Especial – O novo engenheiro

PANORAMA ATUAL

“A Engenharia Civil pode ser muito ampla ou muito limitada. Depende da visão de quem vai praticar.”

Engenheiro José Eugênio de Castro

Os dados são claros. Dos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o que menos forma engenheiros. A Rússia forma 190 mil por ano, a Índia 220 mil e a China 650 mil. Nós formamos cerca de 40 mil, em todas as especialidades.

A indústria brasileira precisa de engenheiros para continuar crescendo. Com um ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) entre 5% e 6% ao ano, a demanda do Brasil é de cerca de 60 mil engenheiros por ano. “É por isso que hoje a indústria primeiro contrata o engenheiro e depois pergunta o que ele sabe fazer. A disputa é acirrada”, constata Paulo Afonso Ferreira, diretor-geral do Instituto Euvaldo Lodi (IEL).

A procura por mais engenheiros, aliada aos avanços tecnológicos em nossa área nos últimos anos levou as instituições de ensino superior à reverem seus padrões de formação destes profissionais.

REFORMAS IMPORTANTES

“Engenharia = Física + Bom Senso. Mas a recíproca não é verdadeira.”

Prof. Laura Goretti da Motta

O Terceiro Milênio está começando e traz consigo mudanças na Educação como conseqüência natural da transformação do mundo. Um novo paradigma na educação emergiu, embora ainda não esteja consolidado. O que nós podemos ver são algumas idéias de educadores que podem notar os sinais do tempo e pôr em prática novos projetos de educação, desempenhando um importante papel na construção desta nova história. A Universidade se tornou um espaço aberto conectado para o mundo, onde conhecimento e experiência são compartilhados com a comunidade.

No campo da Engenharia as coisas não são diferentes, o desafio é formar engenheiros com mentes científicas para desenvolver ciência e tecnologia em acordo com a complexidade do dia-a-dia da vida moderna. Nas instruções do velho paradigma de educação o mais importante no programa presencial de educação é a grande gama de informações, com poucas oportunidades para os estudantes adquirirem algum contato com a realidade e a prática do trabalho. Com o desenvolvimento da ciência e tecnologia, a globalização tornou-se uma realidade e assim o sistema de produção e as relações de trabalha sofreram transformações profundas com fortes conseqüências na educação, principalmente na Educação Superior. O desafio presente para as instituições educacionais é preparar o futuro profissional para o novo mercado de trabalho.

De agora em diante, a educação deve reger-se na ” Construção do Conhecimento ” que é baseado no conceito de Papert de educação. É o “aprender fazendo ” que está de acordo com as demandas do novo paradigma do trabalho. É a formação de um profissional que poderá se inserir e se manter no mercado de trabalho global. O professor se torna mais um conselheiro, um mestre para ajudar os estudantes a achar sua própria forma de adquirir conhecimento e para a realização de seus projetos.

A RESPONSABILIDADE SOCIAL

“Costuma-se dizer que idealistas, poetas e visionários são inspirados pelos deuses para conceber produtos revolucionários e maravilhosos, mas deixam aos engenheiros a tarefa de torná-los realidade e fazê-los funcionar.”

Marcelo Mariaca

É fundamental para o engenheiro desenvolver uma visão sistêmica do mundo, ou seja: reconhecer que, como agente de transformação social, ele faz parte do todo. Neste aspecto, é essencial desenvolver competências científica e tecnológica com gestão ética, procurando harmonizá-las. Ao tomar consciência da necessidade de conciliar sua habilidade técnica (a de executar sua atividade específica) com a habilidade humana (a de desenvolver o relacionamento humano proativo), esse profissional desenvolverá a habilidade conceitual, a qual está diretamente associada à coordenação e integração de todas as atividades, atitudes e interesses da organização a qual pertence ou presta serviço. Seja qual for a especialidade da engenharia, o seu profissional deve estar envolvido e comprometido com o presente e com o futuro da organização.

Face às possibilidades inteiramente novas da tecnologia, uma nova ética torna-se necessária e que diz respeito ao futuro do próprio planeta. Torna-se necessário o conhecimento dos efeitos de uma determinada atividade que não podem ser percebidos a uma primeira vista – dos efeitos distantes que as gerações atuais jogam sobre os ombros das gerações futuras, de tal modo que se deve preservar o presente para que haja o futuro. Neste, é imprescindível a formação do engenheiro socialmente responsável.

NOVAS TECNOLOGIAS

Se você sai da universidade dominando o AutoCad, você está ao nivel de todos os outros recém-formados. Se você não sabe, está desatualizado.”

Prof. Dr. Jose Antônio Aravena Reyes

A preferência por engenheiros em áreas tão diversas resulta de sua formação profissional. Em primeiro lugar, ingressar em uma boa faculdade de engenharia e conseguir formar-se bacharel cinco anos mais tarde são comprovações de inteligência avançada e disciplina mental quantitativa. Logo, esses profissionais aprendem a lidar com planejamento e projetos e como colocá-los em prática de forma mais prática, racional e econômica.

Para isso, desenvolvem a capacidade de raciocinar e resolver problemas de forma lógica, estruturada e organizada. Desde a universidade, familiarizam-se com planilhas e cronogramas físicos e financeiros, habituam-se a usar números para fundamentar suas ideias e conclusões e para medir e avaliar os resultados.

BM BOK, CAD 3D, MS Project, MatLab, FTool, SAP, são alguns dos softwares de Gerenciamento e ferramentas importantíssimas para o destaque de qualquer profissional. Muitas universidades estão defasadas em relação ao ensino desses programas.

Cabe a nós buscarmos uma melhora na Formação Acadêmica de nosso curso. Mas a partir de que ponto?

Como cita o professor Aravena, devemos nos perguntar:  “o que devemos fazer para sair da inércia institucional? e que devemos fazer para demonstrar claramente como será atingido, mediante um processo formativo, o perfil desejado para o novo engenheiro?. Estas perguntas se traduzem em questionamentos sob:

  • O que fazer para desenvolver competências para absorver e desenvolver novas tecnologias?
  • O que fazer para desenvolver uma atuação crítica?
  • O que fazer para desenvolver um olhar profissional amplo?, ou
  • O que fazer para formar engenheiros que atuem crítica e criativamente na identificação e resolução de problemas, considerando aspectos éticos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais?”

“Engenheiro Civil não é Deus, mas tudo pode!”

Prof. Laura Goretti da Motta


Para se aprofundar:

A FORMAÇÃO DO NOVO ENGENHEIRO

Autor: José Aravena Reyes, Professor do Departamento de Construção Civil, Coordenador Geral do Centro de Educação à Distância da UFJF.

Links:

Universia – Brasil precisa de mais engenheiros

Responsabilidade Social do Engenheiro (íntegra)

Fontes:

http://www.brasileconomico.com.br/noticias/procurase-engenheiro_76434.html

http://www.pp.ufu.br/Cobenge2001/trabalhos/FCU009.pdf

http://fiepb.com.br/noticias/2010/08/24/brasil_precisa_formar_60_mil_engenheiros_por_ano

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