O campus da UFJF

Por Lucas Alves Penna

quarta-universitaria4

“A minha ideia era a seguinte, é o que eu sempre dizia, eu queria levar uma parte da cidade lá pra cima, pro campus. Um ponto de convergência, de união, de convivência entre professor e estudante, porque hoje cada um está para o seu lado. Então se eu, por exemplo, tenho a Biblioteca ao lado do restaurante enquanto eu estou esperando um colega para almoçar com ele ou qualquer coisa, eu aproveito esse tempo para ir a biblioteca ver os periódicos, ou vice-versa. Qualquer encontro será sempre marcado daquele ponto.”

O campus da Universidade Federal de Juiz de Fora foi projetado em 1965 pelo Engenheiro Arquiteto Arthur Arcuri. Juiz forano, formado em engenharia pela Escola Nacional no Rio de Janeiro, foi autodidata em arquitetura e reconhecido mundialmente por seus projetos pioneiros no modernismo.

Untitled

Inicialmente Arcuri havia sido convidado para ser professor de História da Arte na Faculdade de Filosofia, que mais tarde seria incorporada à Universidade Federal, ainda sem campus. O então Reitor Moacyr Borges nomeou uma comissão para avaliar e acompanhar o projeto que seria feito, e Arthur Arcuri foi chamado para participar da comissão.

Com a doação pela prefeitura do terreno do atual campus, foi feito um projeto pelo arquiteto Ademar Fonseca. Ao fim de uma reunião para exposição do projeto com a comissão e todos os diretores de unidades, o reitor Moacyr Borges perguntou a Arthur o que ele achava do projeto e ele, em frente ao arquiteto, respondeu que seu projeto era “acadêmico, superado, inexequível”. Após o choque Arthur passou a estudar o problema da construção do campus e em seguida assumiu o projeto.

Untitled2

Em seu projeto buscou privilegiar as áreas verdes reflorestando grandes áreas, o encontro entre alunos e professores posicionando a praça cívica, reitoria e biblioteca no centro do campus, integrou a topografia existente ao projeto ao criar platôs, manteve o lago e o tornou parte do cenário, optou pela via circular central evitando cruzamentos desnecessários e projetou os prédios buscando aproveitar a luz e a circulação de ar.

Entendia que o campus tinha função de vivência e de ensino e pesquisa, e de acordo a escola modernista atenderia aos princípios de trabalhar, circular e recrear-se. Enxergava a Universidade como fomentadora de cultura e lazer e portanto seu campus deveria ser reflexo desse objetivo.

Dessa forma, hoje o campus da UFJF é reconhecido como um dos mais bonitos do Brasil, senão o mais bonito. Seu espaço também é utilizado por centenas de pessoas diariamente para prática de atividades físicas e recreação, tornando projeto de Arthur Arcuri realidade.

Neste ano Arthur Arcuri completaria 100 anos, portanto uma série de eventos estão sendo realizados em sua homenagem. Atualmente está aberto um concurso de monografias sobre a produção intelectual de Arcuri na FUNALFA com prêmios de até R$3.000. Para quem queira conhecer mais recomendo o livro “Arquitetura Moderna em Juiz de Fora – A contribuição de Arthur Arcuri” de Rodrigo Santana e Stella Pugliesi.

Untitled3

Anúncios

Um pensamento sobre “O campus da UFJF

  1. O campus é lindo sim mas este modelo de separação das faculdades/unidades é totalmente sem propósito nos dias atuais. Alunos de Engenharia só encontram alunos das exatas e isto se espalha por todo campus. A ideia de universidade pra mim não foi satisfeita. Existem faculdades isoladas apenas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s