Geologia de Engenharia

Por Ariadne Andrade1Os vários acidentes que infelizmente ocorreram e que continuam ocorrendo em obras de engenharia em todo país, têm trazido à tona a relação dessas obras com os terrenos geológicos em que são construídas. E, assim, evidenciam a enorme importância que as investigações geológicas têm para o êxito técnico desses empreendimentos.

A abordagem da Geologia de Engenharia é essencialmente fenomenológica, ou seja, busca através da análise de parâmetros obter um Quadro Fenomenológico que possa descrever e prever comportamentos do maciço e dos materiais afetados pelas futuras solicitações da obra.  Seu objetivo é oferecer ao projetista o quadro completo dos fenômenos geológico-geotécnicos que podem potencialmente ser esperados da interação entre as solicitações próprias da obra que será implantada e as características geológicas (materiais e processos) dos terrenos que serão por ela afetados.2

A esse quadro fenomenológico a Geologia de Engenharia junta suas sugestões de cuidados e providências que projeto e obra deverão adotar para ter esses fenômenos sob seu total controle.

É importante também que façamos uma análise geotécnica antes mesmo de efetuar a compra do terreno para uma obra, tema este abordado em artigo por Álvaro Rodrigues dos Santos – ex-diretor de Planejamento e Gestão do IPT e ex-diretor da Divisão de Geologia além de vencedor do Prêmio Ernesto Pichler da Geologia de Engenharia e consultor em geotecnia. O geólogo lista o que deve ser considerado do ponto de vista geotécnico e ambiental ao adquirir um terreno para construção e afirma que análise é essencial na prevenção de prejuízos financeiros, patrimoniais e de imagem institucional, vejamos:

– Comprovação de existência ou não, no interior da gleba e em seus entornos, de nascentes, cursos d’água, altura limite de morros, declividades limite de encostas, etc., enfim de todas as feições naturais que teoricamente possam determinar a delimitação de APP’s – Áreas de Preservação Permanente nos termos do Código Florestal em vigor.

– Comprovação ou não da existência de feições geológicas ou ecológicas que impliquem na necessidade legal de sua proteção ambiental especial.

– Comprovação da existência ou não de setores com declividades acima de 30% que impliquem restrições à sua ocupação, conforme a LEI Nº 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979, também conhecida por Lei Lehmann.

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– Comprovação da existência ou não de solos ou água subterrânea com contaminação química ou biológica impeditiva da livre ocupação da área.

– Avaliação da existência de processos erosivos ou de deslizamentos que demandem necessidade de serviços de estabilização geotécnica.

– Comprovação ou não, para terrenos calcários, da existência de cavernas subterrâneas (terrenos cársticos).

– Verificação se o terreno ocupa faixa litorânea sujeita a avanços naturais do nível do mar ou ação sazonal de marés e ressacas.

– Comprovação da existência ou não de camadas argilosas com potencial de gerar problemas construtivos geotécnicos, como rupturas e recalques.

– Comprovação da existência ou não de camadas de solos colapsíveis com potencial de gerar problemas geotécnicos, como abatimentos no terreno.

– Comprovação da existência ou não de elementos ou vestígios de valor histórico-arqueológico que possam impedir ou dificultar a livre ocupação do espaço.4

Observando atentamente estes detalhes antes de adquirir um terreno e fazendo as investigações geológicas necessárias para sua obra certamente evitará prejuízos e até mesmo acidentes.

Fonte: PiniWeb

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