Engenharia Extrema – cidade subterrânea de Chicago

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Chicago abriga alguns dos maiores e mais famosos arranha-céus do mundo, mas o futuro da cidade pode estar no subsolo. Uma nova cidade, a trezentos metros sob a superfície, pode ser a solução para a falta de espaço e isso não é apenas tecnologicamente possível como pode ser essencial.

Os problemas e a alternativa

Chicago é a terceira cidade mais populosa dos Estados Unidos atualmente com 2,8 milhões de habitantes. Porém, o sucesso da cidade que permitiu sua prosperidade está causando também o seu colapso. Durante os dias úteis quase 7 milhões de pessoas passam por lá e até mesmo os subúrbios já sofrem os problemas da superpopulação.
Como em toda metrópole, o trânsito é uma das questões principais e neste quesito a cidade só fica atrás de Nova York em termos de congestionamento. No centro da cidade, os principais meios de transporte são os trens denominados “L”, apelido que é uma abreviação para “elevated” já que grande parte do percurso é constituído por vias elevadas. Contudo, este que é um dos transportes mais antigos da cidade  já não é mais capaz de suportar o intenso fluxo de passageiros, principalmente nos horários de pico e por motivos econômicos a expansão do sistema é inviável. Assim, o intenso fluxo de carros cresce constantemente e cada vez mais a situação se aproxima do caos.

A cidade já não tem mais para onde crescer, ao redor são poucas as áreas que ainda não foram ocupadas e no centro, os preços dos terrenos são extremamente altos. Na busca de uma solução inovadora e eficiente e como construir para cima já não é mais uma opção, uma vez que os arranha-céus já dominam a paisagem da região, os engenheiros propõem uma nova solução: construir no subsolo. A proposta é construir literalmente uma cidade embaixo do centro de Chicago, com mais de cem andares abaixo do solo contendo apartamentos, escritórios e até parques.

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Esquema de alternância de camadas no subsolo

A construção no subsolo é uma alternativa que vem se tornando cada vez mais plausível com o surgimento de novas técnicas, e nenhum lugar seria melhor para testar essa solução do que uma das cidades mais progressistas do planeta. Além disso, geologicamente, o subsolo da região também oferece as condições ideais para realizar as escavações necessárias sem causar danos à cidade acima. Ele é constituído por camadas alternadas de rocha calcária e xisto, sendo assim possível utilizar as camadas estáveis de rochas calcárias para a construção. A ideia é perfurar o calcário e reutilizar parte do próprio calcário escavado como agregado para a produção do concreto que será utilizado na cidade subterrânea.
Os estudos para permitir a construção da nova cidade devem ser intensos levando em consideração vários aspectos relevantes, como por exemplo a questão: como perfurar o solo sem danificar a fundação dos prédios sobre ele? O indicado é construir o primeiro nível da cidade por baixo de todas as estruturas já existentes, cerca de 100 metros abaixo da superfície. Outra questão importante é como conter a água do Lago Michigan e evitar que ela invada a abertura subterrânea?

Os desafios da construção

O projeto previsto seria suficiente para abrigar centenas de milhares de pessoas, mas pode trazer riscos e dificuldades de dimensões gigantescas. Os aspectos mais importantes a serem pensados são a ventilação e iluminação. Para o primeiro, a resposta vem de Boston, onde os responsáveis pela construção de extensos túneis tiveram que criar uma solução eficiente para a sua ventilação. Perto das entradas, ventiladores de alta pressão fazem o ar circular, mas nos túneis mais profundos, o ar é transportado por meio de dutos e impulsionado por enormes ventiladores capazes de gerar ventos de até 100 km/h. Em Chicago, pretende-se adotar um sistema semelhante porém em uma escala bem maior. As paredes e pisos da cidade subterrânea estarão repletos de câmaras de ventilação e ventiladores localizados na parte inferior puxarão o ar fresco através de túneis de admissão conectados à superfície.

Quanto à iluminação, nos níveis superiores isto seria fácil de se resolver por meio da implantação de enormes claraboias que permitiriam a penetração da luz solar. Mas, mais abaixo, a luz não chegaria e mesmo a luz artificial não seria adequada já que os seres humanos precisam da luz solar para regular seu organismo. Então, o desfio dos engenheiros está sendo criar um sistema que reproduzisse a luz natural, dando a sensação de dia e noite.

Como podemos perceber os problemas são muitos, mas será que a construção de uma cidade subterrânea não apresenta nenhuma vantagem em relação à construção na superfície? Na verdade, há sim grandes vantagens, uma delas é por exemplo a proteção contra a neve e o frio que castigam a região no inverno. A temperatura no subsolo é previsível, até 60 metros abaixo da superfície ela se mantém constante em torno de 13° C e a partir daí aumenta 1° C para cada 30 metros a mais de profundidade. Ou seja, os moradores da cidade subterrânea teriam temperaturas bem mais agradáveis do que os moradores da superfície.

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Modelo de cidade subterrânea

Se forem superados os obstáculos e se for possível a construção da cidade subterrânea os problemas da cidade acima também serão reduzidos. O transporte será mais eficiente visto que as pessoas não virão de fora da cidades, mas debaixo dela. Na superfície a cidade terá menos gente, menos carros e mais espaço para áreas de lazer. Segundo os pesquisadores, há tecnologia sendo desenvolvida  capaz de permitir o empreendimento,  mas uma barreira ainda maior ainda precisa ser transposta, a psicológica. Será que as pessoas se acostumarão a viver no subterrâneo?

Assista ao documentário completo em:

Fonte: Documentário Engenharia Extrema – Cidade subterrânea, Discovery Channel

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