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Arquivo para a categoria ‘Curiosidades’

Humor – Quando o engenheiro não está na obra…

18/05/2012 1 comentário

Nossos professores já dizem, e o senso comum é claro: “quando os gatos saem, os ratos fazem a festa”.

O baixo nível de instrução dos trabalhadores da construção civil atualmente, aliado ao pouco investimento no treinamento destes profissionais ocasiona inúmeras consequências no rendimento do setor. Quem nunca ouviu (ou mesmo presenciou) o caso em que o mestre de obras vem contar, todo cheio de rodeios, que colocaram a armação inteira dos pilares do lado errado? Ou que botaram água/areia demais na betoneira, e o troço “desandou”? Ou que o desnível do pavimento está mais de “um palmo”? Ou que…

Esses pequenos deslizes, ocasionados pela falta de fiscalização e gerenciamento do canteiro, geram sérios prejuízos para as empreiteiras, além do desperdício de material e risco para os trabalhadores.

Mas mesmo com todo o controle do mundo, a criatividade humana não tem limites. E alguns casos, mesmo indesejáveis no dia-a-dia, não deixam de ter um lado cômico.

Duvida do que esse pessoal faz? Veja você mesmo:

Rambo 9 – O retorno!

Piscina de ondas artificiais

Calorzinho durante o serviço?

Excelente opção de entretenimento familiar

Betoneira Kamikaze

A luta final contra a enceradeira

Pobre máquina…

São muito engraçados, e ilustram perfeitamente o que pode ocorrer na obra quando não se tem controle da situação.

Muitos desses vídeos mostram situações que possuem alto risco de se tornarem acidentes sérios. Logo, devemos, como futuros engenheiros e técnicos em segurança, ter em mente que um bom planejamento da obra gera economia de recursos e preservação da vida.

Fonte: Youtube, Blog Felipe Fuscaldi

Adições Minerais ao Concreto de Cimento Portland

Os agregados minerais são compostos por uma mistura que pode reunir pó de quartzo, materiais metálicos, escória granulada de alto forno, sílica ativa, metacaulin, pigmentos e aditivos. O uso dessas adições tem proporcionado concretos cada vez mais resistentes e duráveis, com a simplicidade de apenas melhorar as propriedades já existentes no concreto tradicional.

Quando se substitui parte de cimento Portland por cinza volante, cinza de casca de arroz, escória de alto-forno, sílica ativa, cada uma destas adições minerais atua de modo distinto, de acordo com sua granulometria e atividade química ou física.

O desenvolvimento das reações pozolânicas proporciona a formação de compostos hidratados mais homogêneos e induz a uma diminuição nos teores de hidróxido de cálcio na solução dos poros do concreto, originando uma pasta mais densa e homogênea, substituindo poros grandes por menores, o que dificulta o ingresso e deslocamento de agentes agressivos no interior da pasta.  Por efeito físico, as partículas pequenas propiciam um maior empacotamento com o cimento e diminuem o efeito parede da zona de transição, promovendo o aumento da resistência do concreto. A proporção para substituição do cimento por adições varia conforme o tipo de adição.

O uso de adições minerais traz grande benefício à sociedade, por dar um destino a esses resíduos e, principalmente, por reduzir o consumo de energia e poluição do ar gerados pela produção do cimento, ao substituir grande parte desse produto na indústria da construção civil.

De acordo com o tipo de adição e dosagem, diversas características importantes podem ser obtidas:

  • Redução do calor de hidratação;
  • Incremento de resistência em idades avançadas;
  • Melhoraria da coesão;
  • Diminuição da exudação;
  • Melhoria da fluidez do concreto;
  • Melhoria da resistência na zona de transição entre a pasta e o agregado;
  • Redução da permeabilidade;
  • Influência na resistividade elétrica;
  • Aumento da resistência química.

