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O Engenheiro de Alto Nível

22/02/2012 1 comentário

Ano passado, durante um seminário na universidade, um professor nos apresentou o que ele considerava ser um engenheiro de alto nível. Achei interessante a definição dele, de modo que decidi compartilhá-la, com alguns itens meus em acréscimo.

Um engenheiro de alto nível é o produto do esforço de um estudante de engenharia que tem interesse tanto em pesquisa quanto em mercado de trabalho. Nesse sentido, é alguém com uma sede imensa de conhecimento, aliada à busca pelas melhores oportunidades. Para alguém assim, não há falta de emprego.

Costuma-se visualizar as opções de carreira do seguinte modo: ou o cidadão se forma e já vai para o mercado de trabalho, prestando concurso para uma multinacional, por exemplo, para então construir uma carreira na empresa, ou opta por estudar mais e mais e seguir carreira acadêmica. Pesquisas já haviam mostrado que quem sai da graduação diretamente para o  mercado de trabalho tem mais empregabilidade nas indústrias, por uma questão de estilo profissional.

Entretanto, com a crescente concorrência dos processos seletivos juntamente com a associação cada vez mais frequente de competitividade com inovação, as empresas têm preferido engenheiros cada vez mais bem formados, com formação ampla e noção vasta de vários campos. Nos EUA é comum as empresas contratarem pesquisadores para trabalhar com R&D (Research and Development – Pesquisa e Desenvolvimento) e esse cenário tem sido cada vez mais uma tendência mundialmente, fomentando cada vez mais a qualidade dos produtos e o apreço às marcas, e, é claro, valorizando as melhores mentes por trás dos grandes projetos de engenharia.

Um engenheiro de alto nível começa a ser formado nos primeiros anos da graduação (ou mesmo antes). É alguém que tem o perfil de engenheiro, mas procura se aprofundar nas áreas que mais lhe interessa. Não raro, podemos ver esse estudante de engenharia discutindo economia, política, filosofia, física quântica ou neurociência, porque é alguém que está em sintonia com as principais inovações nas ciências em geral. Procura aprender novas línguas, ou a tocar um novo instrumento musical. É uma pessoa que entra em qualquer círculo de conversação, dada a sua versatilidade (e a capacidade de trabalhar em rede – o que os administradores chamam de networking). É alguém sobre quem não podemos ter certeza de que obterá o sucesso naquilo que deseja, mas ao menos podemos dizer, com todas as letras, que tem comprometimento para tal.

É esse perfil de engenheiro que, atualmente, fatura centenas de milhares de dólares por ano em cargos de chefia estratégica nos Estados Unidos. É esse tipo de engenheiro que encabeça as mais produtivas linhas de produção mundo afora. E é esse tipo de engenheiro que as universidades brasileiras precisam se preocupar em formar, tendo em vista as nossas já iminentes necessidades energéticas, agroambientais, tecnológicas, socioeconômicas, etc.

***

Desejo veementemente àqueles estudantes de engenharia que, ao terem lido esse texto, sentiram uma pontada de esperança nascer no peito, que busquem se tornar engenheiros de alto nível, para assim, serem autores de grandes mudanças e novos paradigmas para a engenharia.

Por , no excelente Blog da Engenharia

Engenharia do Carnaval

Há quem diga que o ano só começa depois do carnaval, tamanha é a folia esperada para a data entre os brasileiros e turistas estrangeiros. Se repararmos bem, a tradicional festa apresenta hoje evolução gigantesca em relação aos anos 30, quando não se utilizavam, por exemplo, fragrâncias que perfumam o ambiente, alegorias que se movimentam com peças articuladas e uso de elevadores hidráulicos, adereços resistentes à chuva e fantasias mais leves. Todas essas inovações que hoje povoam os desfiles de escolas de samba são resultado da engenharia feita para o Carnaval. Nos projetos que abrilhantam ainda mais a festa popular, cálculos são realizados como se faz para construir uma casa.

