Construtor Digital de Casas

Utilizando o chamado D-process e uma máquina CNC uma empresa inglesa está inovando ao fazer casas construídas digitalmente. A máquina CNC é um dispositivo que corta e modela a madeira automaticamente e exatamente de acordo com as especificações de um arquivo CAD. E este processo pode ser usado para construir casas inteiras!

O que é CNC?

A sigla significa “Computer Numerical Control”, em português, Controle Numérico Computadorizado, é um termo muito amplo que serve para uma enorme quantidade de processos e técnicas de produção. A máquina se parece com uma grande impressora, a partir de uma placa pode-se recortar diversas formas com espessuras variadas, é possível também “esculpir” números, e outros entalhes.

D-process x Pré-moldados

Pode-se confundir o D-process com pré-moldados, mas essa tecnologia possui diferenciais importantes.

Diferente das casas pré-fabricadas, onde todos os componentes são construídos em uma fábrica antecipadamente, no D-process simplesmente leva-se a máquina CNC para o local da construção juntamente com as placas de madeira e os componentes são produzidos lá mesmo. Como não há necessidade de uma fábrica os custos são reduzidos.

Também ao contrário das tradicionais casas pré-fabricadas, que tem a reputação de serem frágeis, essas casas são de ótima qualidade, sustentáveis e com projetos inovadores.

Bruce Bell, diretor da empresa pioneira neste processo, explica que o processo CNC existe há cerca de 20 anos, mas seu novo aspecto de programação o tornou bem mais simples e acessível a um público maior. Essa nova geração de produção digital CNC garante muito mais flexibilidade a dá as pessoas chance de inovarem, “O diferencial é que cada construção é completamente diferente da anterior”, diz ele.

O Processo

O processo de criação do projeto é bastante tradicional, os clientes procuram a empresa, que esboça o modelo de acordo com as suas exigências. E então é feito um modelo digital, onde é criado um modelo 3D bastante detalhado com todos os dados da casa.

Todo o processo, desde a fabricação até o acabamento, pode durar até 6 semanas. A etapa de fabricação é um pouco mais demorada do que o processo de encaixe das peças. A equipe resume-se a duas pessoas para operar as máquinas e empilhar os componentes. Além delas, uma equipe de cerca de 4 pessoas realiza a montagem uma vez por semana. “É muito simples, na verdade, é muito pouco tecnológico em relação a sua montagem, mas muito moderno na sua produção”, diz Bruce.

O material utilizado é basicamente a madeira, que é usada para fazer todo o piso, o teto e as paredes, mas, no interior seu aspecto é bastante tradicional com forros de gesso, etc.

A maior preocupação sem dúvida é com a durabilidade das construções, mas quando questionado sobre isso, o diretor é categórico “…alguns dos prédios mais antigos são feitos de madeira e se você olhar para um prédio de tijolos ele tem somente paredes de tijolos com um teto de madeira e se você remover o telhado o edifício vai se deteriorar e desabar em algum momento. Mas qualquer edifício, se você o mantiver adequadamente, ele vai durar para sempre.

Fonte: Humans Invent

Sistema “Tilt-up”

O sistema construtivo de painéis estruturais pré-moldados já é bastante conhecido. O “Tilt-up”, uma vertente deste sistema, também vem ganhando cada vez mais visibilidade e adesão. Como diz o próprio nome, que literalmente significa “Inclinar para cima”, este método consiste na construção das paredes horizontalmente. Somente depois de prontas as paredes são erguidas e fixadas.

Embora os cálculos estruturais sejam mais complexos do que nas construções convencionais, uma vez que se deve considerar o processo de içamento dos painéis e seu ajuste sobre as fundações, a execução é bastante simples:

Dicas de execução:

  1. O piso de concreto deve ter entre 12 cm e 15 cm;
  2. O pavimento deve ser nivelado a laser e resistir à flexão, compressão e abrasão, bem como apresentar planicidade e acabamento final liso;
  3. Quando não for possível escorar por dentro, deve-se prever fundação provisória ou bloco de concreto para o apoio das escoras;
  4. As escoras devem formar um ângulo entre 45º e 60º com o piso e ter medir cerca de 60% da altura da placa;
  5. Correções de prumo podem ser feitas na rosca sem-fim da escora;
  6. Um calço provisório na fundação garante o ajuste de nivelamento da placa;
  7. Para o dimensionamento das placas, devem-se levar em conta as cargas verticais (o próprio peso no momento do içamento e as cargas de lajes e coberturas), cargas horizontais (ação do vento durante a montagem e depois de pronta) e a flexão no plano do painel, devido à interferência do contraventamento;
  8. Na ausência de espaço para o processo de moldagem de todos os painéis, os painéis prontos podem ser empilhados até que sejam posicionados no local definitivo.

 Um destaque entre as diversas vantagens oferecidas pelo uso do “Tilt-up” é a segurança, pois como a grande parte do trabalho é feita no chão quase não há a necessidade de trabalhar-se em grandes alturas, reduzindo o risco de acidentes. Outros benefícios evidentes são também a redução nos custos e no tempo de obra. O tempo de obra é bem menor devido à possibilidade de realizar-se concomitantemente a fabricação dos diversos painéis que constituirão a obra, já a redução de gastos deve-se à possibilidade de melhor gerenciamento e otimização do processo, contribui também o fato de que quase não há custos relativos ao transporte como nos pré-moldados tradicionais.

Hotel construído pelo sistema "Tilt-up"

A facilidade de modificação das construções “Tilt-up” também é um grande atrativo. É muito simples deslocar painéis e abrir novos vãos para portas e janelas por meio do corte do painel, sem demolições ou remendos. Outra característica atrativa deste processo é o fato de não haver praticamente nenhuma restrição arquitetônica possibilitando sua aplicação em qualquer tipo de construção, exceto apenas prédios muito altos.

Inicialmente o sistema era voltado quase que exclusivamente para a construção de galpões industriais, cuja construção precisava ser concluída no prazo estipulado e com o menor desperdício possível. Contudo, hoje o “Tilt-up” vem adquirindo uma aplicação bem mais ampla. Nos Estados Unidos, a taxa de crescimento da indústria “Tilt-up” é de 20% ao ano, já tendo ultrapassado a média anual de 60 milhões de m², em 12.000 edifícios. No Brasil já são mais de 2 milhões de m² construídos por esta técnica, mas ainda assim o numero de empresas especializadas na área é muito pequeno. Ainda assim, este método construtivo extremamente dinâmico e facilmente aplicável em diversas áreas do setor promete conquistar o mercado brasileiro.

Fontes: Revista TéchneCatep;