Diário de Bordo 2 – Porque o Reino Unido é referência na Educação

Julia, correspondente especial do PET Civil diretamente de Londres

Olá! Depois de falar um pouquinho da belíssima Londres, hoje vou abordar um tópico um pouco mais sério – a qualidade da educação superior do Reino Unido.

No ranking do Times Higher Education (THE), 3 das 10 melhores universidades do mundo estão no Reino Unido. A título de curiosidade, são elas: Universidade de Oxford, Universidade de Cambridge e Imperial College London. A melhor colocada universidade brasileira, USP, aparece na colocação 158. Depois dela, somente a UNICAMP entra no ranking das 400 melhores.

O ranking da THE é reconhecido em todo o mundo, e tem como base 13 indicadores de performance divididos em 5 áreas principais:

  1. Ensino: ambiente e qualidade (30% da pontuação final);
  2. Pesquisa: volume, receita e reputação (30% da pontuação final);
  3. Citações: influência em pesquisas (30% da pontuação final);
  4. Renda da indústria: inovação (2,5% da pontuação final);
  5. Perspectivas internacionais: professores, estudantes e pesquisa(7,5% da pontuação final).


Investimento em pessoas

A boa colocação das universidades britânicas é resultado de séculos de tradição na busca pelo conhecimento e retenção de cérebros. Certa vez perguntei a um grupo de pós-graduandos brasileiros que estão aqui há alguns anos o que, na opinião deles, fazia deste lugar uma grande potência. A resposta foi interessantíssima: “você já viu como eles tratam os estudantes estrangeiros? Nos dão todo o apoio possível. Promovem eventos, fornecem acompanhamento psicológico 24 horas e financiam as pesquisas de ponta. Para eles, o seu conhecimento vale ouro. E é retendo pessoas-chave nas universidades daqui é que eles ganham o status de potência científica, criam novas tecnologias e se desenvolvem.”

Infra-estrutura

Esse ano eu estou cursando 5 disciplinas: Gerenciamento Ambiental para Engenheiros Civis, Engenharia da Água, Design de Estruturas de Concreto e Aço, Inovação, Negócios e Empresas para Engenharia Elementos Finitos para Cálculo Estrutural. 

Toda a estrutura de ensino é de primeira qualidade e impecavelmente mantida. Todas as salas possuem projetores (já montados e configurados, o que vale a pena ressaltar); os corredores e banheiros são limpos; os laboratórios equipados com instrumentos de ponta. A biblioteca é um caso à parte – 3 andares dos mais diversos volumes, em quantidades razoáveis (livros técnicos aqui são relativamente baratos, e é possível comprá-los). Podemos até alugar DVDs aqui. Assim como na França, tudo é automatizado – você não precisa entrar em contato com nenhum outro ser humano para alugar livros, copiar folhas ou até mesmo comprar um café. Isso ocorre porque na Europa o preço do serviço de uma pessoa é muito mais alto do que no Brasil. Assim, por aqui, é mais barato criar e manter um sistema complexo de bancos de dados e pagamentos do que contratar pessoas para desempenhar tais funções.

Os alunos

A boa e velha pontualidade britânica é parte intrínseca do dia a dia. Se a aula é as 14 horas, 14:00:01 o professor começa a falar. Os (raros) atrasados ganham um severo olhar de reprovação e geralmente ficam após a aula para justificar a deselegância.

Sendo a sala de aula um ambiente formal, não se chama os professores pelo primeiro nome, como costumamos tratar no Brasil. Você se refere a eles como Professor ou Doutor (quando possuir tal título), seguido do sobrenome. Também aprendi, com muita vergonha, que chamar um Doutor de Professor também é indelicado.

Mesmo as carteiras sendo coladas, não se ouve conversa paralela. Quando os alunos não estão prestando atenção (também raro), preferem mexer no celular escondidos do que atrapalhar a aula dos colegas.

Outra diferença é a quantidade de horas de aula/semana. A maioria das disciplinas ocupa somente 2 ou 3 horas por semana. Grande parte do estudo é feito pelo aluno, sozinho. Os professores são acessíveis e se comprometem a tirar qualquer dúvida, mas ainda sim não aprofundam todo o conteúdo na sala de aula. Dessa forma os alunos passam grande parte do dia na biblioteca ou no quarto, estudando o que muitos estudantes brasileiros em geral deixam para a véspera da prova.

Para essa educação e responsabilidade, há várias justificativas:

  • Tradição de estudo, incentivada pela família desde cedo;
  • Noção da importância do conhecimento aprendido e respeito ao professor;
  • Uma mensalidade cara.

Na verdade as universidades são todas públicas, mas com total autonomia. Elas eram de graça no passado, mas o governo vem progressivamente diminuindo o investimento e aumentando as tuition fees (anuidades). Isso inclusive é motivo de crítica pesada contra o governo britânico. O governo federal brasileiro via CNPq paga aos estudantes do Ciência Sem Fronteiras uma quantia significativa para garantir o ano de estudo e acomodação.

Certamente um investimento audacioso, e com consequências enormemente benéficas para o desenvolvimento brasileiro a curto, médio e longo prazo. Mas mais sobre isso no próximo post.

Fiquem ligados! (E curtam bastante esse calorzinho por mim!)

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2 pensamentos sobre “Diário de Bordo 2 – Porque o Reino Unido é referência na Educação

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