Pozolanas:

“Material silicoso ou sílico-aluminoso que em si mesmo possui pouca ou nenhuma propriedade cimentante mas, numa forma finamente dividida e na presença de umidade, reage quimicamente com o hidróxido de cálcio a temperaturas ambientes para formar compostos com propriedades cimentantes.” (Mehta e Monteiro (1994, p.217)

As pozolanas podem ser naturais, materiais de origem vulcânica, geralmente ácidos, ou de origem sedimentar; podem também ser artificiais, materiais provenientes de tratamento térmico ou subprodutos industriais com atividade pozolânica (NBR 5736/91). Exemplos mais comuns:

Sílica ativa – mais utilizada em concreto de alto desempenho em todo mundo. Sua contribuição consiste na alta reatividade nas primeiras idades, induzindo a um aumento nas resistências mecânicas iniciais e finais; diminuição da taxa de absorção e no aumento da resistência capilar.

Cinza volante – melhora a trabalhabilidade e a coesão, diminuindo a exsudação e a segregação, facilitando a operação de transporte, lançamento e o acabamento, pois ocorre o retardamento do tempo de pega, baixo calor de hidratação; redução da permeabilidade e aumento da durabilidade.

Cinza de casca de arroz (Imagem) - comportamento similar ou até melhor que a sílica ativa. Por isso, alguns pesquisadores a consideram como uma ‘superpozolana’, quando obtida por meio de queima controlada.

Filler calcário – devido às suas propriedades físicas, tem um efeito benéfico sobre as propriedades do concreto convencional, tais como: trabalhabilidade, densidade, exsudação, permeabilidade, capilaridade. É quimicamente inerte – não possui atividade pozolânicas.

Cal hidratada (imagem) – tem por finalidade repor parcialmente ou totalmente, as reservas de hidróxido de cálcio para as reações pozolânicas e, ainda, restabelecer a reserva alcalina do concreto, a qual sofre decréscimo variável dependendo da reatividade e teor de cada adição. A adição de cal hidratada diminui a porosidade total, com a formação de uma estrutura mais densa e acelera a taxa de hidratação do cimento.

Embora em outros países seja corrente o emprego da escória de alto forno em canteiros de obras ou usina, onde ela é adicionada ao concreto preparado com cimento Portland tradicional, no Brasil esse prática é restrita por razões diversas, incluindo-se a falta de dados técnicos e desenvolvimento de métodos a respeito.

 Fontes: Cimento Itambé

Paulo Ricardo de Vargas Furquim – ESTUDO ESTATÍSTICO DE PRODUÇÃO DE CONCRETOS COM ADIÇÕES MINERAIS

“Casa Catavento”

30/04/2012 1 comentário

Apelidada de “Casa Catavento”, o projeto da arquiteta Ying chee Chui, surpreende pelo seu baixo custo, de apenas US$ 5.925 (cerca de R$ 10.000). A construção faz parte do projeto “1k house” desenvolvido pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) em 2008, cujo objetivo é criar casas com custo de US$ 1.000 (R$ 1.800) O protótipo ficou mais caro do que o projeto original, orçado em US$ 4.000 por apresentar uma área interna de 74,3 metros quadrados, maior do que os 46,4 metros quadrados previstos. Contudo, segundo a arquiteta, por meio do aprimoramento da técnica e de construções em maior quantidade é possível reduzir os custos.

A obra é feita de maneira bem simples, a fundação é do tipo sapata e o fechamento, em alvenaria cerâmica reforçada com barras de aço. O telhado é sustentado por vigas de madeira (preferencialmente bambu, por ser leve e ecológico). Depois são colocadas as telhas e esquadrias.

Planta-baixa do projeto

A peculiaridade desta casa, que facilita o processo construtivo é seu caráter modular, ela é formada por espaços “retangulares” que são montados ao redor de um espaço aberto central, “A construção é muito fácil porque, se você sabe como construir um único módulo, então você sabe construir a casa inteira.”, explica Chui. É desta característica que provém seu nome Pinwheel House”, em português, “Casa Catavento”, devido ao seu formato visto de cima. Por ser construída em módulos a planta pode ser facilmente adaptada a vários tamanhos e usos, sendo necessário somente mover os painéis de posição. Além disso, é fácil unir várias habitações, permitindo uma construção mais ampla. A proposta de Chui é que, a partir da junção de várias casas, surjam comunidades formadas somente por esse tipo de construção, que partilhariam um espaço interno maior.

