Resíduos na Construção Civil

A Construção Civil é a atividade que mais gera resíduos sólidos no meio urbano, seus entulhos podem representar até 70% da massa total de resíduos sólidos urbanos de uma cidade brasileira de médio e grande porte. No Brasil, são recolhidas oficialmente 33 milhões de toneladas de entulho por ano, material que seria suficiente para construir quase 500 mil casas populares de 50 metros quadrados cada. Por isso, pensar em alternativas de redução e reaproveitamento dos resíduos gerados é de extrema importância.

Em 2002, foi aprovada a Resolução nº. 307, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que dispõe sobre os resíduos sólidos oriundos da construção civil. Segundo a resolução todos os municípios devem ter o seu plano integrado de gerenciamento de resíduos da construção. Além disso ela exige que o serviço de coleta tenha maior qualificação.

Essas medidas pretendem inibir a disposição inadequada destes resíduos, já que grande parte deles ainda é depositada em aterros clandestinos, em terrenos baldios, calçadas ou bairros afastados. É ainda importante lembrar que a responsabilidade em dispor adequadamente os entulhos é do dono da obra, é ele quem deve buscar uma empresa para coletá-los, geralmente, empresas de transporte de caçambas estacionárias.

A Resolução 307 do Conama também classificou em 4 categorias os resíduos sólidos provenientes da Construção Civil:

 

Muitos dos resíduos descartados poderiam ser reaproveitados, os resíduos das classes A e B apresentam grande um grande potencial de uso, sendo o de classe A ainda reutilizável na própria obra onde foi gerado. De acordo com uma pesquisa realizada em canteiros de obra em Brasília constatou-se que cerca de 85% dos resíduos descartados eram recicláveis (30% de classe A e 55% de classe B).

 

Reaproveitamento dos resíduos

Além dos benefícios ambientais, o reuso dos resíduos da construção civil tem grande importância econômica. Reaproveitando materiais que normalmente seriam desperdiçados pode-se reduzir o custo da obra, mas além da economia a reciclagem também pode gerar empregos e ser fonte de renda.

Trabalhadores da construção civil são orientados em palestra

Cada vez mais as construtoras orientam seus trabalhadores a gerar o mínimo de resíduos e reaproveitar o máximo do material. A gestão correta dos materiais faz parte do Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC), que tem sido implantado em diversos canteiros de obras, ações concretas como a separação dos resíduos por tipo de material são resultados do trabalho de conscientização ambiental realizado junto aos operários das obras por meio de palestras que abordam diversos temas relacionados ao meio ambiente. Empresas que já realizam ações como esta conseguiram reduzir até 35% a quantidade de entulho gerada em cada obra.

Os resíduos atraem ainda outros tipos de empresas, especializadas na função de reciclar o entulho, “É uma solução econômica para as empresas que utilizam por ser até 30% mais barato que o produto natural”, diz o sócio de uma empresa desse tipo instalada em São Paulo.

Fontes: G1, CREA-RS, Tribuna Hoje, Revista Espaço Acadêmico

Retificação: De acordo com a resolução n° 431 determinada pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), publicada em 25/05/11 as sobras de gesso passaram a ser consideradas recicláveis e, portanto, reclassificadas como classe B. Antes, a norma considerava o material como de Classe C, o que significa que não havia tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitiam sua reciclagem ou recuperação. A mudança na norma é resultado de uma iniciativa da Associação Brasileira dos Fabricantes de Chapas para Drywall, que apresentou estudos comprovando a possibilidade de reaproveitamento dos resíduos gerados no setor.

 

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3 pensamentos sobre “Resíduos na Construção Civil

  1. Ótimo o conteúdo mas só uma coisa que poucos estão sabendo e poderá ser um comentário útil aos interessados, o gesso saiu da classe C e foi para classe B podendo portanto ser reciclado agora. Em 25 de maio de 2011, a Resolução nº431 altera o art. 3º da Resolução nº307 reclassificando o gesso.

  2. Pingback: Sustentabilidade na Construção Civil | PET Engenharia Civil - UFJF

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