O responsável técnico Edson Marcos Gaspar de Andrade é um dos que atuam para garantir que tudo corra bem na Cidade do Samba (Rio de Janeiro) – na qual é o engenheiro que cuida da manutenção e coordena a montagem das passarelas. Sua função é assegurar que toda a estrutura esteja em condições de segurança, com os acessos e serviços devidamente instalados. Para tanto, são feitos ensaios de carga, conforme as exigências relativas às normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e ao Corpo de Bombeiros. Ele acrescenta que cada escola deve ter ao menos um responsável técnico pelos projetos das alegorias, cenográfico, de iluminação – portanto, precisa contratar um engenheiro. “É fundamental que toda concepção artística tenha por trás esse acompanhamento”, ratifica.

Em São Paulo também funciona assim, segundo o Coordenador de Carnaval, Marco Antonio de Sant´Ana: “Os carros alegóricos precisam ser finalizados no Sambódromo.” São escoltados pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e chegam ao local com 4,5m. Somente depois aumentam de tamanho, podendo alcançar até 13m. “Para evitar acidentes, todas as baias (para a conclusão desse trabalho) têm extintor de incêndio e temos um carro de bombeiros estacionado na área do desfile e uma equipe de plantão na concentração.” Nessa, ainda segundo ele, há alguns anos foram instalados hidrantes. Também é colocado no espaço externo caminhão-pipa. “Nos carros, temos destaques (pessoas) que devem ser içados. Utilizamos guindastes para essa operação e o acompanhamento de bombeiro civil”, continua. Sant´Ana afirma que essa ocupação pelas escolas é fiscalizada pela Prefeitura.

Além de garantir segurança e cuidar da logística, é papel do engenheiro, portanto, apresentar alternativas para assegurar os efeitos desejados na avenida. Desenvolver dispositivos de movimento, efeitos especiais, comandos por computador para apagar e acender luzes automaticamente, entre outros.

Para montar protótipos de figuras em terceira dimensão recorre-se ao CAD (ferramenta famosa entre engenheiros) e materiais impermeáveis em alegorias com movimentos para torná-las resistentes às intempéries próprias do período. “As esculturas são em isopor e têm uma camada de revestimento. Plasticidade tem sido cada vez mais utilizada, com a evolução no acabamento. Antigamente, eram em papel machê e não havia essa preocupação”, destaca Jorge Marcos Freitas, carnavalesco da Rosas de Ouro. Materiais também têm sido usados visando mais leveza, como fibra, isopor, além de gesso, arames e varetas nas armações, em especial nas fantasias para a ala das baianas, reduzindo o peso das mesmas de 7Kg  para 3Kg.

Assim, segundo Freitas, inovou-se no desfile em 2008 utilizando seis acoplamentos no abre-alas em enredo que falava sobre o perfume: “Eram frascos em formato de rosa, cujas tampas eram as pétalas. Essas se abriam e havia um sistema que pulverizava jatos com uma fragrância que se disseminava por 15 metros de altura e não enjoava, feita especialmente para o desfile por um engenheiro”, relata. O feito repetiu-se em 2010, quando a escola foi campeã exalando fragrância e chafariz de chocolate durante o desfile e aguçando os sentidos e o desejo de comer chocolate de quem assistia ao desfile.

Garantir diversão com segurança no carnaval é um dos desafios dos engenheiros não só em desfiles de escolas de samba. Saindo do eixo Rio-São Paulo, onde predominam os desfiles, segundo Luiz Carlos Prestes Filho (coordenador do Núcleo de Estudos de Economia da Cultura da Associação Brasileira de Gestão Cultural, no Nordeste e mesmo no Sul também há evolução nesse sentido. “Em Pernambuco, o frevo ganha área específica, o passódromo, e há um salto em profissionalização e inovação. Na Bahia, nos últimos dez a 15 anos, recursos de iluminação e sonorização têm modificado o Carnaval. A questão tecnológica se impõe pelo desenvolvimento das linguagens regionais.” Atrás do trio elétrico, está a engenharia com certeza.

Fontes: Jornal do Engenheiro , FNE (Federação Nacional dos Engenheiros)

Dicas para um bom rendimento acadêmico

15/02/2012 1 comentário

Inúmeros sites da área de educação tem entre seus artigos algum com dicas para se estudar melhor. Nós mesmos do blog já postamos sobre como sobreviver à Semana de Provas Finais com os melhores resultados possíveis. Esses conselhos são universais e muitos já estão familiarizados com esse tipo de dica.

