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Posts Etiquetados ‘Desabamento’

Desabamento de prédios no Centro do Rio

27/01/2012 1 comentário

O desabamento de 3 prédios ocorrido nesta quarta-feira (25), no centro do Rio de Janeiro despertou nas pessoas uma atenção especial quanto às condições de segurança de seus lares. A causa da própria tragédia no Rio ainda não foi confirmada, mas o especialista em gerenciamento de riscos, Moacyr Duarte explica que a forma como tudo ocorreu, a estrutura formada por vigas e colunas começou a quebrar de cima para baixo e as lajes foram se sobrepondo, sugere algumas hipóteses. “É uma queda atrás da outra, é uma quebra de coluna atrás da outra, eu acho que o castelo de cartas é a melhor ideia para entender o colapso progressivo”, disse Duarte. Essas características apontam para uma falha estrutural. Especula-se também que a obra que ocorria no prédio mais alto possa ter abalado sua estrutura.

 

A Defesa Civil já registrou aumento nos pedidos de ajuda em relação a casos de possíveis desabamentos. De repente, qualquer trinca, qualquer infiltração sinaliza uma tragédia, mas nem sempre o risco é real. Quais sinais são realmente indicadores de risco? Como evitar ser surpreendido por um problema semelhante?

Os problemas estruturais em edifícios geralmente possuem algumas características peculiares:

  • Infiltrações : suas causas podem ser variadas, como o vazamento da rede hidráulica ou deficiência de impermeabilização na laje do teto. Contudo em qualquer um dos casos o problema afeta a armadura de ferro sob o concreto provocando sua corrosão. As infiltrações são facilmente reconhecidas uma vez que provocam danos à pintura deixando a ferragem exposta e acelerando o processo de corrosão. A ação a ser tomada neste caso é emergencial, deve-se reparar a parte afetada e estancar a infiltração.
  • Trincas ou Rachaduras: para algumas pessoas estes são sinais de um sério comprometimento na estrutura da construção, mas nem sempre o problema é tão grave. Cada tipo de fissura tem uma causa, que deve ser identificada antes de definir qual o tratamento mais indicado. Algumas vezes elas são apenas danos superficiais, provenientes de retrações e dilatações da argamassa. Contudo, se as fissuras forem maiores que 0,5 mm ou afetarem elementos estruturais como vigas e pilares, o problema pode ser mais sério. É preciso estar atento, sobretudo, à rachaduras em diagonais e de rápido desenvolvimento, nestes casos é preciso que haja a orientação de um engenheiro sobre os procedimentos a serem tomados.

Além disso durante o processo de construção alguma medidas preventivas podem ser tomadas: é preciso avaliar se o solo do local pode suportar construções do nível a ser realizado, caso contrário este pode ceder prejudicando a fundação da estrutura; deve-se fiscalizar qualidade do material empregado (um dos erros recorrentes é o uso de areia com salitre na fabricação do concreto); as instalações hidráulicas e de gás encanado devem receber atenção especial bem como a localização dos botijões de gás que devem ser colocados em locais protegidos e arejados.

Alguns problemas podem ser facilmente evitados se houver o devido cuidado na fase de construção, evitando que sejam gerados grandes transtornos e eventualmente tragédias.

 Ver também: Desabamento de Prédios – Parte 1

Fontes: G1, Defesa Civil, Revista Equipe de Obra

Prédio desaba parcialmente em São Bernardo do Campo

Menos de duas semanas após o desabamento de três prédios no centro do Rio de Janeiro, um prédio desaba parcialmente em São Bernardo do Campo, no ABC. O incidente aconteceu por volta das 19h30 desta segunda (6) e provocou um rombo de 10m de diâmetro, que começou no teto do prédio e atingiu os 14 andares do Edifício Senador. Morreram duas pessoas e outras seis ficaram feridas.

A edificação, inalgurada em 1978, foi interditada na noite de quarta-feira (8) por tempo indeterminado para realização de perícia e de outros trabalhos. “Tudo com a documentação desde a sua origem e a manutenção das certificações, tudo em dia. Não há histórico de problemas”, assegura o prefeito Luiz Marinho.

O que levou ao desabamento parcial desse edifício?

Uma reforma na laje do último andar por conta de infiltração de água pode ser a causa. O reparo ocorreu no 14º andar, a cerca de dois metros de distância onde ocorreu a queda do bloco da laje, onde ficavam guardados materiais do prédio, segundo o delegado Victor Vasconcellos Lutti, do 1º Distrito Policial de São Bernardo do Campo. Policiais subiram até o último andar do edifício e checaram que tanto a obra quanto o vazamento existem no local.