O projeto, além de fazer casas que sejam acessíveis a um grande número de pessoas, tem como princípios propor ambientes que ofereçam qualidade de vida para os moradores, incluindo segurança, conforto e saneamento, além de utilizar materiais reciclados e reaproveitados. O conceito deve ser aplicado a regiões pobres e áreas atingidas por catástrofes que necessitem ser reconstruídas rapidamente e com baixo custo.

Fontes: Superinteressante, Casa dos engenheiros, Inovação tecnológica

Centro Aquático de Londres

Mesmo antes do início dos próximos jogos olímpicos, que ocorrerão este ano em Londres, diversas obras já chamam a atenção. O Centro Aquático de Londres, criado por Zaha Hadid ficou pronto em julho do ano passado e desde então já vem despertando a curiosidade e o interesse devido à sua arquitetura audaciosa. A arquiteta inspirou-se na geometria da água em movimento para criar uma cobertura cheia de curvas e ondulações que adequa-se ao cenário do local onde ocorrerão as competições de natação e saltos ornamentais. Segundo ela a cobertura servirá para “garantir fluidez ao projeto e se enquadrar ao entorno”.

Na estrutura foram utilizadas cerca de 2,8 mil toneladas de treliças metálicas de aço e alumínio, que, segundo o diretor do projeto foi a quantidade mínima necessária para assegurar a estabilidade do edifício. Toda a estrutura do telhado foi montada no chão, antes de sua instalação sobre os pilares. Para sustentar a fundação foram colocadas aproximadamente 2,4 mil estacas e, depois, foram construídos os três pilares que sustentam a estrutura da cobertura.

Ao todo, o telhado possui 160 m de extensão e possui um enorme vão livre no centro, sendo revestido por 11 mil m² de painéis de alumínio. Uma dupla curvatura geométrica foi usada para gerar uma estrutura parabólica em arco que cria as características únicas do telhado que ondula-se diferenciando os volumes das piscinas de competição e de mergulho. Ao todo são três piscinas, duas de 50 m, sendo uma principal, e outra de 25 m, construídas no eixo longitudinal da estrutura, seguindo a direção da cobertura.

Durante as Olimpíadas o ginásio acomodará 17,5 mil pessoas, graças a plataformas de arquibancadas provisórias, que serão retidas após os jogos. Com o término do evento, o espaço nas laterais, que atualmente conecta as duas instalações de arquibancadas, será fechado com vidro para garantir a iluminação natural e a capacidade será reduzida para três mil pessoas. Dessa forma, ele poderá continuar sendo usado para atender à comunidade local.

A construção durou aproximadamente três anos, sob custo de US$ 438 milhões e foi inaugurada 1 ano antes da data de início dos jogos!

Fontes: EA – Arquitetura e Engenharia, PINIweb

Visita técnica: Obra Green Park Life – Alvenaria Estrutural

No dia 16 de março de 2012, a Construtora Tenda recebeu petianos e colaboradores em seu canteiro de obras. No bairro São Pedro, em Juiz de Fora, o engenheiro Luiz Cesar Nascimento apresentou aos alunos o método construtivo do conjunto de 10 blocos de edifícios em alvenaria estrutural.

No local estava sendo finalizada a obra de 220 unidades de 2 e 3 quartos. Em cidades como Belo Horizonte, o engenheiro mencionou que a Tenda já construiu conjuntos de 6000 unidades. No total, o governo federal pretende financiar mais de 2 milhões de unidades.

Sobre a empresa: A Construtora Tenda é uma das principais construtoras e incorporadoras do país com foco em empreendimentos econômicos. Após a compra pela Gafisa, se tornou a empresa em 1º lugar no ranking de construção civil no Brasil. A construtora está presente em mais de 100 cidades de 11 estados do país.

O ex-petiano Newton Neto, que nos acompanhou durante a visita, é atualmente estagiário da Tenda. Na foto, estão ainda Priscila e Tiago, alunos da UFJF, também estagiários.

