PET Civil – entrevista

O PET Civil sem fronteiras de hoje apresenta uma entrevista com Estela Barreto Souza Lima (23 anos), aluna do curso de Engenharia Civil na UFJF, que acaba de retornar da experiência de 10 meses de intercâmbio em Chiba, no Japão.

O que despertou seu interesse pelo intercâmbio e pelo Japão?

Até meus 15 anos eu assistia muitos animes, lia mangás e pesquisava sobre o Japão. Quando surgiu a oportunidade, pensei, por que não? Vou tentar!

Você ingressou no intercâmbio através de qual programa? Havia bolsa de estudos? É possível viver com o valor oferecido?

Ingressei pelo CRI, atual SRI (Secretaria de Relações Internacionais). O programa ofereceu três bolsas de menor valor e duas de maior valor. As de maior valor oferecem cerca de 2 mil reais mensais, o que é bem pouquinho para o custo de vida local, suficiente para moradia, alimentação e transporte. Meus pais me ajudaram um pouco, para eu poder passear mais lá.

Você já dominava o idioma quando embarcou para o país?

Estudei japonês apenas 6 meses antes de viajar. O idioma é bem complicado, são três tipos de escrita, apesar de a pronúncia ser bem parecida com a nossa.  E não há palavras com as quais nos identificamos ou achamos o som parecido, como no inglês.

O ambiente acadêmico e a estrutura física das universidades são semelhantes aos daqui?

A estrutura física é incrível, simplesmente incrível. No prédio (por exemplo), as prateleiras da biblioteca se mexem. Fica tudo coladinho e, conforme a necessidade a estrutura se desloca. É muito interessante a economia de espaço em todos os ambientes.

Os professores são fantásticos, eles te ajudam, é como em uma escola. Há uma preocupação com o aprendizado do aluno e com a pessoa também. Eles estão sempre perguntando se você está bem, se tem homesick, essa preocupação é muito legal. Os japoneses tem também uma organização e pontualidade extremos.  Atrasos são raros.

A saudade… Você chegou a pensar em desistir? Visitou o Brasil nesse tempo?

No início, pensei. Foi muito difícil. Eu era bem próxima da minha família e nunca tinha morado fora de casa, senti muita falta deles. Tive total apoio da minha família e do meu namorado. Ele me visitou enquanto eu estava no Japão, o que me deu uma força. Além disso, conversava com minha família diariamente, via Skype.

Foi difícil se adaptar a uma cultura tão diferente… e à alimentação?

Foi bem difícil. Me lembro bem do primeiro dia que cheguei. A moça fez uma sopa que se chama Kare, cujo principal ingrediente é o curry. O sabor é bem forte e meu paladar não estava acostumado com isso. É uma falta de respeito tremenda no Japão se você não comer algo que eles estão te oferecendo, então eu comia tudo o que me ofereciam. Achei muito ruim na época, mas hoje eu adoro essa sopa. Provei algumas comidas diferentes, como lula e polvo. Nunca gostei muito de comida japonesa, algumas eram horríveis (risos). Eu cozinhava bastante em casa também. Como a carne bovina é cara, comi muito peixe e frango.

Qual foi a maior dificuldade vivida nesse período?

Tive dificuldades com o idioma no início e um amigo meu, que já havia passado seis meses no Japão me ajudou muito. Depois foi ficando mais fácil e fiquei mais independente.  Acho que a maior dificuldade foi no final. O povo japonês tem características muito diferentes dos brasileiros. Quando você começa a entender bem a língua, percebe quando as pessoas estão sendo cínicas ou sarcásticas. Percebi alguns comentários maldosos que a princípio não entendia, pelo modo como eram ditos. Eu amo lá e sinto falta das coisas de lá, mas teve esse lado que pesou pra mim. Foi quando senti a necessidade de voltar ao Brasil.

Sua visão sobre o Brasil mudou depois dessa viagem?

Ah sim. Por mais que eu goste do jeito brasileiro e ame meu país, durante a viagem, nossos “defeitos” destacam muito. Questões como tratamento entre as pessoas e pontualidade. No comércio, o cliente é visto como um Deus, o tratamento é espetacular. Quando há atrasos de alguns minutos no trem, eles pedem desculpas e comunicam pelo rádio da estação. Ao desembarcar, você pode pegar um bilhete especial para apresentar no trabalho ou na escola, justificando que o atraso não foi culpa sua.

Nos dê seu balanço final sobre essa experiência. Vale a pena?

É uma experiência muito marcante e todo mundo deveria fazer, mesmo! Se você não sabe a língua do lugar, você aprende. Primeira coisa a fazer é pesquisar uma forma de “não morrer de fome”, chegando lá você se esforça para se comunicar e eles se esforçam para te entender. Ir para o Japão foi um tremendo choque cultural pra mim e isso me trouxe muito aprendizado.

Acho que ir pro Japão não foi tão importante para o meu currículo como foi pra minha vida. Tenho certeza que será uma das coisas mais memoráveis na minha vida, nunca vou esquecer.

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