Transporte Coletivo no Mundo – Parte 1

A divisão do espaço de circulação é uma das três técnicas mais relevantes de intervenção sobre o espaço que têm impacto direto nas condições de transporte e circulação. As demais técnicas são o planejamento urbano e o planejamento de transportes.

O planejamento da circulação define como a estrutura viária será utilizada pelas pessoas e veículos. Ela envolve quatro atividades relacionadas: a legislação, que define as regras de utilização das vias e calçadas (Código de Transito); a fiscalização, que controla o respeito às leis de trânsito ; a educação que define como as pessoas serão treinadas para usar o sistema viário; e a engenharia de tráfego, que define o esquema de circulação.

A Engenharia de Transporte

A engenharia de tráfego é a fase da engenharia de transportes que trabalha com o planejamento, projeto geométrico e operação de trânsito das estradas, vias e calçadas, suas redes, terminais, terrenos lindeiros e seu relacionamento com outros modos de transporte.

A engenharia de transportes, por sua vez, é definida como a aplicação de princípios científicos e tecnológicos ao planejamento, projeto funcional, operação e gestão de equipamentos para qualquer modo de transporte, de forma a promover um movimento seguro, rápido, confortável, econômico e ambientalmente compatível de pessoas e mercadorias.

Transporte coletivo integrado e bem planejado é prioridade

Um dos principais desafios das cidades, em qualquer lugar no mundo, é a organização do sistema de transporte. O direito de “ir e vir” de todos os cidadãos nem sempre é respeitado.

Veja como funcionam alguns dos melhores sistemas de Transporte Urbano Coletivo no Brasil e no mundo:

Curitiba

Curitiba é considerada uma das mais bem planejadas cidades brasileiras. Segundo o arquiteto e urbanista Ricardo Blindo, assessor da presidência do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), todo o sistema de transporte da cidade e as políticas urbanas em geral foram pensados e estão sendo executados sob a filosofia da priorização das escalas humana, ambiental e de mobilidade coletiva. “São cerca de 72 quilômetros de pistas exclusivas para ônibus e aplicamos a política da ‘tarifa social’, com linhas integradas que permitem diversos trajetos com o pagamento de uma única passagem”, comenta.

A partir de 1974, Curitiba passou a dispor do Sistema de Ônibus Expresso, o chamado metrô de superfície. Trata-se de uma solução inédita para ligação entre o centro e os bairros por vias exclusivas. Assim foi criado o sistema trinário de vias, que tem ao centro uma canaleta exclusiva para o Expresso, ladeada por duas vias de tráfego lento, em sentidos opostos. Paralelamente existem ainda duas ruas de tráfego rápido. A canaleta possibilita o aumento da velocidade média dos ônibus sem comprometer a segurança dos passageiros. Implantado nos anos 70 com a preocupação de privilegiar o transporte de massa, o sistema é reconhecido por aliar baixo custo operacional e serviço de qualidade. A tarifa é paga antecipadamente, na própria estação, dispensando-se a presença do cobrador no interior do coletivo. Os veículos percorrem os trajetos em menor tempo, dispondo de estações-tubo a cada 800 metros, em média.

Os avanços sociais marcam a história recente do transporte coletivo curitibano. Em 2005, o prefeito Beto Richa determinou o enxugamento de despesas do sistema e o corte de dez centavos na tarifa, reduzida para R$ 1,80. Também foi criada a tarifa domingueira, que custa apenas R$ 1, e garante o lazer e o convívio social das famílias de baixa renda. Hoje 2 milhões de passageiros utilizam diariamente o Sistema Integrado de Transporte Coletivo, composto por 1980 ônibus, que atendem 395 linhas.

http://www.urbs.curitiba.pr.gov.br/PORTAL/historiadotransportecoletivo.php

Seul

Nos dois anos em que morou em Seul, o brasileiro Virgílio Lamaignere foi um usuário assíduo do transporte público. Dava aulas de inglês em domicílio e cruzava a cidade várias vezes por dia. “Usava mais metrô que ônibus, mas de todo jeito a viagem não chegava a uma hora”, lembra.

Muito tempo? Seul é a sétima maior cidade do mundo, e quase metade dos 22 milhões de habitantes da área metropolitana tem carro. Tanta concentração de automóvel e de gente deixa o trânsito lento, capaz de tirar do sério o mais zen dos orientais.

Mas o brasileiro deu sorte. Ele chegou a Seul em 2007, quando a capital da Coreia do Sul já era referência em transporte público e o sistema integrado de metrô e ônibus, lançado três anos antes, permitia ao usuário circular pela cidade com rapidez, deixando para trás uma legião de motoristas paralisados em engarrafamentos quilométricos.

Mudança

A virada do transporte público de Seul começou no dia primeiro de julho de 2004, data em que o então prefeito e hoje presidente sul-coreano Lee Myung-Bak lançou o novo sistema, baseando-se em três pontos: construção de corredores de trânsito rápido para ônibus, coordenação dos serviços de ônibus e de metrô e integração dos sistemas de tarifas e de bilhetagens entre as rotas.

