Piscinas – Parte 2

A construção de piscinas nos mostra interessantes situações que podemos analisar para entender como as cargas são fornecidas e absorvidas em uma estrutura. Os leigos pensam que uma piscina deve ter estrutura extremamente forte, para aguentar o “peso” da água. Mas será que isto é verdade? Nem sempre.

A questão é entender o princípio estrutural, o modelo físico e matemático que nos mostra como as forças serão originadas e quem vai resistir a elas. No caso em que a estrutura deve suportar o “peso” da água, o modelo estrutural seria equivalente a uma bacia ou tanque, um vasilhame qualquer, acima do solo, cheio de água:

Nos líquidos, a pressão se propaga uniformemente em todas as direções. Assim, o peso da água se distribui pelas paredes do vasilhame. Portanto, as cargas laterais A e B teriam que ser suportadas pelas respectivas paredes. Já o peso da água em si vai ser transmitido ao fundo do recipiente e deste para o solo.

Mas este esquema estrutural só é válido para o caso de piscinas elevadas, onde as paredes ficam acima do nível do solo e que são raras. No geral, as piscinas ficam mesmo é enterradas, neste caso a dissipação das cargas fica assim:

O que mudou? A carga C continua sendo mandada para o solo, mas as cargas A e B são suportadas não mais apenas pelas paredes laterais, mas também pela terra que fica ao lado, ajudando na resistência das paredes. Mas será que é bem assim, ou seja, a água fazendo peso sobre a terra? Veja o que aconteceria se retirássemos a água da piscina:

Ou seja, quando a piscina está enterrada, ao contrário do que muitos pensam, é a terra que pressiona as paredes — e não a água que faz peso sobre as laterais…

Isto acontece porque a terra é mais pesada que a água. Um metro cúbico de terra pesa entre 1.200 a 1.600 Kg enquanto que o mesmo volume de água pesa 1.000 Kg, ou seja, se fizermos um buraco na terra e enchermos de água, temos que cuidar na verdade é para que a terra fique firme, pois sua tendência, como é mais pesada, é empurrar a água e desbarrancar. A estrutura de concreto ao redor da piscina tem, então, duas finalidades principais: segurar a terra ao redor da piscina, e também para servir de base para a impermeabilização e acabamento.

Contenção da terra

Na prática a terra pode estar mais ou menos compactada, aderida ou não às beiradas da piscina. Assim, a boa norma de projeto de laterais de piscina recomenda armação nos dois lados, ou seja, as paredes e fundo podem funcionar tanto recebendo esforço de dentro para fora quanto vice-versa, além de resistir também à torção, para o caso de ocorrer recalque diferencial, ou seja, se uma parte do solo afundar mais do que outra, a estrutura estará apta a resistir aos esforços desta mudança de apoio, sem fissuras que comprometam a estanqueidade. É necessário que a estrutura mantenha sua rigidez, para que possa dar suporte à impermeabilização e aos acabamentos.

Impermeabilização e Acabamento

É uma questão muito importante nas piscinas, pelo lado financeiro e também pela estabilidade estrutural. É caro manter milhares de litros de água tratada. Outro ponto crítico dos vazamentos é quanto à estabilidade dos talude laterais. As infiltrações sempre tendem a aumentar, pois a água começará a carrear terra, aumentando o esforço sobre a estrutura que já está trincada, e consequentemente, também a infiltração, num ciclo vicioso que poderá levar à inutilização da piscina.

Assim, é importante que a estrutura tenha rigidez condizente com o tipo de impermeabilização usada.

O tipo de acabamento está ligado ao tipo de estrutura e de impermeabilização. Azulejos suportam pequenos movimentos estruturais, desde que a impermeabilização fique intacta. As lonas vinílicas são mais flexíveis, indicadas para casos onde a estrutura não é inteiramente rígida ou onde a piscina está localizada em solo instável. As piscinas também podem ser pintadas com tintas especiais, enfim, há inúmeras opções e considerações a serem feitas quanto ao revestimento de piscinas.

Mecanismo de construção de piscinas compreendido, agora é só deitar, relaxar e curtir o verão….

Fonte: IBDA – Fórum da Construção

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Um pensamento sobre “Piscinas – Parte 2

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