Diário de Bordo – A Estrutura das Universidades na Alemanha

petsemfronteirasJoao TitoSou João Tito, estudante de engenharia elétrica na UFJF e passei os últimos seis meses na cidade de Rostock, Alemanha, onde fiz um semestre de intercâmbio.

Começando pelo processo seletivo, fui através do programa de intercâmbios da própria universidade. O processo consiste na divulgação de edital e cumprimento de uma série de exigências do mesmo (como apresentação de currículo, entrevistas, reuniões, …). Acho que não vale muito a pena falar nisso tudo, pois o edital pode mudar. O importante é ficar de olho quando ele sair e segui-lo. No fim eles vão te dizer que “a bolsa vai cair no dia tal”, “ou no dia tal”, mas o que determina mesmo é o que está escrito. Ela vai cair no dia em que está determinado no edital, assim como todo o resto acontecerá dessa forma.

Como experiência pessoal o intercâmbio é, claro, uma experiência incontestável. Ter que se virar de uma hora pra outra totalmente sozinho (e em outra língua) realmente vale muito a pena. Isso sem falar no fato de conhecer pessoas, culturas, poder viajar ainda pelos lugares em que você sempre quis estar… mas para falar de curiosidades do país, resolvi falar do que aprendi sobre a estrutura das universidades da Alemanha.

Outono na Alemanha

Outono na Alemanha

Na Alemanha não existem matérias obrigatórias ou eletivas. É bem interessante. Na verdade existe uma oferta de matérias, como a grade aqui, e o aluno escolhe as que irá fazer. Claro que não é uma coisa “jogada” para cima de um(a) garoto(a) que acaba de entrar na faculdade e nem sabe o que o esperar dela. Os alemães são realmente organizados e o aluno é assessorado por uma espécie de “conselheiro estudantil”, que orienta as suas escolhas.

A principal consequência disso, é que os estudantes alemães não tem uma turma na faculdade. Claro que você cruza muito frequentemente com as pessoas do seu curso, ou da sua área na faculdade, e acaba tendo mais afinidade com alguém. Mas acaba não havendo aquela situação que vivemos no Brasil de estar quase sempre sentado ao lado das mesmas pessoas o dia todo, aquele grande grupo.

Outra diferença interessante é que lá eles fazem muito mais exercícios que nós. Na verdade, enquanto no Brasil só fazemos exercícios em sala se o professor for ‘bonzinho’ e fizer alguns na véspera da prova, lá as aulas são divididas entre expositivas e de exercícios. Se a matéria não é como um laboratório de informática, em que o aluno naturalmente já se exercita ao longo das aulas, metade do tempo é dedicada a exercícios e metade a aulas expositivas.

É interessante ver que ao longo do semestre o aluno realmente aprende melhor a matéria (‘pega a manha’). As aulas de exercícios têm uma estrutura mais de seminário, em que se espera a participação do aluno. As soluções são construídas pelo grupo todo, não sendo raro um aluno ir para o quadro mostrar sua resolução.

Curioso foi conversar com um amigo meu que cursou um semestre de direito por lá também. Ele me disse que aqui no estudo do direito nunca se faz exercícios e que os alemães se espantaram ao ouvir isso: “Como vocês aprendem?!”, foi uma pergunta até recorrente. É realmente uma maneira diferente de ver as coisas…

As provas são uma por semestre para cada matéria, não sendo incomum o professor pedir três trabalhos ao longo do semestre, nos quais o aluno deve ser aprovado em pelo menos dois para estar apto a fazer a prova. Engraçado mesmo é que no começo da avaliação o aluno assina um papel dizendo estar saudável e em condições de fazê-la. Depois de assinar, não tem mais como pedir uma prova extra ou segunda chamada.

Estrutura da biblioteca na Alemanha

Biblioteca central da Universidade de Rostock

No mais, falando de estrutura, a universidade lá realmente é um sonho. Salas bem equipadas, bibliotecas grandes e confortáveis, professores que não deixam de dar suas aulas… A conclusão a que eu cheguei foi que estudar por lá é realmente algo confortável. O aluno não encontra muitas dificuldades (ou nenhuma, quem sabe?) quando está interessado em aprender alguma coisa.

Nisso a gente está mesmo para trás, mas talvez seja essa também a causa de sabermos nos virar tão bem, dar um jeito nas coisas… Isso eu não poderia dizer com certeza. Verdade mesmo é que não somos piores do que eles. Não existem somente gênios por lá, caras que sabem tudo de tudo. O que tinha que acontecer era acreditarmos mais na gente e no Brasil: temos muito potencial, muita gente competente e ainda um sol de dar inveja no mundo todo.

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