Engenhão, o reflexo da falta de planejamento

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Se há pouco tempo a maior preocupação era a questão da mobilidade urbana durante os Jogos Olímpicos de 2016, agora, há pouco mais de três anos para o evento a comunidade internacional tem dúvidas sobre a qualidade das instalações que receberão as competições.

Os problemas detectados na cobertura do Estádio João Havelange, o Engenhão, levaram a sua interdição no mês passado e trouxeram à tona a pergunta: Será que o país está preparado para sediar grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos?

Qual é o problema do Engenhão?

O que os engenheiros sabem até agora é que há risco da cobertura ruir, os motivos do problema são ainda pouco conhecidos assim como as soluções. O laudo emitido pela empresa alemã é de que o risco de queda da cobertura existe se esta for exposta a ventos superiores a 63 km/h. Em 2007, quando a obra foi finalizada a previsão era de que houvesse um deslocamento natural do arco da estrutura metálica após a retirada das escoras utilizadas provisoriamente durante as obras. Porém, o deslocamento verificado em duas das quatro estruturas de sustentação foi 50% maior do que o previsto. E agora o Engenhão, que na época da sua construção era a estrutura com “o maior arco aberto construído sobre uma estrutura de concreto no mundo”, está em risco. 

Foi o consórcio formado pelas empresas Odebrecht e OAS que pediu a vistoria, as mesmas dizem que os problemas são estruturais causados por erros no projeto. 

Apesar da falta de informações concretas, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, decidiu pela interdição do estádio no mês passado, abril de 2013. A medida preventiva pretende impedir uma tragédia, já que como não se conhece o problema, também não se conhece o risco que ele representa.

Quem vai pagar a conta?

O Engenhão teve sua construção iniciada em 2003 para o Pan-Americano do Rio, e desde então já haviam problemas. Quando as obras começaram, a responsável era a empresa Delta, porém, alegando que não teria condições de concluir a montagem da cobertura metálica a tempo para os Jogos Pan- Americanos a empresa abandonou a construção, que assumida pelas empresas Odebrecht e OAS, que formaram o consórcio Engenhão. Ao assinarem o contrato, as empresas incluíram a cláusula que as livrava de qualquer responsabilidade pelo projeto, dessa forma, qualquer reforma necessária devido a falhas no projeto será responsabilidade da prefeitura.

 O Brasil está preparado?

O fato de o Brasil estar sediando megaeventos esportivos levou o problema a dimensões maiores do que teria tomado em outras ocasiões. Mas, de qualquer forma é preocupante que um estádio com apenas seis anos de uso tenha que ser interditado devido a problemas estruturais graves.

A análise dos procedimentos adotados para sua execução pela Prefeitura do Rio de Janeiro indica que o a questão é mais profunda, e envolve não somente esta obra em questão. Qualquer obra pública exige planejamento para ser bem realizada e não é o que vemos que vem acontecendo no Brasil.

Fazer projetos e obras às pressas não é e nunca foi uma boa prática. Sem planejamento rigoroso e a contratação de projetos executivos de qualidade, com preço e prazo adequados, o Engenhão não será o último caso desse tipo.

 

Fontes: Folha de São Paulo, G1, BBC Brasil, Veja, Portal 2014

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