: aconteceunachina.wordpress.com

Na sua construção foram usados 90 km de aço e 22 mil tubos que não seguem linhas convencionais, formando um emaranhado de metal coberto por 100.000 m² de plástico. Para se ter uma ideia, essa quantidade de aço é suficiente para dar a volta em mais de 200 pistas olímpicas de corrida e o plástico é suficiente para cobrir 24 campos de futebol. Para o revestimento das estruturas metálicas, o polímero foi cortado em almofadas com formatos diferentes e de cerca de 9 metros de diâmetro que, no entanto, têm espessura  inferior a 1/8 de uma moeda, cerca de 0,2 milímetros.

Detalhe da maquete da estrutura.  Fonte: www.vitruvius.com.br

Detalhe da maquete da estrutura. Fonte: http://www.vitruvius.com.br

O incrível plástico usado na estrutura foi o ETFE (etileno tetrafluoretileno, um tipo super-resistente e de grande transparência). Ele tem apenas 1% do peso do vidro, é mais flexível e, surpreendentemente, muito mais transparente que ele, permitindo a passagem de luz de forma a economizar até 50% de energia em alguns locais. Outra característica especial do etileno tetrafluoretileno é que ele não se comporta como um plástico tradicional nos incêndios. Numa situação como essa ele não queima, apenas derrete enquanto houver chamas. Quando essas são extintas, o derretimento para instantaneamente devido a presença de fluoreto, que evita o contato do material com o gás oxigênio. Esse comportamento faz com que o gás e a fumaça fiquem do lado de fora do prédio, permitindo que as pessoas no interior dele enxerguem o que está acontecendo e saiam rapidamente.

Placas de ETFE. Fonte: www.iaacblog.com

Placas de ETFE. Fonte: http://www.iaacblog.com

Outro fator decisivo na escolha do polímero foi o clima.  No inverno, a temperatura pode atingir -13°C em Pequim e, para um local destinado a competições na água, isso não é algo favorável. Assim, o projeto de estufa é bastante satisfatório, pois as almofadas do revestimento externo são tão eficazes quanto painéis solares, retendo 20% da energia solar, que é utilizada para aquecer o interior e as piscinas. Isso permite uma economia de 30% de energia se comparado a um estádio tradicional. Já no verão, quando a temperatura atinge 31°C, o prédio é resfriado de forma sustentável e eficaz através de pontos praticamente invisíveis na superfície do plástico, que fazem a regulagem da temperatura com pouca ajuda de condicionadores de ar. Os pontos refletem a energia solar, mas deixam passar a luz. Quanto mais fechado o padrão, mais calor é refletido; quanto mais aberto, mais calor penetra. Assim o padrão é determinado de acordo com a localização da almofada. Em alguns locais, como por exemplo os bares, os pontos cobrem entre 55 e 60% de toda a superfície, reduzindo em cerca de 40% a temperatura. 

Detalhe dos pontos na superfície do ETFE. Fonte:  National Geographic Channel

Detalhe dos pontos na superfície do ETFE. Fonte: National Geographic Channel

Uma desvantagem do ETFE é que ele pode suportar anos de radiação UV, ventos fortes, nevascas, no entanto é frágil o suficiente para ser cortado com faca. Portanto, deve-se ter cuidado ao fazer a manutenção do edifício, pois o jato de água usado na limpeza da parte externa pode abrir alguns buracos na superfície, permitindo a entrada de água da chuva em seu interior. Ainda assim, ele é mais forte que muitas estruturas, pois o mesmo canhão de água que formou um pequeno buraco em sua superfície tem a capacidade de derrubar uma parede de tijolos inteira.

Confira abaixo uma galeria de fotos desse impressionante prédio:

Fonte: Obras Incríveis – National Geographic Channel,VitruviusTerraWikipedia

 

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