Brasil tem déficit de engenheiros

                 engenharia

Faltam engenheiros no país. Os que estão trabalhando aparecem como os profissionais mais bem pagos do mercado, ao lado de médicos e graduados em carreiras militares. Mas apenas 10% dos universitários cursam algum curso de engenharia.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Brasil tem um déficit de 150 mil engenheiros. Para cada mil pessoas economicamente ativas, há seis profissionais na área. No Japão e nos EUA, por exemplo, essa proporção é de 25 para cada mil trabalhadores – dados da Finep, órgão do governo federal.

 Uma das grandes razões para os jovens não optarem por fazer engenharia é a defasagem no ensino de matemática, física e química, disciplinas básicas para o curso. Segundo um estudo da ONG “Todos Pela Educação”, só 10% dos jovens brasileiros que concluem o ensino médio sabem matemática. A pesquisa considera as notas das avaliações que o governo faz com alunos de escolas públicas e particulares. Para a responsável pelo estudo, o Brasil tem bons projetos educacionais, o desafio é fazer com que eles cheguem à sala de aula com a mesma eficiência que está no papel.

“Não dá para a gente imaginar uma sociedade que inova, uma sociedade que se desenvolve na inovação, nas novas tecnologias sem ter uma base muito bem consolidada na matemática, nas ciências. O Brasil é uma das maiores economias do mundo e um dos piores países em educação, então não dá para a gente manter essa distância do jeito que está”, afirma Priscila Cruz, diretora executiva do Todos Pela Educação.

Outra razão para os estudantes não optarem pelo curso, apontada pelo vice-diretor da Escola Politécnica da USP, José Roberto Castilho Piqueira, é a grande denominação das carreiras ligadas à engenharia. Ele diz que, em 1998, existiam 32 denominações ligadas à profissão, hoje já são mais de 50 modalidades.

“Acho que se a gente não reformular o sistema de denominações de maneira correta, de maneira precisa, sem excessos e monte de nomes, ficaremos meio sem saber o que fazer. Por isso que os jovens não se interessam pelo curso”.

Francisco Kurimori, Presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia/CREA de São Paulo, diz que quando se formou em 1973 a faculdade de engenharia era feita em 6.600 horas. Hoje os cursos são concluídos em 3.600 horas.

“Não cabe ao CREA estabelecer os currículos nas faculdades, mas ao Ministério da Educação. O problema é que, por conta do aumento da demanda e necessidade do mercado, o poder público optou por ações que aumentam a quantidade de pessoal formado, mas em detrimento da qualidade”, completou.

A valorização do profissional e a carência deles no mercado ocorre porque, na última década, o número de formandos não acompanhou o ritmo dos novos postos de trabalho.

“A demanda aumentou e a oferta diminuiu”, afirma o economista Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e da Universidade de São Paulo (USP). “A evolução do salário médio se deu justamente porque a economia do País está precisando muito desses profissionais.”

Em 2000, o Brasil tinha 141,8 mil engenheiros civis. Dez anos depois, eles eram 146,7 mil. No entanto, apesar do pequeno aumento, a proporção de graduados em Engenharia em relação ao total dos graduados caiu de 2,76% para 1,45%. “É o que chamamos de apagão de mão de obra qualificada”, resume Menezes.

O vice-diretor da Poli-USP, José Piqueira, apontou que hoje existem 140 mil vagas nas universidades de engenharia. Por ano ingressam 82 mil candidatos e 290 mil alunos se encontram hoje nas salas de aula. Desse total, 59 mil são mulheres. Por outro lado, apenas 30 mil se formam todos os anos, enquanto o mercado abre vagas para 50 mil, também no período de um ano. “O déficit de engenheiros, portanto, é crescente no país”, pontuou.

Engenharia é termômetro de desenvolvimento

O presidente do CREA-SP destacou que, até meados da década de 1970, ser engenheiro era sinônimo de quem ganhava bem. “Mas daí veio a crise econômica do país, no final da década de 1970 e durante a década de 1980, foi quando ser engenheiro passou a ser sinônimo de desempregado. Isso porque engenheiros são executores de investimentos, ligados às áreas de produção. Quando o país está recebendo muito investimento, a profissão fica em alta”.

Hoje a carreira vive uma situação exatamente inversa. O CREA de São Paulo recebeu, recentemente, do Ministério do Trabalho, uma lista de nomes e currículos de estrangeiros pedindo vistos para trabalharem no país, isso porque muitas empresas com projetos no Brasil não encontram mão de obra qualificada nas áreas de engenharia e estão contratando profissionais de fora.

“Essa é uma outra questão que temos que refletir e analisar. Quais são os limites desse ingresso de profissionais e empresas estrangeiras no Brasil?”, perguntou Kurimori.

No estudo A formação de engenheiros no Brasil o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) destaca que 36% dos indivíduos que trabalham em pesquisa e desenvolvimento nos Estados Unidos são engenheiros, indicando, em termos quantitativos, a importância desses profissionais para as atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D).

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Curva de crescimento de cursos de engenharia no Brasil, de 1930 até 2006. Por volta dos anos 1978 e 1980 a curva se rebaixa. Esse movimento, segundo Piqueira, está relacionado com o desprestígio da carreira de engenharia naquele momento, devido a crise econômica interna.

Fontes: Luiz Nassif Online, Estadao, O Globo, CREA-Piauí

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