Detroit: uma cidade decadente e abandonada

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Situada entre os lagos St. Clair e Erie, no estado americano do Michigan, Detroit vive atualmente uma situação de abandono. Antigamente considerada a capital do automóvel, hoje em dia acumula uma dívida de US$ 18 bilhões.

Passado de glória

Nos anos 50, a cidade produzia metade dos veículos vendidos no planeta e tinha 1,85 milhão de habitantes, sendo considerada a quarta maior cidade americana. Porém, a população caiu para 685 mil pessoas, uma queda de 65%.

Recessão

Na década de 1970, Detroit entrou em recessão econômica devido ao crescimento das companhias japonesas e coreanas produtoras de automóveis que espalharam suas linhas de produção pelo mundo, o que acarretou em dificuldades para a indústria automobilística americana, em especial Detroit.

E não só o setor automobilístico foi prejudicado. Os Estados Unidos perdeu o posto de maior país manufatureiro do mundo. Em Detroit o movimento foi especialmente perverso. Entre 1970 e 2007, a cidade perdeu 80% de suas fábricas e 78% das lojas de varejo. A saída da população deixou para trás casas desabitadas, edifícios vazios, escritórios desertos, escolas obsoletas e levou à redução cada vez maior da receita de uma prefeitura obrigada a administrar uma área geográfica que não encolheu com a população.

Concordata

A situação foi agravada pela má administração pública, levando Detroit à insolvência, com uma dívida de US$ 18 bilhões. Em dezembro de 2013 tornou-se a maior cidade americana a entrar em concordata.

Dados mostram que a cidade é incapaz de oferecer serviços básicos aos moradores, revelando alguns dos piores indicadores sociais dos Estados Unidos. 36% da população vive abaixo da linha de pobreza – mais que o dobro da média de 15,7% do Estado de Michigan. 16,2% é o índice de desemprego – quase dez pontos percentuais acima da média nacional de 7%.

Cidade abandonada

Mas é na estrutura urbana que a decadência se revela a olho nu.  O governo estima que há pelo menos 78 mil casas vazias na cidade. São 100 mil terrenos vazios, grande parte após demolição de antigas residências. Em 2012, a prefeitura leiloou 12 mil terrenos, com valor mínimo de US$ 500 (R$ 1.150) cada. Mais da metade não teve interessados. Dos 350 parques e praças da cidade, apenas 107 estão abertos, mas 51 devem ser fechados nos próximos meses; 40% da iluminação pública está desativada.

Revitalização

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Diante da falência dos serviços públicos e do agravamento da crise financeira da cidade, a elite empresarial começou a se movimentar e a desenhar seus próprios planos para o futuro de Detroit.

A empresa Quicken Loans, maior companhia americana de concessão de crédito imobiliário pela internet, investiu US$ 1,3 bilhão nos últimos três anos na compra de 45 edifícios no centro de Detroit.

“Convencemos mais de 90 empresas a virem a Detroit. Agora temos Twitter, Google, Amazon, empresas de publicidade, arquitetos”, diz Matthew Cullen, CEO da Rock Ventures, a holding que congrega a Quicken Loans e outros negócios do bilionário Dan Gilbert, que nasceu em Detroit há 51 anos. Hoje, o grupo tem 12 mil funcionários na região central.

Além do desejo de revitalização, os empresários são atraídos pelo baixo preço dos imóveis e promessa de lucros que virão em um cenário de recuperação. Segundo Cullen, a Rock Ventures/Quicken Loans pagou em torno de US$ 86 o metro quadrado na compra de edifícios em Detroit, entre 10% a 20% do que desembolsaria pelo aluguel de imóveis semelhantes em Nova York.

A edição 2014 do NAIAS ( North American International Auto Show ) – Salão do Automóvel de Detroit, que ocorre até o dia 26 de janeiro de 2014, é vista como uma oportunidade de entrada de capital na cidade. Com mais de 850 mil visitantes esperados, “o evento gera 365 milhões de dólares (mais 900 milhões de reais)” para Detroit.

Futuro

O demógrafo Kurt Metzger, que há quase 40 anos analisa estatísticas de Detroit, vê duas cidades em universos distintos. “Há grande entusiasmo com o renascimento do centro e de Midtown (bairro artístico e universitário), mas outras regiões enfrentam criminalidade, falta de emprego e educação de má qualidade.” Cullen reconhece o problema e diz que em algum momento as duas cidades terão de se encontrar. “Uma parte da cidade pode se mover antes da outra? Sim. Ela pode ser sustentável a longo prazo sem a outra? Não.” Mas ele acredita que a expansão irá com o tempo integrar a parcela hoje excluída do renascimento experimentado na região.

 Fonte: Estado de São Paulo

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