A origem das cidades e a urbanização no Mundo Antigo e Medieval

 

Atenas, Grécia

Atenas, Grécia

O homem nos dias atuais é um ser urbano, e grande parte da população mundial habita as cidades; mas isso não é algo do mundo contemporâneo. Há cerca de 5500 anos, as primeiras civilizações já se organizavam e habitavam pequenos centros urbanos. Entretanto, a intensa urbanização da humanidade só começou no tempo moderno entre os séculos XVIII e XIX, quando a indústria se fixou nas cidades exigindo muita mão-de-obra, logo com o tempo, vários trabalhadores migraram do campo para a cidade, desenvolvendo assim o processo urbano e as cidades que hoje conhecemos.

As primeiras cidades datam de 3500 a.C., na região compreendida entre os rios Tigre e Eufrates. O solo fértil e a grande oferta de água contribuíram para o desenvolvimento das cidades nessa região, além de ser um ponto de cruzamento de estradas, formada provavelmente entre povos de culturas distintas. A maioria das cidades se encontrava na Suméria, além de serem todas muito semelhantes. A existência de artigos de luxo, pedras preciosas e metais finos de locais distantes revelava que tais cidades apresentavam habilidosos artesãos e uma classe mercantil robusta.

Por volta de 3100 a.C. a civilização egípcia se formava: nessa época já haviam aglomerações urbanas ao longo do rio Nilo. Assim, durante o terceiro e segundo milênio antes de cristo, as comunidades urbanas se proliferam. Aproximadamente em 2500 a.C., se desenvolveram as cidades de Mohenjo – Daro e Harappa no vale do rio Indo, e em 1500 a.C. as cidades de Shang e Anyang no rio Amarelo.

A grande probabilidade de as primeiras cidades egípcias serem mais novas que as sumérias e a certeza de que aquelas fundadas às margens do rio Indo e Amarelo são posteriores às mesmas, fortificam a afirmação de que o conceito de vida urbana tenha surgido primordialmente na Mesopotâmia.

Os povos ameríndios também foram responsáveis pela formação de grandes centros urbanos, principalmente na América Central (maias e astecas). Diferente do que os pesquisadores pensavam até a década de 60, hoje é sabido que além dos astecas, os maias também construíram grandes cidades. Em Tical, cidade maia localizada na Guatemala, foi encontrada 3000 construções, com 60% de propriedades residenciais. Em Dzibilchaltun, outra cidade maia em Lucatã, uma pesquisa realizada em menos da metade da área total da cidade revelou mais de 1500 construções. Teotihuacán, atualmente ocupada pela cidade do México, apresentava um número incrível de aproximadamente 100 mil habitantes no primeiro milênio d.C.

Ruína Maia

Ruína Maia

Os povos Africanos, Asiáticos e do Novo Mundo apresentavam características semelhantes em relação à organização das cidades; na qual a predominante foi a teocrática. Tradicionalmente, as cidades pré-industriais abrigavam a elite no centro, os artesãos e trabalhadores livres um pouco mais afastados, e os trabalhadores rurais pobres na periferia.

Como centros de inovação, as cidades forneciam solos férteis suficientes para o desenvolvimento tecnológico que ajudavam na expansão das cidades; a tecnologia por sua vez, necessitava de uma divisão do trabalho, sobretudo política, para o seu progresso pleno. Os impérios da Idade do Ferro e do Bronze exemplificam um sistema que deu certo para a expansão territorial. À medida que os impérios foram se alargando, aumentaram as dimensões e a majestade de suas cidades.

No final do século II antes de Cristo os fenícios se expandiram, criando e revivendo cidades durante o processo. Com uma engenharia naval consolidada, e laços comerciais fortes e duradouros, eles se tornaram os “donos” do Mediterrâneo nesse período. Algum tempo depois, os gregos tomaram o lugar dos fenícios ao construírem as cidades-estado (símbolos de postos urbanos avançados) desde a Ásia Menor até a França e Espanha em direção ao leste. Entretanto, só foi com os romanos que a expansão plena das cidades foi possível, principalmente para as regiões não urbanas do oeste: França, Inglaterra, Países baixos, a região oeste do Reno, Europa Central e até mesmo Oriental.

Porém, com a falência do Império Romano grande parte das suas cidades desapareceram junto com o império, desde a capital do Ocidente, até muitas cidades periféricas. Mas nem todas sumiram do mapa: Bizâncio, uma cidade-estado sem muita importância, tornou-se a capital do Império Ocidental, sendo importantíssima durante toda a Idade Média, e mesmo ao ser tomada pelos turcos continuou como capital e até hoje sobrevive como uma grande cidade sob o nome de Istambul.

Istambul (antiga Constantinopla)

Istambul (antiga Constantinopla)

Na Idade Média, enquanto a tecnologia europeia pouco se desenvolveu, o Império Árabe e Bizantino conseguiram manter um relativo avanço no conhecimento herdado da Antiguidade. Com o passar do tempo a Europa estabeleceu contatos comerciais com os árabes, fato esse que impulsionou a revitalização da vida urbana europeia por volta dos séculos X e XI d.C. com as cidades-estado italianas, sendo Veneza o pólo mais desenvolvido e importante para os laços comerciais.

Depois do século XI, muitas cidades europeias já eram autônomas em relação aos seus reinos e adquiriram independência econômica, e algumas até política. Tal mudança proporcionou um ambiente extremamente favorável para o comércio e para o fortalecimento da indústria manufatureira urbana. Com o declínio da Idade Média, as cidades perderam sua autonomia, pois começaram a surgir os Estados Nacionais com a acumulação de poder nas mãos do rei.

E assim finalizou o período das cidades independentes e economicamente estagnadas da idade Média, entrando no período das grandes cidades industriais do período Moderno, altamente dependentes da indústria e do governo.

Fontes: O Clã dos Bardos, Tudo Interessante, Uol.

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