Quarta Universitária – O Engenheiro 2020

Do nosso parceiro – Energia Inteligente (Blog PET Elétrica), em tradução livre do artigo The Engineer of 2020: Visions of Engineering in the New Century, pela Academia Nacional de Engenharia dos Estados Unidos:

Uma boa definição de Engenharia seria “desenvolver sobre pressão”. Esse desenvolvimento afeta diretamente a produção tecnológica e consequentemente o modo de vida da população.

Inovações tecnológicas são absorvidas quando existe uma necessidade ou uma oportunidade para tal, mas em um mundo globalizado e interconectado, as necessidades surgem praticamente diariamente. Se espera da Engenharia que ela seja capaz de fornecer essas constantes inovações tecnológicas no mundo atual.

À medida que entramos no novo milênio, já é possível identificar tendências que podem definir os limites e a composição da força de trabalho de engenharia. Algumas das tendências mais marcantes estão listados abaixo:

  • população global próxima de 10 bilhões com um grupo demográfico de constante envelhecimento e demanda crescente para a diversidade na força de trabalho de engenharia;
  • um imperativo para a “sustentabilidade” em face do crescimento da população global, industrialização, urbanização e degradação ambiental;
  • aumento do foco no risco de gestão e avaliação com vista em segurança pública e privacidade;
  • globalização dos sistemas econômicos e interconexão de seus componentes;
  • ritmo acelerado dos avanços tecnológicos, incluindo o aumento importância da tecnologia da informação, ciência da comunicação e biológica, materiais e processos de engenharia;
  • crescentes preocupações com as implicações sociais e políticas dos rápidos avanços tecnológicos e sua aplicação desigual entre os diferentes grupos;
  • diminuição da meia-vida de conhecimentos de engenharia em diversas áreas;
  • complexidade crescente e fundações interdisciplinares em sistemas de engenharia;
  • crescimento do componente da economia “baseado em serviços”;
  • aumento do número de engenheiros trabalhando em áreas não tradicionais que requerem competência tecnológica e/ou fluência (por exemplo, gestão, finanças, marketing, políticas públicas, etc);
  • mudança da contratação de engenheiros de grandes empresas para as pequenas e médias empresas e a crescente ênfase na empreendedorismo;
  • oportunidades crescentes para incorporar a tecnologia na educação e no trabalho de engenheiros.

Para ser capaz de fomentar essa nova demanda mundial os engenheiros precisam acompanhar a nova tendência de rápida atualização e compreender que eles mesmos são os agentes propulsores da tecnologia. Áreas clássicas da Engenharia agora necessitarão de conhecimento interdisciplinares para se obter os resultados desejados.

Um engenheiro civil, por exemplo, deverá ter conhecimento de novos materiais, novos compostos para atender os diversos fins. Os trabalhos em equipe cada vez mais exigem um mínimo de conhecimento das mais variadas áreas, para tratar com diversos profissionais.

Apesar de determinados princípios da engenharia não se alterarem no futuro, a explosão do conhecimento, a economia global e a forma como os engenheiros trabalham irão refletir uma evolução contínua.

O engenheiro de 2020 terá que se adaptar às novas tendências tecnológicas de sua época, mas os problemas que hoje existem, caso continuem a ser negligenciados logo se tornarão grandes crises. Caberá aos engenheiros procurarem alternativas sustentáveis para viabilizar o crescimento da economia aliada a preservação do meio ambiente.

Em suma, para aumentar a produtividade econômica do país e melhorar a qualidade de vida em todo o mundo, a educação em engenharia deve antecipar e se adaptar às mudanças dramáticas de prática de engenharia. O Engenheiro de 2020 urge à profissão que reconheça o que os engenheiros podem construir para o futuro através de uma ampla gama de papéis de liderança na indústria, governo e academia – e não apenas através de trabalhos técnicos. Escolas de engenharia devem atrair os melhores estudantes e estarem abertas a novos ensinamentos e métodos de formação. Com a educação e treinamento apropriados, o engenheiro do futuro será chamado para se tornar um líder não só nos negócios, mas também em setores sem fins lucrativos e governo.

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4 pensamentos sobre “Quarta Universitária – O Engenheiro 2020

  1. Estamos em caminhos de viver sob a Ditadura da Sustentabilidade. Todas as profissões viverão essa ditadura, e a Engenharia/Construção Civil é a mais promissora área a ser afetada por essa ditadura. Em todas as previsões ela está entre os três aspectos que nortearão o futuro das profissões. Muitas vezes esses aspectos vem recheados de um recurso pseudo-ambientalista, e a sustentabilidade se torna mais um aspecto para criar mais competitividade entre as empresas, sendo que o mercado tenta criar uma consciência no consumidor através da Mídia e de outros meios a respeito desses assuntos, fazendo-o preferir, conscientemente ou não, soluções “sustentáveis”. Muita das vezes, essas soluções são mais “caras” ou mais difíceis: mais caras porque exigem um projeto mais detalhado e uma criatividade e especialização maior por parte do projetista maior, além de exigir uma competência técnica maior da parte dos executantes. Aumenta assim, a concorrência.

    Não estou aqui ignorando os ganhos que soluções sustentáveis possam trazem (benefícios econômicos, sociais). Por outro lado elas também podem (leia-se podem) trazer prejuízos que não podem ser contabilizados diretamente na sua relação custo/benefício, como por exemplo, golpes contra a indústria nacional de materiais de construção, indústria essa que é por muitos anos uma das maiores empregadoras do país e geradora de capital.

    Ataquem-me, mas precisamos dizer-lhes que muitas vezes a sustentabilidade passa a ser um apetrecho mercadológico para as imobiliárias venderem o empreendimento, e seus ganhos para o ambiente não são cientificamente provados como a propaganda tenta provar.

    Quem dá o “peso” da sustentabilidade nos custos/benefícios dos empreendimentos somos nós, consumidores e produtores. Ninguém aposta em soluções sustentáveis caríssimas para um empreendimento se isso não trouxer mais-valia para o empreendimento. Ninguém. O capitalismo não é burro, não se enganem. Tudo é dinheiro, e o que não é passa a ser através de uma conversão para valores monetários, e aí que o “peso” que damos entra em ação. Sustentabilidade também é dinheiro.

    Sou forçado a pensar que é 95% dinheiro. Sejamos engenheiros honestos, a verdade é que estamos aceitando uma hipocrisia, sob o risco de perder mercado e empregos futuramente, sendo que muitas autoridades científicas que alarmaram o mundo na década de 90 e 80 a respeito do aquecimento global já estão voltando atrás com suas alegações. Mas agora já é tarde, a Ditadura da Sustentabilidade já está instalada, e reina a insensatez e desonestidade de nós para nós mesmos.

    Leiam com bastante atenção, isso não é um discurso pessimista/apocalíptico/conspiracionista, é apenas um argumento baseado na sensatez e realidade dos fatos, que é o que tem faltado muito entre nós.

    Quando o meu avô produzia tijolos de adobe com o terreno dos proprietários rurais que o contratava como construtor (leia-se pedreiro) para levantar a casa, não acumulava capital. O que acumula capital é a pessoa industrial produzir bastante blocos de concreto com tecnologia, qualidade, e com o suporte da infra-estrutura (vias, ferrovias) fornecida pelo Estado para vender o produto.

    Veja-se o protesto em São Paulo a respeito da Desindustrialização do país.

    Dizem que a indústria da construção civil é uma das maiores consumidoras de recursos e energia do país. Mas ela é, também, sem dúvida a maior geradora de empregos e acumuladora de capital para o país.

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