A Engenharia da Natureza – Parte 1

Nós, Engenheiros, pensamos que só nós podemos modificar a natureza a nosso benefício.

Construímos estradas enormes, torres imponentes, muros longuíssimos e edifícios que desafiam as leis da gravidade.

Mas é a própria natureza que nos surpreende com sua grandiosidade.

O Castor e seus diques

As represas feitas pelos castores são levantadas para proteger a casa desse simpático mamífero. Dotado de membranas nas patas traseiras e uma achatada e larga cauda que serve de leme e remo, o castor contrói seu lar  no meio dos rios (apesar de também fazê-lo nas margens).
A casa é feita de pedaços de madeira, pedras e lama e forma um monte oco em forma de cone com entradas submersas.
Apesar de proteger os bichinhos do frio do inverno e de animais predadores, a toca sofre o risco de ser inundada quando o nível da água sobe ou de ficar desportegida contra inimigos em períodos de seca, e é aí que entram as represas.

Com frequência, os castores constroem um dique para diminuir a força da corrente e assim reduzir a pressão que exerce esta sobre sua toca. Para a edificação destas estruturas utilizam principalmente troncos de árvores, que derrubam com seus poderosos dentes incisivos. Apesar da grande quantidade de árvores que devastam, os castores não costumam prejudicar o ecossistema em que vivem: pelo contrário, mantêm-no saudável, pois seus diques proveem uma grande quantidade de benefícios; entre outras coisas, estas barreiras propiciam a criação de zonas úmidas, ajudam a controlar inundações e eliminam contaminantes da corrente.

O mais longo que se conhece foi descoberto perto de Three Forks, Montana, e media uns 652 m de comprimento, 4 m de altura e 7 m de grossura na base. Também sabe-se que estes longos diques costumam ser obra de só umas poucas famílias de castores aparentadas. Porém, os diques pelo geral não medem mais de 1,5 m de altura e uns 3 m de largura na base, se fazendo mais estreitos para a parte superior. O comprimento do dique geralmente depende da corrente do rio.

O dique difere em forma de acordo com a natureza da corrente na que se encontra. Onde a água tem pouca força, é praticamente reto; onde a corrente é considerável, é curvo, com sua convexidade de frente para a corrente. Não se observou um processo particular para a edificação, excepto que o trabalho é realizado constantemente e que todas as partes estão construídas com a mesma solidez. Além de longos, costumam ser muito resistentes, pois podem suportar o peso de uma pessoa.

Os Cupins e Cupinzais

Imagem via AirNinja.com.

Em relação à sua dimensão, os cupins constroem as maiores estruturas do reino animal – com 1 cm de tamanho, essas criaturas constroem torres pesando centenas de toneladas e até 10 metros de altura. E isso é só acima do solo – cupins também pode desaparecer na medida em que se aprofundam em até 225 pés no subsolo. ( 1 pé=30.28 cm)

Todos os insetos sociais têm seu método para construir um lar. Abelhas constroem colméias com cera; as vespas, por sua vez, fazem ninhos de papel, e ainda há outros insetos que cavam túneis no solo. Todas as espécies de cupim constroem ninhos, também conhecidos como cupinzeiros ou cupinzais, mas as características específicas desses ninhos podem variar.

Os cupins subterrâneos escavam grandes redes de galerias e túneis no subsolo. As galerias são usadas para armazenar comida e criar as larvas. Essas redes subterrâneas proporcionam à colônia um local para viver, e conectam a colônia diretamente a suas fontes de alimento, como raízes de árvores em decomposição ou ao lado da casa de uma pessoa. Caso haja um obstáculo entre os cupins subterrâneos e sua fonte de comida, eles costumam construir tubos de abrigo, que são extensões de seus túneis. Os tubos de abrigo costumam ter o diâmetro de um lápis, e são feitos de solo colado com a saliva dos cupins.
Uma rede de túneis subterrâneos dá aos cupins uma maior flexibilidade com relação a sua residência. Caso a temperatura esfrie, os operários podem cavar mais fundo no solo em busca de calor. O mesmo vale para as épocas de seca. Caso esquente demais, a colônia pode se mover para partes do ninho que ficam sob sombras de estruturas e vegetação acima do solo.

Já os montes de cupim são outra história. Essas estruturas semelhantes a domos ou torres podem ser mais altas do que uma pessoa. Eles são feitos de partículas de solo e excremento de cupim grudados com as secreções salivares dos operários. Algumas espécies constroem morros como esses nas laterais de troncos, árvores ou pedaços de madeira.

O morro típico tem várias chaminés e tubos que permitem que o ar circule por toda a estrutura. As camadas internas do monte contêm galerias nas quais os cupins vivem e criam as larvas. Já o rei e a rainha costumam viver nas partes mais internas do morro, onde ficam bem protegidos de predadores e dos elementos. Os morros de cupins são fortes, capazes de sobreviver a incêndios e enchentes, embora a água consiga entrar nas câmaras internas por meio dos túneis de ventilação.

Aranhas e suas perigosas teias

As teias de aranha, além de povoar o imaginário das pessoas há anos, compondo geralmente cenários de horror, fantasia e mistério são extremamente variadas em seus formatos, tamanhos e arquiteturas.

As teias de aranha são cinco vezes mais fortes que o aço do mesmo diâmetro, podendo esticar-se 4 vezes mais que seu comprimento inicial. Recentemente foi descoberto que o fio da teia de algumas espécies chega a ser mais forte que o kevlar, uma fibra sintética usada na fabricação de coletes à prova de balas. A partir destes dados vem o mito de que é possível que uma teia de aranha compostas por fios em grande proporção poderia parar um avião em pleno vôo.

A maior teia encontrada está no Texas, foi o trabalho conjunto de diversas pequenas aranhas. O tamanho desta teia é praticamente a de um campo de futebol (180 metros), mas uma espécie nativa dos trópicos consegue fazer sozinha teias de até 5 metros.

Já imaginou o tempo e a quantidade de energia que uma aranha gasta para fazer uma teia? Pois ela não quer saber de ter que procurar apenas na alimentação os recursos para criar uma nova teia. Assim a aranha come os fios de sua antiga criação, que são ricos em proteínas, podendo assim iniciar um novo trabalho. Elas só deixam a parte estrutural para não ser necessário refazê-la.

Fica a boa dica de reciclagem 😉

 

Fontes: Blog Pipoca de Bits, How Stuff Works, Blog Coizaradas.

No próximo post: formigas e os mais engenhosos ninhos de pássaro.

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2 pensamentos sobre “A Engenharia da Natureza – Parte 1

  1. Pingback: A Engenharia da Natureza – Parte 2 « Pet Civil – UFJF

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