Nossos professores já dizem, e o senso comum é claro: “quando os gatos saem, os ratos fazem a festa”.
O baixo nível de instrução dos trabalhadores da construção civil atualmente, aliado ao pouco investimento no treinamento destes profissionais ocasiona inúmeras consequências no rendimento do setor. Quem nunca ouviu (ou mesmo presenciou) o caso em que o mestre de obras vem contar, todo cheio de rodeios, que colocaram a armação inteira dos pilares do lado errado? Ou que botaram água/areia demais na betoneira, e o troço “desandou”? Ou que o desnível do pavimento está mais de “um palmo”? Ou que…
Esses pequenos deslizes, ocasionados pela falta de fiscalização e gerenciamento do canteiro, geram sérios prejuízos para as empreiteiras, além do desperdício de material e risco para os trabalhadores.
Mas mesmo com todo o controle do mundo, a criatividade humana não tem limites. E alguns casos, mesmo indesejáveis no dia-a-dia, não deixam de ter um lado cômico.
Duvida do que esse pessoal faz? Veja você mesmo:
Rambo 9 – O retorno!
Piscina de ondas artificiais
Calorzinho durante o serviço?
Excelente opção de entretenimento familiar
Betoneira Kamikaze
A luta final contra a enceradeira
Pobre máquina…
São muito engraçados, e ilustram perfeitamente o que pode ocorrer na obra quando não se tem controle da situação.
Muitos desses vídeos mostram situações que possuem alto risco de se tornarem acidentes sérios. Logo, devemos, como futuros engenheiros e técnicos em segurança, ter em mente que um bom planejamento da obra gera economia de recursos e preservação da vida.
Um engenheiro, arquiteto ou decorador, quando planeja uma obra, já deve ter em mente que as pessoas podem ter ou vir a ter diversos tipos de problemas. Crianças, idosos, obesos, deficientes ou mesmo pessoas com saúde debilitada podem ter problemas de locomoção, mesmo que temporários. Uma casa para ser considerada segura e confortável deve ser organizada de modo a evitar acidentes domésticos e tornar as ações simples e intuitivas, com baixo esforço físico e uso equitativo. É nesse aspecto que a acessibilidade já é uma realidade e deve ser tratada como fator primordial antes da execução de uma obra.
Facilite o acesso
Oferecer condição de acesso é eliminar qualquer desnível que possa existir no decorrer no percurso e instalar rampas de acesso ou elevadores quando estes forem indispensáveis.
No caso dos usuários de cadeiras de rodas: área de giro de 360º para se mover com total liberdade e autonomia. As portas precisam ter no mínimo 80 cm de vão livre, os corredores, 1,20 m de comprimento e, no caso de prédios, os elevadores têm que medir 80 cm de largura x 1,20 m de comprimento. Além disso, recomenda-se colocar bancos fixos e barras de sustentação dentro dos boxes do banheiro e ao lado do vaso sanitário, dando maior segurança e facilitando o uso dos cadeirantes. As barras de sustentação, que também são colocadas ao lado do vaso sanitário devem ter 70 cm de comprimento e precisam estar a 75 cm do chão.
O mais importante é retirar todos os gabinetes e colunas sob os lavatórios, pois o usuário de cadeira de rodas precisa do espaço inferior livre para que a cadeira e suas pernas possam se adequar ao ambiente. É preciso prestar atenção quanto à altura e distância de torneiras, janelas, espelhos, mesas e interruptores.
As janelas têm que ser baixas (80 cm) para facilitar a visualização de fora e os interruptores, assim como tomadas, adaptados ao alcance de todos, sejam cadeirantes ou não. Nos espelhos recomenda-se uma inclinação de 10º para frente.
Acessibilidade também nas áreas comuns
A acessibilidade, hoje, está contida em muitos locais, desde as áreas comuns de condomínios, calçadas, transportes coletivos, mobiliários urbanos até em edificações de uso público. Assim passo a passo, uma rede articulada acessível começa a ser esboçada e as pessoas estão começando a ter mais independência e autonomia.
Leis e Normas
Para impedir problemas como a falta de rampas, elevadores, espaço necessário para circular com uma cadeira de rodas, a presença de portas apertadas, enfim, lugares estruturalmente mal projetados, foram criadas as normas que devem ser seguidas e proporcionar conforto e independência do indivíduo.
NBR 9050/04 – Acessibilidade a Edificações, Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos e que tem força de lei federal. Nesse documento existem diversos parâmetros obrigatórios para que as edificações respeitem a diversidade.
