Carreira: Engenheiro Urbano

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A administração das cidades é um processo complexo, que exige conhecimento amplo e cada vez mais necessita de um profissional capaz de gerenciar e integrar os diversos setores. Assim, a especialidade de engenheiro urbano é cada vez mais cotada para realizar essa tarefa. Contudo de específica essa função tem pouco, pelo contrário, o campo de atuação é vasto e bastante diversificado, dentre as atuações deste profissional encontram-se  a idealização de melhorias para as cidades e de políticas públicas, passando por projeto, planejamento, execução e gerenciamento de obras, fiscalização, até chegar à manutenção de equipamentos urbanos e sistemas técnicos. Ele trata de questões como: água, esgoto, tráfego, resíduos sólidos, áreas de preservação ambiental, trens, metrô, portos e habitação, atuando junto a órgãos públicos, mas servindo também a entes privados (muitos deles licitados) e organizações não governamentais (ONGs).

Mas ainda são muitas as dúvidas a respeito da profissão, por exemplo, qual a diferença entre o Engenheiro Urbano e o Engenheiro Civil? Esse profissional não atuaria de certa forma na área do arquiteto-urbanista? Conheça um pouco mais sobre o curso e a carreira por meio das entrevistas de dois profissionais envolvidos no setor.

Alex Kenya Abikoprofessor do Departamento de Engenharia de Construção Civil (PCC) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo

 

i320044Alguns pesquisadores estão utilizando o termo engenharia urbana para caracterizar uma especialidade técnica. Que especialidade é esta?
A engenharia urbana vem de uma forte tradição europeia, particularmente francesa, onde é conhecida como “génie urbain”. A contraposição desse conceito no mundo anglo-saxão é o que os ingleses chamam de “municipal engineering” – engenheiro municipal, que no Brasil já existiu, quando as cidades eram muito menores, sob o título de engenheiro municipalista. Esse profissional tinha a responsabilidade de fazer a própria gestão da cidade e projetar infraestruturas. A bem da verdade, o engenheiro urbano, na origem, é aquele que trabalha na municipalidade com tudo o que diz respeito às questões técnicas da cidade: drenagem, esgoto, água, transporte etc.

E essas especialidades reduziram o papel dos engenheiros no gerenciamento das cidades?
Não. Mas, atualmente, começa-se a perceber que os problemas urbanos não são mais resolvidos pela somatória de conhecimentos especializados, tampouco por questões de desenho ou de legislação. (…) Então, começa a fazer falta um conhecimento sistêmico que consiga cruzar todas as especialidades da infraestrutura urbana. Até porque, quando se discute o plano diretor, aspectos arquitetônicos e urbanistas não dão conta da tecnicidade necessária. No fundo, resolver os problemas urbanos é trabalhar em equipe.

O que chama de conhecimento sistêmico? É um profissional que domina as diversas áreas técnicas da engenharia aplicada em cidades?
Não existe um superengenheiro que tenha capacidade de resolver todos os problemas urbanos; que saiba como resolver a questão ambiental – cada vez mais complexa, a questão dos transportes, que está relacionada às questões de recursos hídricos, que por sua vez se relaciona com as questões energéticas, que estão relacionadas não apenas a questões técnicas, mas também sociais, de geração de emprego, violência etc. Hoje, a prática da engenharia urbana está muito mais ligada à necessidade de cruzar várias especialidades técnicas.

Se não é um super-homem, o engenheiro urbano, com todos esses desafios e pré-requisitos, deveria ser, pelo menos, um profissional muito qualificado e de nível sênior, não?
Sim, em tese é recomendável que, para lidar com as questões atuais de gestão de cidades, seja um engenheiro com experiência. Mas, no Brasil, o conceito de engenheiro municipal foi depreciado até pouco tempo atrás. Tanto por questões ligadas à corrupção, à capacitação técnica, ou mesmo aos baixos salários que o poder público oferecia. Há alguns poucos anos, abriam-se concursos para trabalhar em prefeituras e quase ninguém se candidatava. Hoje, esse cenário está mudando rapidamente. Já se paga bons salários na gestão municipal, que começa a atrair profissionais muito bem qualificados. Também já se começa a ter mais clareza sobre a função e importância do engenheiro urbano na administração pública. Porém, é evidente que atualmente grande parte dos municípios brasileiros tem um corpo técnico pouco qualificado.

Como se forma ou qualifica o engenheiro urbano?
Como este que citei, o Ministério das Cidades tem hoje programas de qualificação, mas não são suficientes. Os consórcios municipais envolvem a colaboração voluntária entre municípios e podem ser uma ferramenta interessante para capacitação de profissionais.

E na academia?
Na Escola Politécnica da USP, dentro do programa de mestrado e doutorado em engenharia civil, há uma especialidade de engenharia urbana. Na cidade do Rio de Janeiro, há um curso de especialização em engenharia urbana e dois mestrados na área: um na PUC [Pontifícia Universidade Católica] do Rio de Janeiro, e outro na Federal do Rio de Janeiro [UFRJ]. Também há cursos em São Carlos [SP], Maringá [PR], em João Pessoa [PB] e Salvador. Cada vez mais, outros cursos e programas no âmbito da pós-graduação estrito senso – mestrado e doutorado – têm sido criados.

Bruna Felicio, engenheira urbana e doutoranda do PPGEU – UFSCAR

 

i338608Qual a diferença entre a Engenharia Urbana e a Civil?
A primeira é parte importante da segunda, abordando os problemas das cidades de forma sistemática, abrangente, mas também sob visão mais holística, importante na busca de soluções.

Como fica o arquiteto-urbanista diante dessa nova figura? Eles vão concorrer no mercado?
Creio que os problemas das cidades são tão amplos e complexos que haja mercado para todos os bons profissionais, não só da engenharia e da arquitetura, mas também geógrafos, biólogos e outros que busquem soluções para esses problemas. Assim, as boas equipes de trabalho deverão ser formadas por profissionais de diversas áreas.

Quais são as atribuições práticas de um engenheiro urbano?
Já atuei como consultora na elaboração de planos diretores, de bacias, de saneamento, de macrodrenagem, de habitação de interesse social e até desenvolvimento de estudos de impacto de vizinhança. Como consultora, participei em todas as fases do projeto, desde reuniões com gestores da administração pública, visitas técnicas em campo, audiências públicas para divulgação e debate dos trabalhos, até a elaboração e redação final dos planos e estudos.

Ainda, segundo Bruna, não seria interessante haver graduação própria na área de Engenharia Urbana, pois não há uma dissociação entre esta e a Engenharia Civil. Uma graduação específica deixaria profissionais carentes de embasamento técnico muito importante para atuação plena da engenharia.

Os perfis dos profissionais que buscam especialização na área são diversos, desde estudantes recém-formados que se interessam pela carreira, até profissionais já atuantes no setor que veem a necessidade de um conhecimento mais vasto. A remuneração é em média R$ 5 mil, nos escritórios de engenharia consultiva, podendo o valor variar muito de acordo com o porte da empresa e a sua localização.

Fontes: Infraestrutura Urbana, Revista Téchne

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