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As construções tortas da Cidade do México

Será que essa foto está assim tão torta?

Mas engana-se quem pensa que o problema é da câmera. Ou do fotógrafo. Na Cidade do México, tudo está um pouco fora de prumo.

Solo

No século 14, os astecas construíram a capital de seu império, chamada Tenochtitlán, em uma ilha no lago Texcoco. Com a conquista dos espanhóis, em 1521, a capital asteca foi destruída e, assim, iniciou-se a expansão territorial sobre o lago. As conseqüências do aterramento do Texcoco são sentidas hoje em dia, porque o solo se tornou frágil com o peso da cidade. Em outras palavras, há pontos que estão afundando, como é o caso da Basílica de Guadalupe e alguns monumentos. Tudo isso é reflexo de um crescimento urbano incrível sobre um aterro alagadiço.

A terra não suporta o peso das construções e vários prédios, igrejas, monumentos e até mesmo as ruas apresentam desnível e rachaduras. Os danos se estendem por toda a cidade. No Paseo de la Reforma, por exemplo, o monumento a la Independencia submerge 2 cm por ano e já afundou 36 metros. Quando foi erguido, em 1910, a base ficava à beira da rua. Com o desnível, o governo começou a colocar degraus de pedra embaixo do monumento para retardar seu afundamento.

Resta-nos a pergunta: quem é louco o suficiente para construir uma capital colonial em pântanos enlameados, em terreno instável cercado por vulcões, sentado em uma linha de falha tectônica? Os governantes espanhóis da época descartaram a topografia, confiantes na sua convicção de o homem do século 16 poderia conquistar a natureza com facilidade. Sua grande catedral começou a afundar assim que o telhado foi assentado, mas eles estavam ocupados demais subjugando outros reinos para se preocuparem com isso.

Agora o problema está piorando. O crescimento desenfreado da população esgota os aqüíferos subterrâneos, e várias partes da cidade estão afundando ainda mais rápido, prejudicando os sistemas de drenagem e enfraquecendo fundações de edifícios. Muitas das restaurações históricas retém apenas a fachada: o resto já está muito quebrado e torto para salvar.

Equipes de construção estão a todo o momento ocupadas cavando buracos que serão utilizados na restauração, mas parece que vai levar mais de concreto e guindastes para acertar estes edifícios em linha reta novamente.

Imagens

Via Portal São Francisco, Perceptive Travels – Unbalanced in the Sinking City, by Tim Leffel

Segurança do Trabalho na Construção Civil – Parte IV – Humor

Você conhece as normas de Segurança do Trabalho? Sabe as atribuições do Engenheiro em Segurança do Trabalho? Agora veja na prática como eles fazem falta…

O que acham desse lugar de descanso?

Dá tempo para um banhozinho? :P

Equipamentos de proteção

SUPER seguro

Fail…

Vejo um motorista nervoso rs

Ferramentas elétricas e piscina SUPER combinam :P

E para fechar, um vídeo que mesmo fake, vale a pena ver

Fonte: Engenhariacivil.com, Filipe Fuscaldi.

Desabamento de Prédios – Parte 1

28/04/2011 2 comentários

No Rio de Janeiro

Um prédio de 3 pavimentos desabou na tarde de segunda-feira(18/04/11) em São João do Meriti, na Baixada Fluminense . O desabamento ocorreu 10 minutos após uma vistoria seguida de evacuação feita por oficiais da Defesa Civil do município. Segundo o coordenador do órgão, major Alexandre Silveira, o grupo foi chamado depois que moradores ouviram estalos em um dos pilares da edificação, na qual havia um mercado, na parte térrea, e oito apartamentos, ao todo, nos dois pisos restantes. Não houve feridos.

O laudo técnico preliminar da Defesa Civil municipal de São João de Meriti (RJ) apontou que “todas as colunas” da parte traseira do prédio estavam comprometidas. Conforme informações de Silveira, o laudo pericial será entregue à secretaria de Obras do município para que sirva de subsídio ao levantamento de documentos referentes à construção.

As causas do esmagamento dos pilares, por exemplo, estarão nessa etapa posterior de análise do acidente. “Pode ser desde excesso de carga ou falha no método construtivo, inexistência de análise do solo na área antes que o prédio fosse construído e mesmo agentes externos, o que achamos pouco provável”, disse o oficial.

A Defesa Civil fará hoje um laudo técnico preliminar que será entregue à secretaria de Obras do município para adoção de providências. “Não sabemos o método de construção utilizado, mas com certeza o prédio caiu por colapso estrutural: havia um pilar que estava quebrando, e que, quando vergou, o restante veio junto”, afirmou o major.