Leis federais n° 10.048 e n° 10.098 regulamentadas através do decreto 5.296* de 2 de Dezembro de 2004. A primeira trata de atendimento prioritário e de acessibilidade nos meios de transportes e a segunda subdivide a acessibilidade ao meio físico, meios de transporte, comunicação e informação e em ajudas técnicas.
*Pelo Decreto, nenhum projeto de natureza arquitetônica e urbanística, de comunicação e informação, de transporte coletivo, bem como a execução, construção ou reforma de qualquer tipo de obra quando tenha destinação pública ou coletiva, terá permissão para ser realizada se não estiver cumprindo rigorosamente a legislação de acessibilidade.
Promover a acessibilidade é dever de todos, principalmente de profissionais da área construtiva. Um projeto que visa a acessibilidade, proporciona a integração e socialização de pessoas com qualquer tipo de deficiência física em qualquer ambiente, além de possibilitar que elas levem uma vida normal, em que a realização de tarefas rotineiras é feita com facilidade e segurança.
Pequenos erros, grandes catástrofes. Erros matemáticos são comuns mesmo entre professores ou pessoas que trabalham no dia a dia em função de cálculos. Contudo, em algumas áreas, eles podem ser fatais. É justamente por isso que é preciso realizar tantos testes e estudos antes de se colocar um produto no mercado.
Aviões mal projetados, construções que não respeitam as leis da física e até mesmo dobradiças instaladas de maneira incorreta podem resultar na morte de centenas de pessoas. O site Cracked selecionou algumas grandes catástrofes ocorridas em função de erros de cálculo ou falhas humanas.
Naufrágio do Titanic
Existem muitas teorias sobre o naufrágio do Titanic. Falhas na segurança, despreparo da tripulação e dos profissionais envolvidos aliados à fatalidade de encontrar um iceberg pelo caminho são apenas as razões mais conhecidas do público e que ganharam vida na tela do cinema.
Entretanto, um erro de cálculo na construção do navio pode ter sido o maior dos responsáveis pela falha. A embarcação era composta por três hélices a vapor, sendo as duas externas impulsionadas por motores de pistão e a central acionada por uma turbina a vapor. Embora as hélices movidas a vapor sejam mais dinâmica, elas funcionam apenas em mão única.
Ao avistar o iceberg, o primeiro oficial do Titanic ordenou toda força das hélices na direção oposta, mas uma delas continuou girando na mesma direção, ainda que em menor velocidade. O cálculo de velocidade somado ao erro de projeto da embarcação ocasionou a batida e o consequente naufrágio, vitimando mais de 1,5 mil pessoas.
A queda da ponte Tacoma Narrows
Pode uma ponte cair apenas por ser sólida demais? Foi justamente isso o que aconteceu na década de 40 com a ponte Tacoma Narrows, nos Estados Unidos. Felizmente, nenhuma pessoa morreu no incidente, que foi causado devido a fortes ventos e a um erro de construção.
Quando você olha para uma ponte comum, elas parecem frágeis, a ponto de desabar a qualquer momento. Isso acontece porque embaixo delas há um espaço destinado à passagem de ar. Quando isso não ocorre, toda a ponte está sujeita a sacudidas em caso de rajadas mais fortes de vento.
Logo depois de construída, todos os que passaram no local perceberam o erro. Outro engenheiro foi contratado para estudar o caso e sugeriu que fossem feitos alguns furos nas vigas, mas não houve tempo hábil e a ponte desabou. Anos depois do incidente, outra ponte foi construída no local e permanece firme até hoje.
As dobradiças da morte do Cocoanut Groove
Uma simples dobradiça é capaz de matar quase 500 pessoas. Isso soou estranho para você? Pois saiba que foi exatamente isso que aconteceu em Boston, em 28 de novembro de 1942. O incidente ocorreu no clube Cocoanut Groove, um dos mais badalados da época.
O problema começou por causa de um grande incêndio, provocado incidentalmente por um jovem de 16 anos. Ele teria retirado uma das lâmpadas de uma das salas de forma a ter mais privacidade para beijar uma menina. Porém, sem querer, teria encostado uma bebida flamejante próximo às instalações elétricas.
O lugar pegou fogo e as saídas de emergência estavam destravadas. Entretanto, 492 pessoas não conseguiram sair do local. Tudo aconteceu porque as portas, em vez de abrirem para fora, abriam para dentro, por conta de dobradiças mal-instaladas.