Newton, Priscila, Prof. Polisseni, Eng. Luiz Cesar, Tiago

Atualmente, um dos principais problemas que a empresa enfrenta é a falta de mão de obra especializada, em todos os níveis de contratação.

Método construtivo:

A alvenaria estrutural é um sistema construtivo racionalizado, no qual os elementos que desempenham a função estrutural são de alvenaria, ou seja, os próprios blocos de concreto são elementos portantes.

O cálculo estrutural foi feito por Márcio Faria, um dos maiores calculistas do Brasil, formado na UFJF. Devido à relativa pouca altura dos prédios (5 andares), os blocos possuem aproximadamente o mesmo tamanho em todas as etapas. A diferença é a resistência: 6 MPa nos primeiros 2 andares e 4,5 MPa nos seguintes.

Segundo o Professor Antônio Eduardo Polisseni, que organizou e acompanhou essa visita, em edifícios de até 12 pavimentos, a alvenaria estrutural é um método imbatível: é cerca de 30% mais rápida do que obras de concreto armado, e mais econômica também. Acima desse número de andares, a espessura dos blocos se torna uma desvantagem.

Ainda, na alvenaria estrutural, os blocos já vem no tamanho e corte exatos: o desperdício de material é mínimo. Não é permitido cortar as alvenarias, o que prejudicaria sua resistência. Dessa forma, o projeto é feito parede a parede, com todos os vãos de tubulações de luz e água já definidos e recortados em blocos específicos que entrarão em locais pré-fixados.

Até a argamassa é assentada com todo o cuidado para que não haja perda de prumo ou desperdício. Muitas vezes são colocadas sobre os tijolos com equipamentos que lembram confeitadores de bolo.

A partir das características citadas acima, nota-se que alvenaria estrutural é um método limitado arquitetonicamente. Após erguido o prédio, não pode haver qualquer modificação na posição e integridade das paredes, pois são elas que sustentam as cargas. Pinturas, troca de pisos entre outros acabamentos são permitidos.

Outra observação pertinente é a necessidade de controle rígido das etapas de construção. O Mestre de Obras Paulo Márcio, com mais de 30 anos de experiência, nos mostra algumas das precauções tomadas no levantamento das paredes.


Detalhes da obra:

Parte das fundações seriam tubulão. Por razões de logística e segurança, foram substituídas, completando a totalidade de estacas escavadas. Nas condições corretas, cada estaca suporta cerca de 30 toneladas. Nesse caso específico, foram utilizadas 3 – uma como fator de segurança. As estacas possuem 12m de profundidade e são constituídas por concreto de Fck 20.

Além das estacas, as outras estruturas armadas são a cinta, os acabamentos e as lajes. Essas últimas são construídas com peças pré-moldadas.

Outros exemplos materiais utilizados na obra são o poliuretano (foto), plástico parecido com isopor, que serve para impermeabilizar e vedar espaços pequenos (como entre as janelas e os blocos) e juntas de dilatação.

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E o material geotextil, chamado tecido-não-tecido, impermeabilizante e drenante, utilizado para revestimento de muros e paredes externas que não devem ter contato com água.

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A obra está marcada para ser entregue em novembro, e estava 100% vendida quando fizemos a visita. Uma curiosidade é que a própria empresa responsável pelas vendas faz a conscientização da importância de se preservar as alvenarias intactas. Ainda, via de regra, os edifícios de alvenaria estrutural possuem uma placa em sua entrada alertando os moradores sobre segurança.

Por último, questionamos o engenheiro Luiz Cesar sobre a presença de medidas sustentáveis no projeto. Segundo ele, o Green Park Life possuirá um sistema de captação de água da chuva a partir de pavimentos intertravados (permeáveis) que fazem a ligação entre os blocos. A água será usada para fins coletivos não-potáveis, como rega de jardins e lavagem das áreas comuns.

Agradecimentos: Construtora Tenda, Professor Antônio Eduardo Polisseni.

Mais informações: Alvenaria Estrutural

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