Hoje apresentaremos algo diferente: um papo de veterano para calouro. São sugestões práticas, voltadas para o dia-a-dia do universitário, e que podem fazer toda a diferença no decorrer do seu curso. Ainda, se você nem é tão calouro mais, mas acha que uma mudança seria bem-vinda, aproveite esse texto.

Então, sem mais delongas, fiquem atentos a essas 5 medidas:

1- Tenha prioridades

Tudo tem sua hora. Espere, acho que não frisei o suficiente a importância dessa frase:

TUDO TEM A SUA HORA

“Cinema depois da aula?” “Claro!”

“Cerveja no barzinho ao lado da faculdade?” “Topo, na horaa!!”

“Fim de semana nas chopadas?” “Já é!!”

Sair com os amigos é ótimo! São novas pessoas que conhecemos, diversão, bom papo… E faz parte desse novo mundo universitário.

Mas trocar prova por balada? Sair com os amigos na véspera da entrega de um trabalho? Poxa… isso é dar mole. Para tudo na vida é preciso discernimento. Seus amigos sempre estarão lá por você. Sempre haverá uma nova “festa imperdível”. Mas perder um semestre de esforço é besteira.

Cada disciplina que fica pra trás é uma nova dor de cabeça no futuro. Os horários ficam embaralhados e muito em breve você terá que optar por 45 horas de estudo semanais ou um semestre de atraso na sua formatura.

Por isso, tenha sempre em mente que a hora de se divertir é a hora de se divertir… mas a hora de estudar, é pra ralar! E confundir essas duas, é besteira!

Divida bem seu tempo… e saiba aproveitar os momentos com os amigos!

2- Virar a noite não está com nada

Já perdi a conta de quantos amigos dão o seguinte depoimento:  ”nossa, fiquei até as 4 horas da madrugada estudando, acordei as 7, e vim pra cá!”.  Incrível como, depois de taaaanto estudo, as notas deles são tão baixas.

14.635.321 estudos já comprovaram que é quando dormimos que o nosso cérebro analisa e armazena as informações propriamente. Se perdemos as (no mínimo!) 7 horas de sono que precisamos, ficamos desatentos, irritadiços, sem foco.

Se você presta atenção nas aulas, ter o raciocínio afiado na hora da prova pode te garantir uma nota excelente, mesmo que nas vésperas não seja possível estudar toda a matéria. Agora, o seu amigo que estudou todo o conteúdo durante a noite anterior tem muito mais chance de ter o temível “branco” bem na hora H.

E se o professor pediu na prova algo mais complexo, que requisitava um pouquinho mais de “malícia” para se resolver? Quem vai compreender a questão?

a)O rapaz que não estava nem aí nas aulas, e na semana da prova, correu comendo o livro;

b)O rapaz que prestava atenção nas aulas, e chegou na prova atento e relaxado.

Fica a pergunta para vocês.

3- Não importa o quanto você estuda, mas sim como você estuda

Cedo ou tarde os universitários descobrem que tempo é o seu principal recurso durante o período.

Saber a melhor forma de gravar o conteúdo das disciplinas é o que separa os alunos excelentes dos razoáveis.

Tem gente que gosta de ouvir, e estuda literalmente lendo, em voz alta, a matéria. Tem gente, como eu, que grava ao escrever; e faço resumo de todos os conteúdos das disciplinas. Tenho uma amiga que tem a memória ligada às cores – ela grifa de cada cor cada passagem do livro, e assim sabe onde cada assunto se encaixa…

Enfim, cada um tem suas manias, sua forma de estudar melhor. Tem gente que gosta de estudar sozinho, em silêncio, e tem os que gostam de discutir cada ponto, para assim recordar.

Saber qual é o seu forte é fundamental para poupar tempo e tirar o melhor proveito do conteúdo aprendido.