Além dos moradores do prédio, foram retiradas também pessoas que moravam em oito residências da vizinhança. As casas ainda estão interditadas porque, com parte dos escombros do prédio sobre algumas delas, não está completamente afastada a chance de novos desabamentos.

Fonte: G1, Uol Notícias

Em Belém

Um edifício de 32 andares em construção desabou por volta das 14h dia 29 de janeiro de 2011 em Belém, capital do Pará. O edifício denominado Real Class estava sendo construído pela empresa Real, com dois apartamentos por andar destinados à classe média alta.

Erro no cálculo estrutural e uso de material inadequado na obra. Essas foram as causas oficiais do desabamento do edifício Real Class, segundo relatório da perícia do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves. O resultado deve servir de prova importante para o inquérito aberto na Polícia Civil para investigar os culpados pela queda do prédio, que causou a morte de três pessoas.

Segundo o perito Dorival Pinheiro, que coordenou os trabalhos do CPC, houve erro “no projeto, com falha na concepção do sistema estrutural, erro na escolha do modelo matemático (usado para avaliar e monitorar a obra) e no dimensionamento e detalhamento dos estribos dos pilares da obra”. Os estribos são ferros retorcidos que servem para “amarrar” as colunas de ferros usados nos pilares de sustentação do prédio.

Além disso, foi detectado que a bitola (diâmetro) do ferro era menor que o recomendado nos dois pilares centrais do prédio. Os pilares de ferro deveriam ter pelo menos 5mm, mas tinham 4,2mm.

Dorival concluiu que houve “falhas na concepção do sistema estrutural e que o prédio não deveria ter 34 andares”.

Outro ponto importante na investigação dos peritos foi o fato de que eles descartaram a ação do vento, que foi considerado como principal fator da queda da estrutura no laudo emitido por engenheiros ligados ao Curso de Engenharia Civil da UFPA. A análise dos peritos foi toda feita com os indícios e materiais coletados no local do acidente.

Fonte: Folha.com (Foto), Diário do Pará

Veja mais sobre o assunto na próxima parte deste artigo. Quais são as causas mais comuns de desabamento de prédios? Qual a freqüência com que isso ocorre no Brasil? Quais são os riscos a que estamos sujeitos todos os dias?

Obras e Projetos para a Copa e Olimpíadas – Parte 2

24/02/2011 2 comentários

Praça Mauá - Rio de Janeiro

Futura Praça Mauá - Imagem de divulgação do Projeto Porto Maravilha

Desafios

O Brasil teve pouco mais de cinco anos para preparar a realização de sua segunda Copa do Mundo de futebol. A primeira, em 1950, teve partidas disputadas em seis cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Recife. Na Copa de 2014, o número vai dobrar: doze cidades vão receber o mundial e, para isso, precisam correr contra o tempo. As reformas ou construções dos estádios devem começar no máximo até o dia 31 de janeiro de 2010. Já o prazo final para a entrega definitiva de todos os estádios em plenas condições de uso será o dia 31 de dezembro de 2012. Em 2013, o país deverá receber a Copa das Confederações, que serve como uma espécie de ensaio geral para o Mundial.

Além disso, as cidades terão de melhorar a infraestrutura para receber as seleções e torcedores estrangeiros.

Projetos

O Ministério do Turismo (MTur) apresentou, em Brasília (DF), uma proposta para a elaboração do Plano Estratégico do Turismo Brasileiro para a Copa do Mundo da FIFA de 2014. A ideia é estabelecer uma Matriz de Responsabilidades do Turismo Brasileiro para o Mundial de 2014. “Ao definir o plano estratégico do turismo para Copa, otimizam-se recursos e somam-se esforços para que o evento tenha o planejamento e o tratamento adequado”, ressalta o secretário Nacional de Políticas de Turismo, Carlos Silva.

Já para a secretária de Turismo do Amazonas, Oreni Braga, a proposta da câmara temática não seria mais oportuna ao momento que o país vive. “O coração da Copa é o turismo. O setor é a coluna vertebral do evento, precisamos de bons aeroportos, mão-de-obra qualificada, bons hotéis. Esse planejamento permitirá a oferta de bons serviços turísticos e infraestrutura adequada ao turista em 2014”, destaca Braga.

O plano será focado em seis áreas principais: estruturação da oferta turística (meios de hospedagem, alimentação, receptivo e atrativos naturais e culturais); infraestrutura turística (sinalização e centros de atendimento ao turista); qualificação profissional (gerentes a prestadores de serviços turísticos); promoção e apoio à comercialização (nacional e internacional); e combate à exploração sexual (campanhas de sensibilização) e estruturas e serviços temporários para a Copa.