“Foi feito um reparo [na laje] e esse reparo pareceu não ser conveniente, no sentido de não ter sido feito da forma como deveria ter sido. O profissional não usou a técnica correta”, disse o delegado na tarde desta terça. Também é possível que tenha havido fadiga de material, de acordo com o delegado. As hipóteses de queda da caixa d’água e de explosão estão descartadas, já que não há indícios de nenhuma das duas coisas.

Somente um laudo técnico esclarecerá as causas do acidente. A seguir, fatores que influenciam no desabamento de edifícios.

Fonte: G1, G1,Veja

Imagens Veja, G1

Desabamento de Prédios – Parte 2

Tragédias envolvendo desabamentos desvendam os riscos a que estão submetidos os compradores de imóveis. Este é um problema que se repete com alguma frequência no Brasil. Como evitá-lo? O que fazer? Como garantir a qualidade das estruturas de um imóvel em construção? Como vistoriar um imóvel usado, no momento da compra? Por que existem acidentes na construção civil? Quem fiscaliza as construções?

Real Class

Causas

Por que ocorrem desabamentos na construção civil? Os erros técnicos que geram estes acidentes na construção civil têm três causas básicas:

• Erros de avaliação na escolha do terreno, pela falta de uma sondagem séria que identifique os materiais que compõem o solo (areia, argila, aterros, áreas de turfa).

• Erros de cálculo das fundações, da estrutura, distorções do projeto arquitetônico, etc.

• Erros na execução da obra, resultantes da aplicação de materiais de baixa qualidade ou inadequados. Um exemplo é a utilização de areias com salitre encontradas próximas ao mar, que comprometem a qualidade do concreto pela corrosão na armadura de ferro — problema que pode surgir até muitos anos após a conclusão da obra.

No Recife e Olinda aconteceram casos de desabamentos em construções sobre solos de saibro (Massapé). As quais deveriam ter fundações mais profundas e com apoio em colunas de aço – se possível atingindo e fixando-se na rocha no subsolo. Mesmo assim ainda precisam ter altura e pesos restritos.

Há ainda outros erros de engenharia que comprometem a qualidade dos imóveis e trazem riscos a sua habitabilidade.

• Erros associados a instalações elétricas mal feitas (causa da maioria dos sinistros que ocorrem nas edificações).

• Erros associados a instalações sanitárias e hidráulicas precárias (que provocam infiltrações nas estruturas, alvenarias e instalações elétricas) e a instalações de gás canalizado ou de botijões de gás que desrespeitam normas mínimas de segurança.

• A instalação de botijões de gás no interior das edificações tem provocado explosões com mortes. Tais instalações devem ficar fora das edificações, em local protegido e bem ventilado.

• Instalações de gás canalizado também podem causar acidentes fatais, quando são executadas com negligência.

Fiscalização

A fiscalização da qualidade das obras é realizada pelas prefeituras, que têm o poder de regular o controle e uso do solo urbano. De acordo com a Constituição de 1988 está sob a competência da prefeitura o policiamento administrativo para regulamentar, controlar e fiscalizar todos os tipos de edificações (residenciais, industriais e comerciais). Há ainda o Estatuto das Cidades que determina a criação do Plano Diretor, através do qual permite às prefeituras aplicar sanções pelo descumprimento da legislação de controle do uso e ocupação do solo e das normas e padrões ambientais, evitando construção em áreas de risco, estabelecendo parâmetros para as construções, etc.

O controle das obras se faz através do licenciamento, que é o processo pelo qual a prefeitura reconhece o direito do proprietário edificar em seu terreno. A licença é materializada no Alvará de Construção. E quando do término da obra, e respectiva aprovação através de vistoria de diversos órgãos, há o documento de habite-se que é a licença para a moradia.

A prefeitura pode assumir e executar obras, retomar posse, demolir ou tomar qualquer providência para preservar a segurança e garantir o patrimônio público, em situações de emergência, sem prejuízo da posterior responsabilização civil dos causadores de danos a terceiros.

O que acontece na prática? Raras são as prefeituras que possuem um Plano Diretor, e poucas tem um departamento rigoroso de análise dos projetos de obras para a respectiva liberação de Alvará de Construção. Em alguns casos suspeita-se que construtoras e prefeituras possuem uma relação no mínimo promíscua. Quando o projeto é rigorosamente estudado e analisado antes de sua aprovação na prefeitura – como nas grandes cidades – há o problema de não haver fiscais suficientes para visitar a obra durante sua execução confirmando a integridade da execução com o projeto aprovado.

Ou seja, estamos em risco! E a única força que defende o consumidor e a sociedade, de não ter maiores prejuízos materiais e de vidas, é a força econômica de mercado que leva à ruína empresas de engenharia desastradas e incompetentes. Quem quer comprar apartamentos de uma empresa onde o prédio construído por ela cai? Mas o ideal seria que os legisladores (vereadores, deputados estaduais e federais) além do Ministério Público atuassem para evitar novos acidentes como este.

