Brincadeira é coisa séria!

Os espaços verdes estão cada vez mais esparsos e, nos dias de hoje, torna-se mais comum as pessoas viverem em apartamentos em vez das tradicionais casas com quintais e jardins. Diante dessa falta de espaço, os projetos de praças vão além de gramados em torno de uma igreja e buscam conferir maior qualidade de vida para as pessoas da região, inclusive atraindo pessoas de outros bairros para desfrutar do espaço público.

Os projetos visam otimizar o espaço de forma a proporcionar ainda mais conforto e comodidade, tanto nos grandes centros urbanos como em cidades pequenas. As praças contam com pistas de caminhada, quadras poliesportivas, campos de futebol, academias ao ar livre e ciclovias. A cidade de Pirajuí-SP, com cerca de 22.700 pessoas, apresenta um projeto contemplando praticamente todos esses ítens.

O projeto que detalharemos é de Santana de Parnaíba-SP, que possui cerca de 108.800 habitantes. Localizada em um bairro isolado e carente de equipamentos de lazer, o objetivo é fazer com que uma praça se torne um elemento de ligação física e social do tecido urbano, reorganizando o seu traçado, qualificando os espaços públicos e potencializando o seu uso.

A conformação longilínea faz com que o terreno estenda-se de uma área de movimentado trânsito e comércio, até outra de uso predominantemente residencial. Essas características determinaram a setorização básica do projeto: ao norte, o local destinado ao encontro, manifestações públicas, feiras e shows, e ao sul, a área de caráter mais esportivo e de passeio.

O traçado viário foi refeito, propõe-se o fechamento da atual via que corta a área de intervenção e a abertura de outra, como uma travessia em nível, dando preferência para o pedestre que transita de um setor ao outro de maneira mais eficiente e segura.

Acessibilidade –  Pensando no desenho universal, idealizou-se toda uma readequação de níveis, de forma a tornar toda a praça acessível. Sempre que possível, os desníveis são vencidos por suaves inclinações (de até 4%) ou quando necessário por rampas. Todo contorno dos canteiros possui arremate em tento de pedra com 5 cm de altura, servindo como guia de balizamento para o auxílio de deficientes visuais ao longo dos trajetos. Informações em braile estarão presentes nos totens de sinalização, bebedouros e lixeiras. Demais equipamentos contarão com um desenho especial para atender todas as pessoas portadoras de necessidades especiais.

Iluminação – Os atuais postes de luz serão substituídos por elementos mais adequados que possam atender diferentes escalas de iluminação. Pontos de luz também estarão presentes abaixo dos bancos, em balizadores na altura do pedestre e no chão ressaltando os elementos de destaque do paisagismo.

Custo – Todos os equipamentos da praça foram pensados para uma execução simples, barata e que minimize a manutenção: os bancos são elementos fixos em concreto moldado in loco, os pergolados deverão ser construídos em madeira certificada com tratamento antifungo e os postes e totens são em aço inoxidável.

Paisagismo – O principal partido para o plantio foi de criar um envelope arbóreo para a praça de forma a garantir uma uniformidade espacial ao seu entorno, toda a calçada periférica foi arborizada com duas espécies nativas: o Pau-formiga (Triplaris americana) e o Pau-mulato (Calycophyllumspruceanum). A escolha foi feita principalmente devido à conformação colunar de suas copas, a qual se adequa a situações de pouca área espacial e ao sistema radicular, que se desenvolve de forma profunda, não danificando as calçadas. As Palmeiras-rabo-de-raposa (Wodyetia bifurcata) foram escolhidas por possuir porte generoso e copa cheia, oferecendo sombreamento adequado, sem obstruir a visão do palco em dias de evento. As demais árvores compõem conjuntos específicos cada qual reforçando determinada idéia ou cumprindo determinada função.

Meio Ambiente – Foi pensado um sistema de reuso das águas que saem dos aspersores e daquelas provenientes das chuvas, que são coletadas em reservatórios e utilizadas na irrigação do plantio e lavagem de pisos. Além disso, o sistema de iluminação funciona com células fotovoltaicas, coletando energia durante o dia para ser utilizada à noite.

Escoamento da água superficial – Apesar de o projeto contar com uma grande área de piso, necessária para oferecer o máximo de aproveitamento por parte dos usuários, parte dele será pavimentado com piso semipermeável, de forma a não comprometer a capacidade de drenagem natural da área.

fontes: Pirajui, IBGE, Archdaily

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