Roteiro elaborado pelo CREA-MG com os desafios para a execução das obras

Nos próximos anos teremos um fluxo consistente de investimentos. A Copa de 2014 permitirá ao Brasil ter uma infra-estrutura moderna. Em termos sociais será muito benéfico. A Copa do Mundo vai muito além de um mero evento esportivo, será uma ferramenta interessante para promover uma transformação social.

Em 31 de agosto de 2009, a agência estadual de gestão dos aeroportos da Infraero divulgou um plano de investimentos de R$ 5,3 bilhõespara atualizar os aeroportos de dez cidades sede, aumentando a sua capacidade e o conforto para os centenas de milhares de turistas esperados para a Copa. Uma parcela significativa (55,3%) do dinheiro será gasto reformulando os aeroportos de São Paulo e Rio de Janeiro. O valor de investimento abrange obras a serem realizadas até 2014.

O anúncio feito pela Infraero veio em resposta às críticas feitas pela Associação Brasileira de Aviação Geral, um grupo de proprietários de aviões particulares, de que os aeroportos do Brasil atualmente não poderiam lidar com o afluxo causado pela Copa do Mundo. A maioria dos aeroportos do Brasil foram construídos antes do fim da Segunda Guerra Mundial e vários estão em ponto de saturação em termos de passageiros, de acordo com a associação.

Uma outra iniciativa interessante partiu de uma das ações do Sebrae-DF para preparar os micro e pequenos empresários para a Copa do Mundo de 2014: a realização de uma missão internacional para a África do Sul. A viagem, que ocorreu após a realização da Copa do Mundo em 2010, funcionará como um benchmarking pós-copa. Isso quer dizer que os empresários selecionados para a missão terão na África do Sul exemplos a serem seguidos ou não na Copa que antecede a do Brasil.

Plano B

A Copa do Mundo-2014 corre risco de sofrer alterações em seu projeto inicial. Orlando Silva, ministro do Esporte, admitiu em meados do ano passado  que o Governo pensa em um plano B para o Mundial, com a redução de 12 para oito as cidades brasileiras que receberão jogos do torneio.

“Caso não se cumpra o prazo de início das obras, o plano B para a Copa será a exclusão de cidades”, afirmou o ministro durante sua participação no Fórum Empresarial de Comandatuba (Bahia).

Caso o Brasil não dê conta da tarefa, a Fifa pode transferir o Mundial para outro país que já tenha a estrutura pronta. Os Estados Unidos, por exemplo, poderiam se preparar rapidamente.

À época do anúncio do Brasil como sede da copa 2014, nenhum estádio tinha condições de abrigar um jogo de Copa. Muito pelo contrário: todos os postulantes estavam bem longe do padrão exigido pela Fifa.

A Fifa já havia apontado problemas no Morumbi (em São Paulo) e Maracanã (no Rio de Janeiro). No estádio paulistano, houve diversas críticas referentes ao projeto das obras. Problemas de visibilidade e de infraestrutura no entorno da arena também foram citados pela entidade.  Esta também apontou problemas no projeto de reforma do Maracanã, o que levou a um novo adiamento da licitação da obra. Entre os pontos levantados pela Fifa, estão questões como visibilidade, acesso dos torcedores e impermeabilização do gramado e dos vestiários. Os custos das reformas no estádio, inicialmente previstos em R$ 430 milhões, já estão estimados em R$ 600 milhões e devem aumentar ainda mais.

Até mesmo o maior garoto-propaganda do esporte brasileiro está preocupado em pagar mico perante o mundo. Pelé revelou nesta sexta-feira (18 de fevereiro de 2011) que está preocupado com os atrasos na organização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016, no Rio.

Resta saber se vamos estar preparados para sermos vistos por torcedores de todo o mundo. E torcer muito para que as obras não atrasem nem mais um pouco.

Via: UOL Copa do Mundo, Portal Fator Brasil, Gazeta Esportiva Copa 2014, Portal Copa 2014, Site Veja, SEBRAE, CREA-MG, Wikipedia, R7

Desentortando Prédios

03/02/2011 1 comentário

Atração turística para quem caminha pelo calçadão e uma preocupação para quem mora neles. Assim podem ser definidos os edifícios sem prumo da orla de Santos, no litoral paulista.

