O isolamento científico brasileiro e a importância do intercâmbio para a Educação Superior

Julia, correspondente especial do PET Civil diretamente de Londres

Seguindo o raciocínio dos últimos posts, que trataram da educação superior no Reino Unido, hoje vamos discutir a educação superior brasileira.

Conforme anteriormente dito, no ranking de universidades do Times Higher Education, de credibilidade e abrangência mundial, apenas 2 instituições brasileiras – USP e UNICAMP – aparecem na relação das melhores do mundo, e mesmo assim em posições pouco expressivas.

Consenso no mundo acadêmico, a qualidade do ensino nas IES (instituições de ensino superior brasileiras) é considerada exemplar. A explicação para a falta de universidades brasileiras no ranking recai, então, nos outros quesitos avaliados, principalmente parcerias em pesquisas internacionais, publicações e citações em periódicos de peso no mundo. O termo internacionalização da ciência e tecnologia entra, então, em voga, durante esse período de intenso desenvolvimento da economia brasileira.

Por vezes confundidos, os termos internacionalização e globalização tem sentidos muito diferentes quando o assunto é a educação superior. Globalização abrange a parcela econômica da informação: investimentos em escolas; pagamento de salários competitivos a pesquisadores notáveis; venda de patentes… Enquanto a internacionalização é desconcentração da informação, e o intercâmbio desta e de pessoas com outros países visando à geração de conhecimento.

A economia brasileira está no momento mais saudável de sua história. Mas do ponto de vista acadêmico internacional, ainda engatinhamos. Em palestra no 5º Congresso da Associação Brasileira de Estudantes de Pós Graduação, o Professor Donald Broom, do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade de Cambridge e entusiasta de longa data da educação brasileira, mencionou que até 1985 “o Brasil na existia no mundo científico”. Havia então poucos Ph.D.s, poucas pesquisas e pouca troca de informações. Hoje, com o gradual investimento na área, o Brasil produz pesquisas de qualidade e é sede de congressos internacionais.

Unanimidade entre profissionais brasileiros e estrangeiros, o principal fator retardante de nosso desenvolvimento acadêmico é a burocracia e a falta de autonomia das IES. Não é possível atrair cérebros sem um salário compatível, e a estrutura estatal rígida das instituições não permite tais extravagâncias. Ainda, todas as aulas são ministradas em português, o que dificulta o recebimento de estudantes de fora. Na China, desde o ano 2000 o governo vem aumentando o investimento na Educação Superior, buscando torná-la condizente com o atual crescimento econômico. Isso foi feito abrindo as instituições ao capital privado, ministrando aulas em inglês e permitindo que universidades estrangeiras se instalem no país. Com isso, hoje dezenas universidades chinesas podem ser vistas nos rankings das melhores do mundo, e o salto exemplar da qualidade da educação é tema de pesquisas ao redor do globo.

Há alguns anos, só as maiores universidades brasileiras enviavam pessoas para o exterior, através de contatos pré-estabelecidos de professores seletos. Agora a informação é acessível. Até o Jornal Nacional noticiou que o Governo Federal estava promovendo bolsas de intercâmbio.

Sem dúvida, ainda há muito o que se fazer. Segundo o portal UOL Educação, mesmo sendo um dos países que mais aumentaram os gastos com educação entre os anos 2000 e 2009, o Brasil ainda não investe o recomendado do PIB  em educação e está longe de aplicar o valor anual por aluno indicado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Nesse ponto do projeto brasileiro de internacionalização, o apoio da sociedade e o incentivo das universidades são fundamentais para o futuro notável que almejamos.

5º Congresso da Associação Brasileira de Estudantes de Pós Graduação – Reino Unido, na Universidade de Cambridge. Nov/2012

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