Santa Maria del Fiore – o segredo por trás do domo de Florença

Santa_Maria_de_del_Fiore_1Localizada na cidade de Florença, a Basílica Santa Maria del Fiore é mundialmente conhecida por sua monumental cúpula. O projeto básico foi elaborado por Arnolfo di Cambio no final do século XIII. Mas o domo, responsável pelo brilhantismo da obra, foi projetado pelo arquiteto renascentista Filippo Brunelleschi e só foi concluído em 1436.

Mas o que faz dessa cúpula em especial tão interessante? Existem muitas outras parecidas pelo mundo, então por que atrai tanta atenção?

Filippo Brunelleschi

Filippo Brunelleschi

Brunelleschi foi o vencedor do concurso promovido para elaborar a cúpula. Foi questionado sobre seu projeto, por considerarem coisa de maluco. Ele desenhou uma estrutura com 91 m de altura, com 45,5 m de diâmetro em forma dupla, ou seja, duas cúpulas, uma interna e outra externa com 463 degraus no interior (como se fosse um sanduíche de degraus) com um peso de aproximadamente 37000 toneladas, composta por mais de 4 milhões de tijolos, a ser montada sem andaimes. Isso mesmo, a estrutura partiria do “tamburo” (a parte da catedral onde a cúpula ficaria apoiada) até ao seu final, a 114,5m de altura, com os tijolos sendo intertravados sem nenhum tipo de apoio. Os círculos que formam a cúpula foram subindo e se fechando, lembrando a forma de um iglu. Mesmo sendo duramente criticado, o arquiteto executou o projeto e hoje, quase 600 anos depois, a cúpula impressiona a todos.

Ao longo dos séculos vários pesquisadores e arquitetos tentaram descobrir e até reproduzir a sua construção. A grande dúvida sempre foi descobrir como Brunelleschi conseguiu construir a enorme cúpula sem usar um suporte de ferro ou de madeira. Várias foram as teorias, mas o arquiteto Massimo Ricci conseguiu, após 30 anos de pesquisas, desvendar o grande mistério.

Arquiteto Massimo Ricci

Arquiteto Massimo Ricci

Brunelleschi estudou o Panteão de Roma e outras abóbadas romanas e descobriu um modo de construir um domo assentando na pedra octogonal uma serie de anéis concêntricos ou fileiras horizontais de tijolos e pedras, cada uma suficientemente forte para sustentar a seguinte. As pedras formaram oito pesados espigões assentados nas esquinas do octógono.

Santa_Maria_de_del_Fiore_Plano_3

OLYMPUS DIGITAL CAMERADispostos em duas camadas diferentes e de duas formas diferentes, é a estrutura interna, que é a que aguenta o peso da construção, onde os tijolos foram dispostos na diagonal, “como a espinha de um peixe”, disse Ricci, explicando que “sem utilizar material metálico algum, como muitos estudiosos defenderam no passado, mas sim graças a um sistema de cordas que permitia calcular a posição e o ângulo exato a que cada tijolo devia ser posto”. Para esconder esta técnica, Brunelleschi ordenou que se marcassem os tijolos que ficavam à superfície com um risco, para deixar crer que tinham sido dispostos na vertical. “Um sistema único e nunca mais repetido na história”, garante. O estudo de Ricci só foi possível através de uma sonda, colocada em uma fenda aberta na cúpula. Desta forma, o arquiteto conseguiu ter acesso ao “coração” do monumento. A sonda conseguiu entrar na estrutura com uma profundidade de cerca de dois metros, permitindo a Massimo Ricci obter imagens endoscópicas nunca antes conhecidas.

Santa_Maria_de_del_Fiore_Plano_1

“Aquilo que eu pude verificar com um exame endoscópico na cúpula não contribui apenas para o conhecimento aprofundado da estrutura, como é também muito importante para intervir no seu restauro e consolidação. De fato, eu pude ver que os buracos estão em boas condições e isto é particularmente importante para a futura conservação desta obra-prima italiana”, disse o arquiteto.

Fonte: National GeographicPortal Itália, Público

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