Engenharia do Carnaval

Há quem diga que o ano só começa depois do carnaval, tamanha é a folia esperada para a data entre os brasileiros e turistas estrangeiros. Se repararmos bem, a tradicional festa apresenta hoje evolução gigantesca em relação aos anos 30, quando não se utilizavam, por exemplo, fragrâncias que perfumam o ambiente, alegorias que se movimentam com peças articuladas e uso de elevadores hidráulicos, adereços resistentes à chuva e fantasias mais leves. Todas essas inovações que hoje povoam os desfiles de escolas de samba são resultado da engenharia feita para o Carnaval. Nos projetos que abrilhantam ainda mais a festa popular, cálculos são realizados como se faz para construir uma casa.

O responsável técnico Edson Marcos Gaspar de Andrade é um dos que atuam para garantir que tudo corra bem na Cidade do Samba (Rio de Janeiro) – na qual é o engenheiro que cuida da manutenção e coordena a montagem das passarelas. Sua função é assegurar que toda a estrutura esteja em condições de segurança, com os acessos e serviços devidamente instalados. Para tanto, são feitos ensaios de carga, conforme as exigências relativas às normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e ao Corpo de Bombeiros. Ele acrescenta que cada escola deve ter ao menos um responsável técnico pelos projetos das alegorias, cenográfico, de iluminação – portanto, precisa contratar um engenheiro. “É fundamental que toda concepção artística tenha por trás esse acompanhamento”, ratifica.

Em São Paulo também funciona assim, segundo o Coordenador de Carnaval, Marco Antonio de Sant´Ana: “Os carros alegóricos precisam ser finalizados no Sambódromo.” São escoltados pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e chegam ao local com 4,5m. Somente depois aumentam de tamanho, podendo alcançar até 13m. “Para evitar acidentes, todas as baias (para a conclusão desse trabalho) têm extintor de incêndio e temos um carro de bombeiros estacionado na área do desfile e uma equipe de plantão na concentração.” Nessa, ainda segundo ele, há alguns anos foram instalados hidrantes. Também é colocado no espaço externo caminhão-pipa. “Nos carros, temos destaques (pessoas) que devem ser içados. Utilizamos guindastes para essa operação e o acompanhamento de bombeiro civil”, continua. Sant´Ana afirma que essa ocupação pelas escolas é fiscalizada pela Prefeitura.

Além de garantir segurança e cuidar da logística, é papel do engenheiro, portanto, apresentar alternativas para assegurar os efeitos desejados na avenida. Desenvolver dispositivos de movimento, efeitos especiais, comandos por computador para apagar e acender luzes automaticamente, entre outros.

Para montar protótipos de figuras em terceira dimensão recorre-se ao CAD (ferramenta famosa entre engenheiros) e materiais impermeáveis em alegorias com movimentos para torná-las resistentes às intempéries próprias do período. “As esculturas são em isopor e têm uma camada de revestimento. Plasticidade tem sido cada vez mais utilizada, com a evolução no acabamento. Antigamente, eram em papel machê e não havia essa preocupação”, destaca Jorge Marcos Freitas, carnavalesco da Rosas de Ouro. Materiais também têm sido usados visando mais leveza, como fibra, isopor, além de gesso, arames e varetas nas armações, em especial nas fantasias para a ala das baianas, reduzindo o peso das mesmas de 7Kg  para 3Kg.

Assim, segundo Freitas, inovou-se no desfile em 2008 utilizando seis acoplamentos no abre-alas em enredo que falava sobre o perfume: “Eram frascos em formato de rosa, cujas tampas eram as pétalas. Essas se abriam e havia um sistema que pulverizava jatos com uma fragrância que se disseminava por 15 metros de altura e não enjoava, feita especialmente para o desfile por um engenheiro”, relata. O feito repetiu-se em 2010, quando a escola foi campeã exalando fragrância e chafariz de chocolate durante o desfile e aguçando os sentidos e o desejo de comer chocolate de quem assistia ao desfile.

Garantir diversão com segurança no carnaval é um dos desafios dos engenheiros não só em desfiles de escolas de samba. Saindo do eixo Rio-São Paulo, onde predominam os desfiles, segundo Luiz Carlos Prestes Filho (coordenador do Núcleo de Estudos de Economia da Cultura da Associação Brasileira de Gestão Cultural, no Nordeste e mesmo no Sul também há evolução nesse sentido. “Em Pernambuco, o frevo ganha área específica, o passódromo, e há um salto em profissionalização e inovação. Na Bahia, nos últimos dez a 15 anos, recursos de iluminação e sonorização têm modificado o Carnaval. A questão tecnológica se impõe pelo desenvolvimento das linguagens regionais.” Atrás do trio elétrico, está a engenharia com certeza.

Fontes: Jornal do Engenheiro , FNE (Federação Nacional dos Engenheiros)

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Um pensamento sobre “Engenharia do Carnaval

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