Mulheres: do canteiro de obras à liderança em grandes corporações

Elas não brincam em serviço, conquistam cada vez mais espaço no mercado de trabalho e fazem a diferença, derrubando barreiras e avançando em setores tradicionalmente masculinos, como os da construção civil e da alta tecnologia.

Prova disso são as várias mulheres que ajudam a tornar a Copa do Mundo no Brasil realidade. Só no Maracanã (a maior obra da Copa), elas totalizam 250, exercendo as mais diversas funções. Para os operários homens, já não é mais estranho chegar ao canteiro e se ver rodeado pelas mulheres.

“A mulherada tem parte nessa história e nós estamos aqui para representar todas as mulheres”, fala a engenheira Luciana Simone.

Dados do Ministério do Trabalho indicam que, em cinco anos, a mão de obra feminina na construção civil mais do que dobrou no país. Em 2005, 85.808 estavam empregadas, já em 2010, o número subiu para 189.753. Uma maior presença de mulheres também se manifestou no universo acadêmico: o grupo PET Civil da UFJF, que já teve uma única integrante feminina em meio a homens, hoje possui futuras engenheiras como maioria!

Apesar do aumento da parcela feminina na construção civil, as estudantes representam apenas 25% dos matriculados em cursos de engenharia e formam não mais do que 15% dos engenheiros do país. Portanto, para assumir cargos de liderança e superar resquícios machistas da sociedade, as engenheiras precisam vencer um duplo desafio: provar que são capazes de comandar equipes tão bem, ou melhor, que os homens e encontrar um jeito próprio, mais feminino, de gerenciar. A seguir, engenheiras que aceitaram esse desafio:

Simone Rocha, engenheira eletrônica formada na Universidade Federal de Itajubá, em Minas Gerais. Começou a trabalhar com fabricação de hardware na IBM e atualmente ocupa o posto de gerente de serviços de TI e vendas para os setores de telecomunicações, indústria e distribuição. Naquela época, em que havia apenas cinco mulheres em sua turma de 50 alunos, Simone não previa que a IBM teria os atuais 30% do efetivo global compostos por mulheres. Entre suas conquistas estão projetos na casa dos 50 milhões de reais para o setor financeiro, especialmente bancos.

Vera Bier, engenheira de computação que ajudou a desenvolver a primeira rede integrada de telefonia de tecnologia nacional, até hoje um dos maiores projetos da área no país. Agora, ela é diretora do Samsung Instituto de Desenvolvimento para a Informática, responsável por desenvolver softwares de celular, e avanços para o sistema Android para tablets. . Ela conta que em alguns momentos as mulheres podem sentir dificuldade de se integrar. Para evitar esses momentos, ela comanda a conversa focando nos assuntos da empresa, exclusivamente.

Carioca, a engenheira química Renata Morand se formou em 1997 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Logo recebeu a proposta de uma empresa para ajudar a desenvolver plataformas para a Petrobras e chegou a trabalhar dois anos em Cingapura pela companhia. Em 2002 foi contratada pela Odebrecht Óleo e Gás na unidade de Macaé, onde assumiu a coordenação de diversos projetos. Quatro anos depois chegou ao cargo de gerente de engenharia da unidade. Ela sente que, para impor respeito, precisa manter a postura e se destacar até mais do que os executivos homens. “Muitas vezes, a mulher tem que ser melhor do que o homem para provar seu valor”, diz.

Aprenda com elas: os pontos fortes da liderança feminina

  • Apresentam um estilo de comunicação assertivo para expor suas ideias e estratégias para a gestão do negócio, o que facilita a compreensão de suas orientações na delegação de responsabilidades.
  • Mostram um estilo de liderança envolvente e gostam de levar as pessoas a pensar da mesma forma que elas. Assim, conquistam o apoio e o comprometimento da equipe em relação aos objetivos comuns.
  • São rápidas e voltadas a resultados. Tendem a imprimir um ritmo acelerado à administração e sentem necessidade de realizar tarefas de imediato.
  • Demonstram nos relacionamentos a empatia necessária para escutar as pessoas e perceber as necessidades de sua equipe, o que lhes permite realizar orientações personalizadas e bem direcionadas.
  • Revelam flexibilidade para seus conceitos e para escutar pontos de vista diferentes dos seus durante a busca de soluções, o que favorece a avaliação de alternativas, enriquecendo o processo decisório.
  • São ágeis na tomada de decisões, podendo transmitir um referencial de liderança positivo, enfatizando o dinamismo e o foco em resultados.
  • Revelam maior motivação pelo relacionamento e interagem com clientes, fornecedores e parceiros estratégicos com desenvoltura. Essa condição favorece a implantação de um ambiente amistoso de trabalho.

Fontes: G1, PEGN, VoceSA

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