4- Estágio x Estudo

Ao entrar na universidade, os estudantes se deparam com uma infinidade de oportunidades além da sala de aula. Só para citar algumas, tem monitoria, iniciação científica, PET (=D), estágio remunerado ou não, ser membro do diretório acadêmico, treinamento profissional…

Cada um deles tem o seu papel na formação do aluno. E cada um deles tem o seu tempo.

Normalmente, o estágio é requisito fundamental para a plena formação acadêmica, e sem ele, é impossível ter o seu diploma.

Mas os estágios de qualquer curso, sobretudo engenharia, tem pré-requisitos. Conhecimentos básicos sobre o tema que o aluno/candidato deve dominar. Entrar em um vínculo empregatício sério, como um estágio, com “uma mão na frente e outra atrás”, é um desperdício do seu tempo e da vaga da empresa.

Certa vez, uma conhecida do curso de Engenharia Civil ficou deslumbrada com a oportunidade de projetar cômodos para uma empresa de materiais de construção. No 2º período, ela abandonou sua bolsa de iniciação científica e pulou de cabeça na nova empreitada, onde receberia um bom salário.

No segundo mês ela já havia dominado todos os programas, e percebeu que estava na realidade fazendo o serviço de uma Arquiteta. Não havia mais nada que ela poderia aprender relevante ao curso, e então saiu do estágio. Resumo da ópera: essa conhecida ficou sem emprego e sem a bolsa de iniciação que é tão interessante nos primeiros períodos da faculdade…

5- Estude bem para a PRIMEIRA prova

Se até agora nada do que foi dito provocou a menor mudança em seu modo de pensar, peço que considerem ao menos esse último quesito.

Nos cursos de engenharia da UFJF, é comum que os professores ofereçam 3 TVCs – Testes de Verificação de Aprendizagem. Muitas vezes, alguns professores oferecem, à guisa de 2ª chamada, a famosa Prova Substitutiva ou  Prova Final.

Essa Substitutiva, como é conhecida, substitui a menor nota do aluno. Ela é geralmente feita com a matéria toda do semestre, e muitos vêem como a “salvadora da pátria”.

Meu caro leitor, seja esperto. As primeiras provas são a introdução da matéria. Possuem o menor conteúdo a ser estudado e na maioria das vezes, são as mais fáceis.

Muitos, muitos alunos, sem a menor responsabilidade com o curso ou com os pais que trabalham duro para bancar seus estudos, simplesmente deixam para estudar na última hora. Fazem as primeiras provas tranquilos, tranquilos, pois sabem que, se necessário for, podem simplesmente substituir a nota pela Substitutiva ao final do período.

Não caia nessa armadilha. O final do período é repleto de TVCs de todas as matérias, e trabalhos de última hora para entregar. Deixar para estudar uma matéria especificamente difícil aos 45 minutos do segundo tempo é um estresse desnecessário.

Experimentem dar duro no início do semestre. Tudo está mais tranquilo, as provas mais espaçadas e os professores mais disponíveis. E vocês ainda podem aproveitar o final das aulas para relaxar e preparar as viagens de férias – ao invés de estudar como doidos e correr atrás de nota…

Espero que o que foi dito aqui seja de algum proveito para os ingressantes de todos os cursos. Seguindo essas regrinhas básicas, consegui chegar ao 6º período de Engenharia Civil sem uma sequer reprovação.

Fiquem sempre ligados no blog, pois cada semana temos novidades diferentes. ;)

Autora: Júlia Mendes

5 erros matemáticos fatais

Pequenos erros, grandes catástrofes. Erros matemáticos são comuns mesmo entre professores ou pessoas que trabalham no dia a dia em função de cálculos. Contudo, em algumas áreas, eles podem ser fatais. É justamente por isso que é preciso realizar tantos testes e estudos antes de se colocar um produto no mercado.

Aviões mal projetados, construções que não respeitam as leis da física e até mesmo dobradiças instaladas de maneira incorreta podem resultar na morte de centenas de pessoas. O site Cracked selecionou algumas grandes catástrofes ocorridas em função de erros de cálculo ou falhas humanas.

Naufrágio do Titanic

Existem muitas teorias sobre o naufrágio do Titanic. Falhas na segurança, despreparo da tripulação e dos profissionais envolvidos aliados à fatalidade de encontrar um iceberg pelo caminho são apenas as razões mais conhecidas do público e que ganharam vida na tela do cinema.