Além disso, todas as 400 linhas de ônibus foram divididas em quatro grupos, identificados por cores.

  • Os azuis fazem rotas de longa distância e de forma expressa, conectando um subúrbio a outro e esses ao centro.
  • Os veículos verdes cumprem trajetos dentro da região metropolitana e alimentam as estações de metrô e os pontos de ônibus expressos.
  • Os amarelos trafegam dentro do centro de Seul;
  • E os vermelhos são destinados a viagens de longa distância, conectando as cidades satélites ao centro da capital sul-coreana.

E para atender à fixação dos coreanos por tecnologia, todos os veículos têm GPS, o que permite às autoridades monitorarem a velocidade e a localização dos ônibus. As informações são repassadas via celular e em tempo real para o usuário, que do Iphone – a loja virtual da Apple tem até um aplicativo só para o transporte público de Seul – pode saber quanto tempo falta para o ônibus chegar ao ponto e qual a melhor rota ou conexão escolher.

Além da pontualidade, o sistema de tarifas e bilhetagem é outra vantagem para o usuário, que paga a passagem de ônibus e de metrô com cartão magnético. Todo esse sistema de ônibus está integrado ao metrô, cujas dez linhas somam 286 quilômetros, interligam 265 estações e transportam 4,4 milhões de pessoas por dia, muitas delas de outros países.

http://blogmundopossivel.com.br/?p=1608

Nova Yorque

O padrão de grade de Manhattan e o sistema de transporte público extensivo faz desta uma das cidades mais fáceis de se usar o transporte público no mundo – e ele é realmente usado.

O montante massivo de residentes e visitantes em NY ocupam cada avenida do sistema de transporte. Aproximadamente 3,8 milhoes de passageiros diariamente viajam no transporte público, que opera 24 horas por dia, todos os dias. Da mesma forma que as calçadas estão constantemente apinhadas de pessoas, carros tomam conta de cada rua na cidade que nunca dorme.

A Manhattan Transportation Authority (Autoridade em Transportes de Manhattan) – MTA, é o órgão responsável por todo o transporte necessario em Nova York. Metrôs, ônibus e trens provêm 2,6 bilhoes de viajens por ano para os nova-iorquinos, equivalendo a 1/3 de todo o serviço de trânsito em massa dos Estados Unidos e 2/3 de todas as linhas de trem urbanas.

As pontes e túneis do MTA carregam mais de 300 milhoes de veículos por ano. É a maior rede norte-americana de tranporte e serve a uma população de 14,6 milhões de pessoas numa área de 5 mil m².

http://www.easyexpat.com/en/new-york/practical/transport.htm

Curiosidade sobre o Transporte Urbano

Em 1662, com uma licença do rei Luis XIV para explorar cinco rotas com carruagens, Blaise Pascal definiu os primeiros conceitos que iriam nortear o serviço de transporte público coletivo. Na sua empreitada, o serviço deveria cumprir os seguintes critérios:

  • Os carros iriam seguir o mesmo trajeto de um ponto a outro;
  • As saídas obedeceriam horários regulares, mesmo sem passageiros;
  • cada ocupante iria pagar apenas por seu lugar, independentemente de quanto lugares ocupados nos carros;
  • A rota ao redor de Paris seria dividida em cinco setores, a tarifa de cinco centavos permitiria cruzar apenas para mais um setor. Além disso, deveria ser paga uma nova tarifa.
  • Não seria aceito ouro como pagamento, a fim de evitar atrasos.

Wikipedia – Transporte Publico

Observe as estas leis. São de 1662. Parecem familiares a você?  😉

Links

Transporte urbano nos países em desenvolvimento: reflexões e propostas Por Eduardo Alcântara de Vasconcellos

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9 pensamentos sobre “Transporte Coletivo no Mundo – Parte 1

  1. Em Curitiba(PR) o transporte público é muito melhor que o de Brasília(DF), justamente porque Curitiba foi bem projetada. Para mim é uma tristeza saber que na cidade em que eu moro, Brasília, nunca vai ter VLT, tudo isso por causa de uma interdição do Iphan, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Por isso, especialistas propôem a implementação do VLP. Eu também acho que o transporte público francês é mil vezes melhor que o brasileiro.

  2. Curitiba, isso sim que é meio de transporte público pois aqui em Recife também é um caos precisamos de um projeto como esse.

  3. Pois é fui a Curitiba a passeio e o transporte é reflexo de uma cidade bem planejada, é bem diferente que o de Porto Alegre.

    • Olá, Edison. Infelizmente, os problemas no trânsito não são exclusividade de Porto Alegre… mas agora, com a LEI Nº 12.587, DE 3 DE JANEIRO DE 2012, que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, os municípios serão obrigados a se adequar e, quem sabe, não teremos muito em breve dias melhores! 😉

  4. Morei em Curitiba seis meses e de fato a cidade tem o melhor transporte público do Brasil e agora lançou o ônibus híbrido a eletricidade e biocombustivel parabéns Curiiiitiba

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