O avião assassino com janelas quadradas
Na década de 50, o grupo Havilland Comet estava iniciando os seus trabalhos na aviação. A empresa construiu um jato moderno, com características nunca vistas antes, e uma cabine pressurizada que permitia à aeronave voar mais alto e mais rápido do que qualquer outra.
Contudo, em 1954, dois aviões da companhia simplesmente se desintegraram no ar, matando aproximadamente 56 pessoas. O motivo do desastre: o avião tinha janelas quadradas. Sim, exatamente isso que você leu. Janelas quadradas.
A explicação é simples. Uma janela não pode ser um quadrado perfeito, é preciso que nos seus cantos existam bordas arredondadas. Quando essa regra não é observada, todos os cantos passam a ser pontos de concentração de tensão, podendo provocar rachaduras. Você pode reparar isso em uma janela da sua casa.
No caso do avião, com a força do ar recebido externamente e a pressurização interna da cabine, com o tempo as janelas não resistiram e bastou uma pequena rachadura em um dos cantos para que a cabine explodisse e o avião se desintegrasse no ar.
As colunas do Hyatt Regency
Na década de 80, em Kansas City, um hotel de 40 andares desabou, matando 114 pessoas e deixando outras 200 feridas. A causa foi um erro grotesco de projeto durante a reforma de um dos andares do edifício.
O erro absurdo aconteceu quando um engenheiro propôs a mudança de lugar de uma das colunas do salão. O que ele não sabia — e, acredite, como engenheiro ele tinha a obrigação de saber — é que aquela era uma das colunas mestras do prédio. Ao removê-la do lugar, outra coluna foi colocada, mas com um posicionamento diferente.
Quando houve tráfego no piso de cima a nova coluna ruiu, fazendo com que o prédio inteiro desabasse. Indenizações às vítimas e aos familiares foram pagas até 2008 e estima-se que, além dos danos materiais, mais de US$ 140 milhões tenham sido gastos em processos e ações judiciais.
No último dia 12, desabaram cerca de 300 m² de laje da cobertura de um prédio em construção na zona norte de São Paulo. A queda de 27m levou à morte de um operário e deixou outros 11 feridos. A obra do governo do Estado, que fazia parte do projeto Fábrica de Culturas, foi paralisada após o acidente e só será retomada depois que as causas forem apuradas.
Erro de projeto ou de execução? Poderia ser evitado? Como engenheiros, é importante não descuidarmos das indicações de projeto e detalhes de execução de modo a garantir a segurança das lajes durante e após construção. Hoje, o blog apresenta um passo a passo da construção de Lajes Treliçadas.
As lajes a seguir foram construídas com vigotas pré-fabricadas, que já vem com armaduras positivas e negativas e blocos vazados de EPS (isopor), escolhidos por serem mais leves (agilidade no transporte, manuseio e montagem e redução do peso sobre a estrutura e a fundação), isolantes (auxilio no conforto térmico) e impermeáveis (tornam a cura mais adequada, mais lenta). Podem ser utilizados também blocos vazados de cerâmica e concreto. Os encaixes e cortes para a tubulação elétrica e hidráulica devem estar previstos em projeto, evitando-se quebras posteriores da laje para sua colocação.
1. É feito o escoramento de madeira apoiado em bases firmes, de preferência no contrapiso. Vãos com mais de 1,30m sem linha de escora são evitados, respeitando sempre no vão a contraflecha indicada no projeto.
2. São colocadas escoras horizontais no sentido inverso do apoio das vigotas, sem força-las para cima. Os pontaletes (escoras verticais) devem ser apoiados sobre base firme, fixados com calços e cunhas, evitando o afundamento na hora da concretagem.
3. As tábuas horizontais dos escoramentos são niveladas pelo respaldo para vãos de até 2m. Acima dessa medida pode haver indicação de contraflecha, de acordo com a especificação do projeto.
Obs. A retirada dos escoramentos deve ser feita num prazo mínimo de 18 dias após a execução da concretagem. Se a laje for de balanço, o prazo deve ser de 28 dias.
Observe as esperas de aço de cerca de 5cm, que servirão para ajudar a união entre as vigotas e o apoio, no momento em que a laje for concretada.
4. É feita a colocação das vigotas, lado a lado, com as vigotas voltadas para cima, apoiadas nas extremidades sobre cinta de amarração ou sobre a parede de alvenaria. São feitos furos nos pontos previstos para a passagem das instalações elétricas.