Entretanto, um erro de cálculo na construção do navio pode ter sido o maior dos responsáveis pela falha. A embarcação era composta por três hélices a vapor, sendo as duas externas impulsionadas por motores de pistão e a central acionada por uma turbina a vapor. Embora as hélices movidas a vapor sejam mais dinâmica, elas funcionam apenas em mão única.

Ao avistar o iceberg, o primeiro oficial do Titanic ordenou toda força das hélices na direção oposta, mas uma delas continuou girando na mesma direção, ainda que em menor velocidade. O cálculo de velocidade somado ao erro de projeto da embarcação ocasionou a batida e o consequente naufrágio, vitimando mais de 1,5 mil pessoas.

A queda da ponte Tacoma Narrows

Pode uma ponte cair apenas por ser sólida demais? Foi justamente isso o que aconteceu na década de 40 com a ponte Tacoma Narrows, nos Estados Unidos. Felizmente, nenhuma pessoa morreu no incidente, que foi causado devido a fortes ventos e a um erro de construção.

Quando você olha para uma ponte comum, elas parecem frágeis, a ponto de desabar a qualquer momento. Isso acontece porque embaixo delas há um espaço destinado à passagem de ar. Quando isso não ocorre, toda a ponte está sujeita a sacudidas em caso de rajadas mais fortes de vento.

Logo depois de construída, todos os que passaram no local perceberam o erro. Outro engenheiro foi contratado para estudar o caso e sugeriu que fossem feitos alguns furos nas vigas, mas não houve tempo hábil e a ponte desabou. Anos depois do incidente, outra ponte foi construída no local e permanece firme até hoje.

As dobradiças da morte do Cocoanut Groove

Uma simples dobradiça é capaz de matar quase 500 pessoas. Isso soou estranho para você? Pois saiba que foi exatamente isso que aconteceu em Boston, em 28 de novembro de 1942. O incidente ocorreu no clube Cocoanut Groove, um dos mais badalados da época.

O problema começou por causa de um grande incêndio, provocado incidentalmente por um jovem de 16 anos. Ele teria retirado uma das lâmpadas de uma das salas de forma a ter mais privacidade para beijar uma menina. Porém, sem querer, teria encostado uma bebida flamejante próximo às instalações elétricas.

O lugar pegou fogo e as saídas de emergência estavam destravadas. Entretanto, 492 pessoas não conseguiram sair do local. Tudo aconteceu porque as portas, em vez de abrirem para fora, abriam para dentro, por conta de dobradiças mal-instaladas.

O avião assassino com janelas quadradas

Na década de 50, o grupo Havilland Comet estava iniciando os seus trabalhos na aviação. A empresa construiu um jato moderno, com características nunca vistas antes, e uma cabine pressurizada que permitia à aeronave voar mais alto e mais rápido do que qualquer outra.

Contudo, em 1954, dois aviões da companhia simplesmente se desintegraram no ar, matando aproximadamente 56 pessoas. O motivo do desastre: o avião tinha janelas quadradas. Sim, exatamente isso que você leu. Janelas quadradas.

A explicação é simples. Uma janela não pode ser um quadrado perfeito, é preciso que nos seus cantos existam bordas arredondadas. Quando essa regra não é observada, todos os cantos passam a ser pontos de concentração de tensão, podendo provocar rachaduras. Você pode reparar isso em uma janela da sua casa.

No caso do avião, com a força do ar recebido externamente e a pressurização interna da cabine, com o tempo as janelas não resistiram e bastou uma pequena rachadura em um dos cantos para que a cabine explodisse e o avião se desintegrasse no ar.

As colunas do Hyatt Regency

Na década de 80, em Kansas City, um hotel de 40 andares desabou, matando 114 pessoas e deixando outras 200 feridas. A causa foi um erro grotesco de projeto durante a reforma de um dos andares do edifício.

