Obras e Projetos para a Copa e Olimpíadas – Parte 1

Estádios

Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Cuiabá, Manaus, Fortaleza, Salvador, Recife e Natal serão as cidades da Copa 2014.

Manaus – Estádio Vivaldão – R$ 6 bilhões com capacidade de 46 mil lugares (Construção nova)

A Copa de 2014 inaugura uma nova era dos estádios brasileiros. Bem diferente do padrão dos estádios atuais, os novos terão que ser modernos e contemplar quesitos de segurança, visibilidade, conforto, funcionalidade, além da sustentabilidade. “O torcedor brasileiro terá acesso ao que há de mais avançado em termos de estrutura, com instalações que se equiparam às melhores arenas esportivas do mundo”, explica Daniel Fernandes, arquiteto responsável pelos projetos da Arena Pernambuco e também pelo projeto executivo de reforma do Maracanã.

Maracanã - Rampas, pilares e cobertura do provável palco da final da Copa do Mundo passam por uma rigorosa análise

O arquiteto explica que elementos como cobertura sofisticada para as arquibancadas, estacionamento para mais de 10 mil veículos, espaços mais amplos e equipados para jornalistas e convidados são alguns dos itens. “Os estádios que serão construídos ou reformados para a Copa devem cumprir uma extensa lista de exigências da Fifa para ganharem o privilégio de sediar partidas do Mundial”, explica.

Exigências da FIFA

1 – Decisões de pré-construção

O tamanho e o nível de conforto de um estádio devem ser proporcionais à futura demanda de uso, levando em conta que o tempo de vida útil dos estádios modernos é de 30 anos. Quanto à capacidade, a Fifa recomenda um mínimo de 30 mil assentos para jogos internacionais, cinquenta mil para um jogo final de Copa das Confederações, e 60 mil para a final de uma Copa do Mundo. E uma localização estratégica.

2 – Orientação do campo

A orientação ideal dos estádios é a norte-sul. No entanto, esta direção pode ser modificada para se adaptar a especificidades regionais. Os jogadores, o público e os profissionais de comunicação devem ser protegidos contra o ofuscamento produzido pelos raios solares. Se houver cobertura, o material de composição deve permitir que o gramado receba luz solar e ventilação adequada.

3 – Segurança

Segundo a Fifa, a segurança dos torcedores deve ser tratado como item prioritário, tanto na elaboração do projeto quanto na operação dos estádios. Para isso, recomenda que setores como escadarias, portões e corredores sejam sinalizados e livres de obstáculos. Especificações de portões e trancas devem assegurar que os jogos sejam assistidos com toda a tranquilidade.
Para garantir a segurança dos torcedores, os estádios devem ter uma sala de controle com visão panorâmica e câmeras de vigilância interna e externa. Deve haver ao menos uma sala de primeiros socorros, a qual o público possa acessar facilmente estando dentro ou fora do estádio.
4 – Estacionamentos

Torcida: estádios para 60 mil torcedores devem ter ao menos 10 mil vagas para carros e 500 para ônibus. O ideal é que o estacionamento seja adjacente ao estádio, mas a Fifa aceita vagas até um perímetro de 1,5 Km.

Além disso, devem haver projetos específicos para Público VIP, Delegações, Mídia, Caminhões de transmissão TV (TV Compound), Veículos de transmissão via satélite, Veículos de emergência e segurança e Heliporto.

5 – Área de jogo

Para jogos de Copa do Mundo e fase final da Copa das Confederações, a Fifa exige gramados com 105m de comprimento por 68m de largura. A grama pode ser natural ou artificial. Segundo o caderno de encargos, o gramado artificial apresenta vantagens, mas deve passar por análise laboratorial e certificação da Fifa.
O ideal é que não haja barreiras separando as arquibancadas do campo de jogo. Para impedir a invasão de torcedores, a Fifa recomenda a presença de seguranças e policiais, a elevação da arquibancada em relação ao gramado ou a construção de fossos.

6 – Vestiários e acessos

Jogadores e árbitros devem ter uma área de entrada exclusiva e segura, com espaço suficiente para a circulação de carros, ônibus e ambulâncias.  Os vestiários de visitantes e anfitriões devem ter ao menos 150 m2 e itens idênticos de conforto. Para estádios multiuso, a Fifa recomenda a construção de quatro unidades. Os escritórios dos técnicos devem ser adjacentes aos vestiários, com área mínima de 24 m2. O vestiário dos árbitros deve ser privativo, mas próximo aos vestiários dos jogadores. O tamanho mínimo é de 24 m2.

