PET Sem Fronteiras – Como aproveitar ao máximo o seu intercâmbio

Julia, correspondente londrina do Blog do PET Civil, diretamente de uma visita técnica ao novo Centro de Exposições do British Museum

Julia, correspondente londrina do Blog do PET Civil, diretamente de uma visita técnica ao novo Centro de Exposições do British Museum

Saiu o resultado do Ciência Sem Fronteiras 2013 e você já virou o assunto da família! Ou você ainda está com aquele friozinho na barriga, esperando mais notícias da sua universidade ou o bendito resultado do teste de proficiência. Ah, que angústia.

Mas a promessa de viagens, novas culturas e um mar de conhecimentos certamente compensa.  E quando a espera acaba… garanto que até as maiores expectativas são superadas. É com muito orgulho que eu, uma agora “veterana” do Ciência Sem Fronteiras, deixo para os   “calouros” 3 dicas muito importantes sobre como aproveitar o máximo esse breve, mas tão intenso período.

Participe! Envolva-se!

Para alguns, 6 meses é muito. Nas 4 semanas finais de intercâmbio, parece que 2 anos não seriam o suficiente. Por isso, a primeira dica é: tope tudo! Temos o resto da vida para descansar quando voltarmos ao Brasil.

Todas as instituições oferecem as mais variadas atividades: esportes, clubes de afinidades, palestras, visitas técnicas, viagens, congressos, ufa! Participe de ao menos 1 evento de cada uma das categorias acima e você terá feito… o mínimo com essa oportunidade maravilhosa que o governo está oferencendo.

Tenho uma conhecida, amiga de longa data, que veio para a mesma universidade que eu, na mesma época. Ela se cadastrou nos grupos de e-mail de seus interesses: engenharia civil, escalada, dicas de carreira, etc. E se inscrevia em todos os eventos possíveis e cabíveis na agenda. Como resultado, ela aprendeu sobre networking, liderança,entrevistas de emprego, visitou projetos décadas à frente das atuais obras brasileiras, conheceu lugares maneiríssimos, conheceu pessoas legais e fez contatos interessantes.

Resumindo: Se as oportunidades não chegam até você, corra atrás. Não fique parado! Aproveite o máximo! Seu currículo e seu desenvolvimento pessoal agradecem.

Estude a semana toda e viaje o fim de semana inteiro (não o contrário)

Viajar é bom – na verdade, viajar é ótimo: história, novos pontos de vista, aprender com os erros/acertos de outros países, relaxar e se maravilhar é o mínimo do que nos espera nesse mundão. Acreditem, os passeios fazem parte do intercâmbio. Dá vontade de trazer para o Brasil: o metrô do Porto, a boa sinalização de Londres (tem que fazer força para se perder por aqui), as bicicletas de Amsterdam, a organização urbana de Barcelona, entre vários outros exemplos.

O que não vale é matar aula para isso. Alguns pensam que esse ano não é para “ser levado a sério”. Outros dizem: “dessa água não beberei”, mas caem na gandaia na primeira semana. O fato é que acontece bastante: intercambistas tiram a semana “de folga” para viajar. Pensem bem: em 1 ano há 52 semanas. Das quais 2 dias geralmente não tem aulas. Isso dá: 104 dias para viajar. Visitando um país em cada fim de semana, é possivel percorrer 50% dos territórios da Terra em 1 ano, sem perder conteúdo.

Pensem em 2 coisas: 1) é o dinheiro público que está nos bancando por aqui, e nós temos deveres a cumprir (isso se chama ética). 2) Você nunca saberá as oportunidades que está perdendo.

Ecobuild 2013 – London

Caso verídico: Essa conhecida recebeu um e-mail de uma feira de construção sustentável em Londres, enquanto suas parceiras de Engenharia Civil viajavam em pleno meio de semestre. Ela decidiu comparecer, mesmo sozinha. As palestras foram incríveis e a feira era estonteantemente grande, repleta das mais novas tecnologias. Entretanto, o ponto alto da tarde foi bater um papo e trocar contatos profissionais com o Diretor de Engenharia de uma das maiores firmas de construção do Brasil.  As amigas adoraram o passeio, mas perderam uma oportunidade incrível.

Cada um com sua consciência, claro, ninguém é santo e até essa conhecida dedicada já matou umas sextas-feiras. Mas lembre-se: no futuro, um profissional de sucesso pode viajar quando quiser, com muito mais conforto do que o mochilão-de-estudante-pobre de hoje.

Saia um pouco da “panela” brazuca

Outra verdade: estar longe de casa seria quase insuportável, se não fosse pelos amigos brasileiros. Do lado de cá da fronteira, todos estamos na mesma situação: saudade dos pais, do namorado(a), do cachorro e da comida boa de casa. Somado a isso está a dificuldade de nos expressarmos tão bem em outro idioma. E assim são formados laços de amizade muito intensos, mesmo em poucos meses  de convívio.

Entretanto, como tudo que é demais não é saudável, ficar muito grudado na panelinha brasileira te impede de conhecer novas pessoas e interagir em novos grupos. É fácil andar com a galera que tem os mesmos costumes e a mesma língua. Difícil é puxar papo com um completo desconhecido para perguntar o que aquele professor acabou de dizer. E como embarcar em uma cultura diferente sem se conectar com as pessoas?

Essa é a última dica: faça amizades estrangeiras. Essa minha conhecida conta que até hoje já ouviu: o depoimento de um libanês que presenciou a invasão americana no Iraque, as opiniões dos amigos britânicos sobre o legado da Thatcher, como é a vida no inverno russo, e por aí vai. Informações que livro nenhum contém.

Se você é tímido, não se preocupe, há várias oportunidades de socializar: festas do curso, eventos da secretaria de intercâmbio, clubes de esportes previamente mencionados… Minha meta pessoal é: não perder nenhuma.

Viagem do Clube de Escalada da Universidade de Brunel

Viagem do Clube de Escalada da Universidade de Brunel

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13 pensamentos sobre “PET Sem Fronteiras – Como aproveitar ao máximo o seu intercâmbio

    • Não, Manuela, mas é “possível”. Existem 196 divisões políticas reconhecidas no planeta (países). Supondo que você tenha dinheiro e transporte, vc pode visitar 104 em 1 ano, o que dá 53%. Tá aí um objetivo de vida maneiro.

  1. Poxa, muito interessante ! Eu sempre fico na dúvida de fazer, por que a maioria das ofertas são de 1 ano fora, e eu acho “muito” tempo. Talvez a ideia seja justamente não ficar tão preso ao tempo e tentar aproveitar da melhor maneira possível.
    Parabéns pelo post 😀

  2. Muito instigante esse depoimento. Acho que dos 50% já foram para os 75% de coragem em ir para fora do país por um bom tempo. Matar aula uma vez ou outra é natural, claro sem perder o foco do propósito de estar no intercâmbio. 😉 É como fazemos no Brasil, e sabemos, se perdermos o foco nos prejudicamos, imaginem em outro país. Muito bom 🙂

    • Maria, tem que seguir o edital, que diz que não é permitido voltar salvo em certas situações.
      Você pode pedir permissão para sua universidade e para sua agência financiadora (CAPES/CNPq). Se ambos concordarem, não é falta de ética voltar.

  3. Excelente texto Ju… Parabéns pela iniciativa, pelas das dicas e pea sua coragem, foco e disciplina, sempre… isso me faz sentir menos saudades do Brasil no momento.

    • Sim, Bruno. Não tem como desenvolver as atividades longe, e também não podemos acumular bolsas.
      Mas continuo participando sempre que é possível. =)

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