O erro absurdo aconteceu quando um engenheiro propôs a mudança de lugar de uma das colunas do salão. O que ele não sabia — e, acredite, como engenheiro ele tinha a obrigação de saber — é que aquela era uma das colunas mestras do prédio. Ao removê-la do lugar, outra coluna foi colocada, mas com um posicionamento diferente.

Quando houve tráfego no piso de cima a nova coluna ruiu, fazendo com que o prédio inteiro desabasse. Indenizações às vítimas e aos familiares foram pagas até 2008 e estima-se que, além dos danos materiais, mais de US$ 140 milhões tenham sido gastos em processos e ações judiciais.

 
Fonte: Tecmundo.

Formação Especialista x Formação Generalista

18/01/2012 2 comentários

Das varias tendências que marcaram o século XX, uma das mais importantes foi a extraordinária valorização do conhecimento especializado, frequentemente em detrimento da formação geral, mesmo nos ambientes universitários que deveriam preservá-la. Hoje, a aceleração das mudanças tecnológicas coloca em xeque essa tendência.

Alguns alunos e professores que optaram por formação global se deparam com barreiras de ordem estrutural. Além da área acadêmica, os questionamentos sobre “Qual direção seguir?” também inquietam profissionais do mercado. O que é melhor: uma formação generalista ou especialista?

Um dos objetivos do Programa de Educação Tutorial – o PET, ao desenvolver ações de ensino, pesquisa e extensão de maneira articulada, é permitir uma formação global, tanto do aluno bolsista quanto dos demais alunos do curso, proporcionando-lhes uma compreensão mais integral do que ocorre consigo mesmo e no mundo. Ao mesmo tempo a multiplicidade de experiências contribui para reduzir os riscos de uma especialização precoce.

O especialista já foi definido como alguém que sabe quase tudo sobre quase nada. Em oposição, um generalista seria alguém que soubesse quase nada sobre quase tudo. Ambas definições são claramente pejorativas e caricaturais, ainda que só atinjam esses efeitos por carregarem algum sabor de verdade.

O que se observa pesquisando os cursos de graduação oferecidos pelas universidades brasileiras é que existe uma superespecialização, que, além de reduzir a visão de complexidade da realidade, diminui a mobilidade no mercado de trabalho. Muitas segmentações da Engenharia, por exemplo, poderiam ser estudadas em uma especialização em nível de pós-graduação. Nos últimos anos, os formados em engenharia de Telecomunicações estavam com dificuldade de entrar no mercado. No entanto, questiona o diretor da Escola Politécnica da USP José Roberto Cardoso: “Um profissional de Telecomunicações não poderia trabalhar na Engenharia Elétrica?” A resposta, ao menos teoricamente, é “sim”, mas a denominação específica o prejudica.

Para Cardoso, com o milagre econômico da década de 1970, as empresas passaram a querer profissionais que saíssem prontos das universidades. A partir daí, proliferaram as especializações em Engenharia, que hoje chegam a 280 – entre elas, Mecatrônica, de Materiais, Naval, Química, Automotiva, de Telecomunicações… Na Europa, estas não passam de 14.

Tal como o baralho de cartas, o baralho das profissões também tinha apenas algumas dezenas de ocupações até o século XIX. Ao longo da primeira metade do século passado, elas se ramificaram em centenas de especialidades. No pós-guerra já eram milhares, e na virada do século dezenas de milhares. Neste ritmo, logo muitas economias terão mais especialidades do que especialistas, inviabilizando de vez a noção territorial do conhecimento.

Num baralho cada vez maior, é natural que uma única carta seja cada vez mais valorizada: o curinga, aquela que é capaz de assumir o papel  das demais. O verdadeiro profissional do futuro será aquele que melhor se igualar ao curinga. Mas como preparar os jovens de hoje para serem curingas no mundo das profissões e especialidades? A resposta ainda não é clara, mas já se faz necessária. A primeira providência é simplesmente parar de estimular os jovens a abraçarem precocemente uma carreira especializada. Muitos jovens preferem, como cantava Raul Seixas, “ser uma metamorfose ambulante”. Eles estão certos. Ao invés de dissuadi-los, devemos prepará-los para conduzir suas metamorfoses com competência.

Fontes:

Carta Capital

Revista da Cultura

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