7 – Conforto do público

  • Entre os itens de conforto, a cobertura é o que levantou as maiores dúvidas quanto à necessidade de ser realmente instalada nos estádios da Copa. Segundo o caderno de encargos da Fifa, a cobertura é desejável em locais com alta incidência de sol e de climas frio ou úmido.
  • O estádio deve ter assentos individuais e afixados à estrutura da arquibancada. A largura mínima sugerida é de 47 cm, com encosto de pelo menos 30 cm de altura. Para facilitar a circulação dos torcedores é recomendada uma distância mínima de 85 cm de encosto a encosto. Os assentos VIP devem ter localização central e separada das cadeiras do público geral.
  • Todos os torcedores devem ter uma visibilidade perfeita do campo, o que significa que os pontos-cegos não são aceitáveis. Para isso, a Fifa recomenda um cálculo cuidadoso da inclinação das arquibancadas e que as placas de publicidade tenham altura máxima de 100 cm.
  • O caderno de encargos recomenda que os estádios adotem normas de acessibilidade para portadores de deficiência. Todos os setores devem ter rampas para cadeirantes, sanitários adaptados e serviços de apoio. Portadores de deficiência devem ter um portão de entrada exclusivo, que dê acesso direto à área adaptada. Em cada vaga de cadeirante deve haver um assento para acompanhante e tomadas de energia para a conexão de aparelhos eletrônicos.

8 – Hospitalidade

No interior do estádio, as áreas de hospitalidade correspondem ao setor VIP. Durante a Copa do Mundo, a Fifa assume este setor e comercializa seus camarotes e suítes com indivíduos, grupos e empresas, ou então os distribui entre seus parceiros, patrocinadores e redes de transmissão televisiva.
O caderno de encargos recomenda que haja um salão de uso comum na área de hospitalidade, além de suítes e camarotes com capacidade para acomodar entre 10 e 20 pessoas. A Fifa exige a construção de vilas de hospitalidade e áreas de hospitalidade comercial. Além de oferecer entretenimento aos convidados, estas instalações permitem que os patrocinadores e parceiros da federação desenvolvam seus próprios programas de hospitalidade.

9 – Energia e iluminação

Para evitar o atraso ou o cancelamento de eventos devido à falta de energia, a Fifa recomenda a instalação de geradores de energia alternativos e de um sistema ride-trough, que mantém o suprimento de energia estável enquanto o gerador começa a operar. O sistema alternativo deve ser capaz de funcionar por três horas.
O sistema de iluminação deve ter duas qualidades. Por um lado, proporcionar uma transmissão televisiva com qualidade digital, por outro evitar o ofuscamento de jogadores e árbitros e o incômodo aos torcedores e moradores do entorno. Para jogos internacionais, a Fifa recomenda 3.500 Lux para iluminação horizontal e 4.200 Lux para iluminação vertical.  Para jogos nacionais, a exigência cai para 3.400 Lux e 2.500 Lux, respectivamente.

10 – Green Goal (sustentabilidade)

O Green Goal é um programa da Fifa para a redução das emissões de CO2 em seus eventos. Focaliza quatro pontos: água, resíduos, energia e transporte.

  1. Água: recomenda a armazenagem de água potável para fins de irrigação e uso nas instalações sanitárias.
  2. Resíduos: para limitar a quantidade de lixo gerada durante os eventos, a Fifa recomenda o reúso de copos, a coleta seletiva de lixo e a venda de comidas e produtos sem embalagem.
  3. Energia: para a economia de energia, a entidade recomenda a instalação de painéis fotovoltaicos, a instalação de vidros especiais que reduzem o calor no interior do edifício e, em consequência, o uso do ar-condicionado, além da existência de centrais de controle de energia para administrar o consumo em horários de pico.
  4. Transporte: a Fifa recomenda o uso de sistemas públicos de transporte, como ônibus e trens, que podem ser projetados para um consumo eficiente de combustível.

Reforma em Minas Gerais utiliza o conceito de reaproveitamento de materiais. Ganhará cadeiras retráteis, ampliando a área de circulação e aumentando a segurança e o conforto dos torcedores.

 

Grande rival de São Paulo para receber a abertura do Mundial, principal estádio de Minas Gerais terá capacidade para 74 mil pessoas em 2014

 

“Os novos e os atuais estádios terão uma tarefa bem extensa a ser cumprida. Os projetos precisam encontrar a combinação ideal que leve em consideração aspectos como a durabilidade, sustentabilidade, tempo de construção, funcionalidade, segurança, entre outros. Seja para a construção ou para a ampliação de um estádio é preciso estudar cada situação de uma forma diferente até achar a solução adequada”, acrescenta Fernandes.

Link: Brasil 2014: o que copiar (e o que mudar)

Via Portal VGV, Portal 2014, Terra (imagens), Novo-Mundo (imagens)

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