Pelo seu caráter litorâneo e pelo fato de ter sido construída em parte sobre antigos terrenos de manguezais, a cidade de Santos tem um perfil de solos dos mais difíceis no país para a construção de fundações. Por este motivo, uma série de edifícios foram erigidos ao longo do século XX (especialmente a partir da década de 1960) com fundações executadas a partir de equívocos de sondagem ou de projeto. A especulação imobiliária surgida com a explosão do veraneio em Santos foi a responsável por tais erros, já que os edifícios eram construídos rapidamente para abrigar muitos turistas.

Com o tempo, tais edifícios passaram a sofrer acentuados recalques diferenciais: tornam-se “tortos” (ou seja, perdem o prumo) aos olhos dos pedestres situados na praia. Recentemente os “prédios tortos” da orla de Santos estão virando atração turística: são cerca de 90 prédios com esta característica. Estão concentrados na orla do Boqueirão, Embaré e Aparecida. O reaprumo ou a implosão e reconstrução são soluções possíveis. A primeira opção, menos impactante que a segunda, já foi executada com sucesso no edifício que era considerado o mais inclinado da orla (o denominado ‘Núncio Malzoni’, no bairro do Boqueirão), o qual tinha mais de 2 metros de inclinação do topo em relação à base (a inclinação da Torre de Pisa é de aproximadamente 4 metros).

A questão da qualidade do solo para construção de edifícios na Cidade é o alvo de uma pesquisa da professora de Mecânica dos Solos, Nilene Janini de Oliveira. Ela desenvolveu uma dissertação de mestrado comparando recalques (inclinação) calculados para um prédio, analisando cada etapa da obra. De acordo com Nilene, Santos tem solo considerado de má qualidade para a construção de edifícios e, nesse aspecto, só perde para a Cidade do México.

O solo da cidade é formado de oito a 12 metros de camada de areia medianamente compacta, seguida de 20 a 40 metros de uma camada de argila marinha, podendo depois ter outra faixa de areia ou não, e por último uma camada dura (formada por rochas) que varia de 40 a 50 metros.

Para saber a resistência do solo é feito um relatório de sondagem. Retira-se uma amostra de cada camada, que é levada para um laboratório, onde se detecta o tipo de fundação a ser feita. Há dois tipos de fundações: rasa (em que se utilizam sapatas), quando se tem um solo que suporta a carga dos pilares, e profunda (onde geralmente se utilizam estacas) quando o solo é menos resistente.

O custo de uma fundação profunda é três vezes maior do que o de uma rasa, mas às vezes esse recurso é inevitável. É em função disso que muitos economizam quando não devem, como explica o inspetor do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Santos (CREA), Orlando Carlos Batista Damin. “A maioria dos prédios da orla da praia necessita de fundação profunda e se está torto, foi por pura economia, já que este tipo de técnica, necessária, é de alto custo”.

Assista à reportagem do Jornal Nacional a respeito do trabalho de aprumo do Núncio Malzoni

Dados técnicos da obra do Condomínio Núncio Malzoni concluída em 2001

Construído em 1967, o edifício de dezessete andares (com um apartamento de 240 metros quadrados por andar) afundou de forma irregular, tombando para seu lado direito. A diferença entre uma lateral e outra é de 45 centímetros, o que representa um deslocamento do topo de 2,10 metros. A cada ano, o desaprumo aumentava 1 centímetro. “O prédio poderia ruir em oito anos”, afirma o engenheiro Paulo de Mattos Pimenta, consultor de estruturas.

As obras surpreendem pela ousadia. O prédio, com suas 6.300 toneladas, ficou suspenso por catorze macacos hidráulicos e era levantado em milímetros a cada dia. “O grande desafio era movê-lo sem abalar a estrutura”, explica o engenheiro Carlos Eduardo Maffei, autor do projeto. “Usamos sete vigas de concreto abraçando os pilares para que todo o bloco fosse deslocado, sem trincar.”

Os vãos foram preenchidos com chapas de aço que servirão de suporte quando os macacos forem retirados. Estes serão substituídos por uma estrutura de concreto que ligará as vigas às novas estacas, apoiadas em uma camada de solo rochoso a 55 metros de profundidade. A fundação original tinha 1,5 metro. Nenhum morador precisou deixar o prédio durante as obras. Foi gasto 1,5 milhão de reais, quase 90.000 reais para cada condômino. Apesar do custo, a tecnologia empregada foi a alternativa econômica mais viável para desentortar o Núncio Malzoni. Há outros 97 prédios inclinados na orla santista.

Via Wikipedia, Universo Cultural, Diário Oficial de Santos, Novo Milênio

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