A Engenharia nas maiores revistas do país II

O Empreiteiro – Ranking das 500 Grandes/ Julho 2010

Proximidade das eleições movimenta obras de infraestrutura a nível federal e estadual

A engenharia brasileira havia celebrado o melhor ano da década em 2008 e manteve essa trajetória em 2009, impulsionada pela aceleração das obras de infraestrutura, tanto do governo federal como dos governos estaduais, na antevéspera das eleições de 2010. O faturamento bruto somado das principais empresas do Ranking da Engenharia Brasileira, representadas por amostragem pelas 100 maiores construtoras,  20 maiores empresas de montagem industrial, 40 maiores projetistas e gerenciadoras, e 30 maiores firmas de serviços especiais de engenharia, atingiu R$ 76,741 bilhões, 11,79% superior aos números do ano anterior, que foi o melhor da década (1999-2008).  Se compararmos esse valor de 2009 com o do inicio da década em 2000, o crescimento é de 142,36%.

Esta pesquisa exclusiva da revista O Empreiteiro é realizada anualmente através de questionários enviados diretamente a mais de 2500 empresas do Pais, com a participação das entidades de classe nos Estados.

Edição:

No ano de 2009, não só as obras federais agitaram o mercado, mas os projetos dos governos estaduais e a retomada intensa da indústria imobiliária apresentaram ótima performance. Entretanto, os empreendimentos industriais entraram em marcha lenta, pressionados pelas incertezas da crise global.

O cenário de 2009 era bem diferente do atual, quando os números do Produto Interno Bruto (PIB) atestam a força dos países emergentes, que se livraram da crise global iniciada em 2008 numa velocidade insuspeita e retomaram a trilha da expansão econômica. Em 2009, os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal começaram a acelerar suas obras, já com vistas às eleições do ano seguinte. Os governos estaduais também entravam em ritmo de conclusão das principais obras, pelos mesmos motivos.

A indústria imobiliária decolava seguindo uma trajetória ascendente, irrigada com fartos recursos de financiamento para a classe média e estimulada pelas perspectivas do programa Minha Casa, Minha Vida que anunciava a construção de um milhão de moradias para a população de baixa renda.

O segmento de construção industrial contrastava com este cenário otimista, porque a crise global havia colocado os empreendimentos industriais e comerciais em xeque, na medida em que os mercados dos EUA, Europa e Japão entraram em estado de choque. Havia o receio generalizado de que esta estagnação contaminasse os países emergentes, como o Brasil, a Índia e a China.

Os números de expansão do PIB no primeiro trimestre de 2010 confirmaram essas projeções. Enquanto a China, Índia, Brasil e outros emergentes sustentam taxas variadas de crescimento e os EUA ainda não revelam sinais sólidos de que saíram do declínio e ingressaram na retomada da atividade econômica, a Europa patina talvez com a exceção da Alemanha. Enquanto isso, o Japão parece continuar sem rumo após uma década de estagnação.

Brasil e seus enigmas

Como na mitologia da esfinge que apresenta um enigma a ser decifrado (“Deciframe ou devoro-te”), o Brasil se defronta com seus próprios enigmas. Quando se desenhava desenhava um cenário onírico de transformação propiciada pela Copa do Mundo 2014 e Olimpíada 2016, criando as fundações para um pais do 3o Milênio, eis que novas

enchentes em diversas regiões nos remetem à realidade da obsolescência da nossa infraestrutura, ausência absolta de monitoramento de fenômenos naturais – com exceção das previsões de tempo – e inoperância da burocracia estatal para liberar recursos de emergência.

Os dois eventos esportivos globais criam uma oportunidade de transformação das capitais brasileiras e do País, com a melhoria substancial da infraestrutura de transporte de massa e de saneamento, para falarmos apenas de dois aspectos prioritários, como legado permanente para uso da população. Caso contrario, teríamos mais uma vez perdidoesta janela de oportunidade, além de desperdiçarmos um volume gigantesco de recursos cuja conta será apresentada às gerações futuras.

A sociedade brasileira, que conseguiu a façanha de aprovar o projeto Ficha Limpa para excluir os candidatos à eleição de passado duvidoso, deve tomar outra decisão dramática: exigir que as obras da Copa 2014 e Olimpíada 2016 priorizem o legado pós-jogos para a população e desautorizar os projetos faraônicos e execrar seus proponentes.

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