Há um seguro para desabamentos de construção civil: o Risco de Engenharia. Que possui inclusive a opção de cobertura de erro de projeto. Não havendo a má fé na execução como, por exemplo, usar-se material de qualidade inferior para economizar na obra, economizar propositalmente na fundação em detrimento do que foi projetado e necessário à sustentação segura do edifício, etc. qualquer outro risco (excetuando-se os de má-fé) encontra cobertura no seguro. Inclusive os danos a terceiros e construções vizinhas à obra. Não há exigência legal para as construtoras apresentarem este seguro às prefeituras, mas é uma boa idéia para proteger eventuais vítimas dessas tragédias.

Fonte: Blog – Prof. Gustavo Cunha Mello, G1(foto)

Desabamento de Prédios – Parte 1

28/04/2011 2 comentários

No Rio de Janeiro

Um prédio de 3 pavimentos desabou na tarde de segunda-feira(18/04/11) em São João do Meriti, na Baixada Fluminense . O desabamento ocorreu 10 minutos após uma vistoria seguida de evacuação feita por oficiais da Defesa Civil do município. Segundo o coordenador do órgão, major Alexandre Silveira, o grupo foi chamado depois que moradores ouviram estalos em um dos pilares da edificação, na qual havia um mercado, na parte térrea, e oito apartamentos, ao todo, nos dois pisos restantes. Não houve feridos.

O laudo técnico preliminar da Defesa Civil municipal de São João de Meriti (RJ) apontou que “todas as colunas” da parte traseira do prédio estavam comprometidas. Conforme informações de Silveira, o laudo pericial será entregue à secretaria de Obras do município para que sirva de subsídio ao levantamento de documentos referentes à construção.

As causas do esmagamento dos pilares, por exemplo, estarão nessa etapa posterior de análise do acidente. “Pode ser desde excesso de carga ou falha no método construtivo, inexistência de análise do solo na área antes que o prédio fosse construído e mesmo agentes externos, o que achamos pouco provável”, disse o oficial.

A Defesa Civil fará hoje um laudo técnico preliminar que será entregue à secretaria de Obras do município para adoção de providências. “Não sabemos o método de construção utilizado, mas com certeza o prédio caiu por colapso estrutural: havia um pilar que estava quebrando, e que, quando vergou, o restante veio junto”, afirmou o major.

Além dos moradores do prédio, foram retiradas também pessoas que moravam em oito residências da vizinhança. As casas ainda estão interditadas porque, com parte dos escombros do prédio sobre algumas delas, não está completamente afastada a chance de novos desabamentos.

Fonte: G1, Uol Notícias

Em Belém

Um edifício de 32 andares em construção desabou por volta das 14h dia 29 de janeiro de 2011 em Belém, capital do Pará. O edifício denominado Real Class estava sendo construído pela empresa Real, com dois apartamentos por andar destinados à classe média alta.

Erro no cálculo estrutural e uso de material inadequado na obra. Essas foram as causas oficiais do desabamento do edifício Real Class, segundo relatório da perícia do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves. O resultado deve servir de prova importante para o inquérito aberto na Polícia Civil para investigar os culpados pela queda do prédio, que causou a morte de três pessoas.

Segundo o perito Dorival Pinheiro, que coordenou os trabalhos do CPC, houve erro “no projeto, com falha na concepção do sistema estrutural, erro na escolha do modelo matemático (usado para avaliar e monitorar a obra) e no dimensionamento e detalhamento dos estribos dos pilares da obra”. Os estribos são ferros retorcidos que servem para “amarrar” as colunas de ferros usados nos pilares de sustentação do prédio.

Além disso, foi detectado que a bitola (diâmetro) do ferro era menor que o recomendado nos dois pilares centrais do prédio. Os pilares de ferro deveriam ter pelo menos 5mm, mas tinham 4,2mm.

Dorival concluiu que houve “falhas na concepção do sistema estrutural e que o prédio não deveria ter 34 andares”.

Outro ponto importante na investigação dos peritos foi o fato de que eles descartaram a ação do vento, que foi considerado como principal fator da queda da estrutura no laudo emitido por engenheiros ligados ao Curso de Engenharia Civil da UFPA. A análise dos peritos foi toda feita com os indícios e materiais coletados no local do acidente.

Fonte: Folha.com (Foto), Diário do Pará

Veja mais sobre o assunto na próxima parte deste artigo. Quais são as causas mais comuns de desabamento de prédios? Qual a freqüência com que isso ocorre no Brasil? Quais são os riscos a que estamos sujeitos todos os dias?

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