5. Fixa-se as armaduras positivas e negativas, distribuídas no sentido transversal e perpendicular às vigotas, sempre seguindo as orientações e medidas do projeto.
6. Coloca-se, então, os blocos de EPS a partir das extremidades. Eles ficam encaixados no espaço entre as vigotas, que serve de gabarito de montagem.
7. Após o encaixe, os blocos são cortados nos pontos de passagem de fios e cabos sobre a laje.
8. São colocadas as armaduras de distribuição por cima dos blocos de EPS, de acordo com as diretrizes do projeto. As taliscas que delimitarão a face superior da laje são posicionadas e suas cotas conferidas .
9. Antes de lançar o concreto, todas as lajotas e vigotas são muito bem molhadas para evitar que as peças absorvam a água existente no concreto.
10. Assim que é feito o bombeamento, o concreto é espalhado preenchendo todos os espaços vazios, principalmente nos encontros entre as vigas e blocos. É utilizado o vibrador para compactar bem o material e evitar vazios no concreto.
11. É executado o sarrafeamento e nivelamento do concreto seguindo a altura das taliscas.
Representantes do governo, empresários e líderes sindicais e trabalhadores da construção civil se encontraram na última quarta-feira (31/08), para traçar ações de melhoria no recrutamento, pré-seleção e contração de mão de obra, formação e qualificação, saúde e segurança no trabalho. A reunião foi presidida pelo secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho
Segundo informações da Agência Brasil, a mesa de diálogo, denominada Negociação Tripartite, foi criada em março, após os conflitos nas obras da Usina Hidrelétrica Jirau, em Rondônia, “com o objetivo de construir um acordo sobre as condições de trabalho na área da construção civil”. As negociações devem continuar ainda em setembro, em reunião pautada para a definição de uma proposta sobre a representação sindical nos locais de trabalho.
Contratação
Segundo a secretaria geral da presidência, o principal destaque nesse quesito é a regulamentação da contratação dos trabalhadores pelo Sistema Nacional de Emprego (Sine), evitando intermediários. O Governo ficará responsável por mobilizar a estrutura do Sine, assegurando ao órgão as condições necessárias para o atendimento das demandas, implantando, inclusive, o atendimento móvel e/ou provisório.
Empresários que assinarem o acordo terão de disponibilizar as ofertas de vagas por meio do Sine e contratar, preferencialmente, trabalhadores que vivem nos locais de execução dos serviços ou no seu entorno. As entidades sindicais deverão disponibilizar informações para o processo de recrutamento, seleção, contratação de trabalhadores; promover campanhas de combate ao recrutamento e contratação irregulares; participar do processo de busca de trabalhadores para as vagas disponíveis; e encaminhar seus bancos de dados para o Sine.
Formação e qualificação profissional
O governo se comprometeu a elaborar planos de qualificação para a indústria da construção de forma articulada com estados e municípios, disponibilizar e financiar vagas para a qualificação e certificação de trabalhadores, além de apoiar o governo local nas ações de mobilizações da comunidade, integrada à política de qualificação e intermediação.
Aos empregadores, caberá a elaboração e implementação das ações de qualificação profissional voltadas para o desenvolvimento das obras, a participação do desenvolvimento dos planos de qualificação e a participação no co-financiamento das ações de formação. Já os sindicalistas deverão apresentar as demandas de qualificação na perspectiva da formação inicial e continuada.
Saúde e segurança no trabalho
Serão criados comitês de gestão de saúde e segurança no trabalho. De acordo com a CUT, esses comitês deverão atuar nos canteiros para o controle de situações de risco e propor mudanças nas condições técnicas ou organizacionais que ofereçam riscos à saúde e à segurança dos trabalhadores.
O governo deverá assegurar a participação dos auditores fiscais do trabalho, desenvolver estudos e pesquisas sobre condições de saúde e segurança, além de programas voltados para as situações de risco. Os empresários deverão implantar sistema de gestão de saúde e segurança em cada obra. Já os trabalhadores terão de acompanhar os processos de eleição das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (Cipa) e propor medidas para reduzir riscos e doenças no trabalho.
O Blog é atualizado às segundas, quartas e sextas.
O Blog do PET-Civil foi criado em junho de 2010 como uma iniciativa dos alunos do Programa de Educação Tutorial da Engenharia Civil da UFJF para divulgar conhecimento, curiosidades, oportunidades e dicas para estudantes e profissionais da área.
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